Com 275 metros de comprimento e capacidade para afundar parcialmente o próprio convés, este navio consegue entrar debaixo de plataformas, embarcações e estruturas gigantescas antes de voltar à superfície carregando tudo sobre o casco
Tanques de lastro permitem que um dos maiores navios de transporte pesado do mundo mergulhe o convés e carregue estruturas offshore gigantescas
O BOKA Vanguard é um navio semissubmersível de transporte pesado projetado para realizar algo que parece contradizer a lógica de um cargueiro convencional: afundar deliberadamente grande parte do próprio convés, permitir que estruturas flutuantes sejam posicionadas sobre ele e depois retornar à condição de navegação carregando cargas enormes fora da água. Construído em 2012, possui 275 metros de comprimento e convés principal de aproximadamente 275 por 70 metros.
Como o BOKA Vanguard consegue afundar o próprio convés sem naufragar?
O segredo está no sistema de lastro. Bombas transferem grandes volumes de água do mar para tanques distribuídos pelo navio, aumentando seu deslocamento e fazendo o casco descer de maneira controlada. Na condição submersa indicada pela ficha técnica atual, o calado pode chegar a aproximadamente 31 metros, permitindo que o convés fique vários metros abaixo da superfície.
Durante todo o processo, partes elevadas do navio permanecem acima da água e fornecem flutuabilidade e estabilidade suficientes para controlar a operação. O enchimento dos tanques não ocorre simplesmente de maneira uniforme: quantidade e distribuição do lastro são calculadas para controlar calado, inclinação longitudinal e inclinação lateral enquanto a carga se aproxima.
Como uma plataforma gigantesca é colocada sobre um navio submerso?
Depois que o convés atinge a profundidade planejada, uma estrutura que já flutua — como plataforma offshore, FPSO ou outra embarcação — pode ser deslocada sobre ele. Rebocadores, cabos, sistemas de posicionamento e guias previamente instalados ajudam a manter a carga exatamente na posição calculada, enquanto vento, ondas e corrente são continuamente considerados.
Em seguida, o processo é invertido. As bombas retiram água dos tanques, o navio ganha flutuabilidade e o convés sobe gradualmente até entrar em contato com a carga e levantá-la completamente para fora da água. Uma operação típica envolve:
- Submergir o convés por meio dos tanques de lastro;
- Posicionar a carga flutuante sobre a área preparada;
- Centralizar e estabilizar a estrutura;
- Remover progressivamente a água dos tanques;
- Elevar e fixar a carga para a viagem.
Este vídeo oficial da Boskalis mostra o BOKA Vanguard transportando uma estrutura gigantesca sobre seu convés.
Por que o BOKA Vanguard não precisa de enormes guindastes para levantar essas cargas?
O princípio é diferente de um içamento convencional. Um guindaste concentra forças em cabos e pontos específicos enquanto suspende uma carga. No sistema float-on/float-off, a própria flutuabilidade permite colocar a estrutura sobre o convés antes que o navio emerja lentamente sob ela, distribuindo o peso sobre áreas de apoio previamente projetadas.
Isso torna possível transportar estruturas grandes demais para muitos equipamentos de içamento disponíveis no local. O navio também possui proa aberta e popa aberta, permitindo que cargas ultrapassem suas dimensões físicas em determinados projetos, desde que estabilidade, resistência estrutural, distribuição de peso e condições de navegação permaneçam dentro dos limites calculados.
Como o navio permanece estável com milhares de toneladas sobre o convés?
Antes do carregamento, engenheiros determinam onde cada região da carga ficará apoiada e como as forças serão transferidas ao casco. Durante a operação de lastro, diferentes tanques podem receber ou perder água em quantidades distintas, permitindo compensar deslocamentos do centro de gravidade e manter o conjunto dentro de parâmetros seguros.
Condições ambientais também são decisivas. Em uma operação envolvendo a plataforma Moho Nord, por exemplo, a Boskalis destacou que altura das ondas, ondulação, corrente e velocidade do vento eram parâmetros fundamentais durante o carregamento. Todo o processo de posicionamento e retirada de lastro levou aproximadamente 18 horas.

Quais números mostram a escala do BOKA Vanguard?
A ficha oficial da Boskalis informa 275 metros de comprimento total, 70 metros de largura moldada e capacidade de porte bruto na faixa de 116 mil a 130 mil toneladas, conforme a configuração considerada. O sistema principal possui quatro bombas de lastro capazes de movimentar 5.300 metros cúbicos de água por hora cada.
Esses números ajudam a explicar por que o navio transporta equipamentos offshore, plataformas de produção e até outras embarcações. Em 2019, por exemplo, recebeu o navio de cruzeiro Carnival Vista sobre o convés para funcionar como uma espécie de doca seca flutuante durante reparos realizados nas Bahamas.
| Característica | Dado |
|---|---|
| Comprimento total | 275 m |
| Convés principal | 275 × 70 m |
| Calado submerso | Até cerca de 31 m |
| Bombas principais de lastro | 4 × 5.300 m³/h |
Por que esse método mudou o transporte de estruturas offshore gigantescas?
Estruturas como FPSOs, plataformas semissubmersíveis e grandes cascos tradicionalmente poderiam precisar ser rebocadas pela água durante viagens oceânicas. Um navio desse tipo permite transportá-las secas sobre um convés, oferecendo outra solução para projetos nos quais dimensões, formato ou cronograma tornam o reboque convencional menos adequado.
O diferencial está menos em “levantar” a carga e mais em posicionar o navio debaixo dela. Ao manipular dezenas de milhares de toneladas de água em seus tanques, o BOKA Vanguard transforma a própria flutuabilidade em um sistema de carregamento, fazendo um casco de 275 metros desaparecer parcialmente sob o mar e retornar trazendo estruturas inteiras sobre ele.
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