Com 79 km de duplicações, 162 acessos e 26 intervenções em pontes e viadutos, projeto rodoviário previsto para Minas Gerais teve edital revogado em 2026
O pacote reunia pavimentação e mudanças de acesso, mas a disputa foi interrompida por uma questão sobre a gestão de trechos federais.
O plano de ampliar estradas no Noroeste de Minas Gerais chegou a reunir duplicações, pavimentação e melhorias em centenas de acessos. O Lote Noroeste, apresentado em 2025 para uma rede de 767 km, teve seu edital de concessão revogado em fevereiro de 2026, antes que as obras previstas fossem contratadas naquele modelo.
O que o Lote Noroeste previa para as rodovias?
A proposta de 2025 alcançava 19 municípios, incluindo Patos de Minas, Pirapora e Montes Claros. O sistema reunia trechos federais e estaduais voltados ao deslocamento regional e ao escoamento de mercadorias do interior.
A BR-365 era uma das estradas centrais do pacote, ao lado da BR-146, BR-251, CMG-496, MG-408 e MG-181. O desenho dependia de acordos institucionais para integrar rodovias sob diferentes administrações.

Quais eram as obras previstas em 2025?
A apresentação pública inicial incluía 79,1 km de duplicações, 110,7 km de pavimentação e 70,9 km de acostamentos. Também estavam previstos 14,6 km de marginais e seis passarelas para circulação de pedestres.
As melhorias em 162 acessos e 26 pontes e viadutos procuravam tratar riscos e gargalos em pontos específicos. Outros 46 dispositivos de interseção completavam a proposta então levada à consulta pública.
A versão de 2025 reunia quatro frentes principais:
Por que acessos e pontes eram tão relevantes?
Em corredores que ligam cidades e propriedades rurais, entradas frequentes podem criar conflitos entre caminhões e veículos que reduzem a velocidade para acessar estradas locais. Faixas de aceleração e retornos organizados ajudam a reduzir essas situações.
As intervenções em pontes e viadutos tinham outra função: adequar estruturas ao uso da rodovia. Reparos e ampliações precisam considerar condições existentes, tráfego de cargas e o projeto específico de cada travessia.
O edital chegou a ser atualizado antes da revogação?
Sim. Em janeiro de 2026, a apresentação do edital já trazia quantitativos diferentes, como cerca de 80 km de duplicações, 35 passarelas e melhorias em 277 acessos. Isso mostra que os números de 2025 não eram o contrato definitivo.
A existência de versões diferentes importa para interpretar o projeto. Uma proposta em audiência pública pode ser revisada antes do edital; mesmo um edital publicado não garante a execução quando há pendências jurídicas ou administrativas.
O histórico do projeto tem três marcos relevantes:
Por que a concessão foi revogada em fevereiro?
O governo mineiro comunicou a revogação em 13 de fevereiro de 2026 após a União negar a delegação dos trechos federais necessários ao modelo de concessão. A decisão interrompeu a licitação estadual do lote.
A justificativa federal envolveu a intenção de executar diretamente obras em parte da BR-365, com avaliação posterior de concessão. A revogação não significa que toda melhoria rodoviária na região tenha sido descartada.
O que resta do plano para motoristas e produtores?
Os quilômetros e estruturas da proposta original continuam úteis para dimensionar os problemas que se pretendia enfrentar, mas não podem ser tratados como obras contratadas. Qualquer novo desenho precisa ter escopo, competências e financiamento formalizados.
Para moradores e transportadores, o acompanhamento deve se concentrar em novos atos oficiais e obras efetivamente autorizadas. Sem outro edital válido para esse pacote, os quantitativos antigos descrevem uma proposta interrompida.
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