Com 117 pontes e viadutos, 39 passarelas e 232 km de duplicações, projeto de R$ 10,8 bilhões vai transformar estradas de um dos estados mais ricos do Sul
O pacote de obras promete mudar trechos importantes usados diariamente por cargas e passageiros
Estradas que atravessam o interior do Paraná deverão ganhar novas pistas, viadutos e caminhos que contornam áreas urbanas. O Lote 4 do Paraná reúne 627,52 km de rodovias e prevê 117 pontes e viadutos, 39 passarelas e quase 232 km de duplicações, dentro de um programa de R$ 10,8 bilhões em obras. A concessão já está em operação, mas as grandes ampliações serão executadas por etapas, com intervenções previstas nas regiões Norte, Noroeste e Oeste do estado.
Quais rodovias fazem parte do projeto de R$ 10,8 bilhões no Paraná?
O Lote 4 abrange trechos de três rodovias federais e oito estaduais, conectando cidades como Maringá, Londrina, Paranavaí, Umuarama e Guaíra.
Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná, o pacote contempla as rodovias federais BR-272, BR-369 e BR-376, além das estaduais PR-182, PR-272, PR-317, PR-323, PR-444, PR-862, PR-897 e PR-986.
Esses corredores atendem ao transporte de produtos agrícolas, viagens entre municípios e deslocamentos diários de moradores. A concessão permitirá executar melhorias distribuídas por diferentes estradas, sem concentrar todo o investimento em um único município.

Onde serão construídos os 232 km de duplicações?
Os 231,96 km de duplicações serão distribuídos por trechos selecionados do sistema rodoviário. Uma das intervenções mais extensas acontecerá na PR-323, importante ligação entre Maringá e o Noroeste paranaense.
O DER-PR detalha a duplicação de 114,62 km da PR-323, entre Doutor Camargo e Umuarama, conectando segmentos que já possuem pistas duplicadas.
Outros pontos do programa incluem a ampliação da BR-376, entre Paranavaí e Nova Londrina, e melhorias em trechos próximos de Maringá, Londrina e Cornélio Procópio.
A duplicação consiste em criar pistas separadas para os dois sentidos de circulação. Em estradas com grande movimento de caminhões, essa mudança reduz a necessidade de ultrapassagens pela faixa contrária.
O projeto também prevê intervenções complementares:
- 87,11 km de faixas adicionais: ampliação localizada para organizar o movimento dos veículos.
- 39,59 km de vias marginais: caminhos paralelos destinados a acessos locais.
- 33,92 km de ciclovias: espaços reservados para a circulação de bicicletas.
- 38,78 km de adequação na PR-444: alargamentos e implantação de separadores centrais entre Mandaguari e Arapongas.
Por que o Paraná vai construir 117 pontes e viadutos?
As 117 pontes e viadutos previstos permitirão atravessar rios e reorganizar cruzamentos entre rodovias. Cada estrutura será construída conforme as características do terreno e a movimentação dos veículos.
Na PR-323, por exemplo, estão previstas novas pontes sobre rios como Ivaí, São Mateus, Bertioga e Catingueiras. As travessias precisam acompanhar o aumento de capacidade das pistas.
Já os viadutos serão usados para separar movimentos que hoje podem ocorrer no mesmo nível. O projeto inclui diferentes formatos de ligação:
- Diamante: possui acessos laterais que permitem entrar e sair da rodovia.
- Trombeta: organiza a conexão entre vias por meio de ramos de acesso.
- Parclo: utiliza alças em desnível para organizar retornos e entradas.
Essas obras exigem fundações, pilares e estruturas capazes de suportar o peso do tráfego. A movimentação dos componentes também é uma etapa importante da construção, como ocorre em projetos nos quais grandes módulos de pontes são transportados antes da montagem.
Quem quer acompanhar as grandes obras rodoviárias no Paraná, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Meu Paranazão, que conta com mais de 46 mil visualizações, onde mostram o projeto das rodovias em concreto no Paraná:
Como os novos contornos vão mudar as estradas de Maringá e Londrina?
Os contornos permitirão que parte dos veículos de passagem utilize caminhos externos, evitando determinados trechos urbanos de Maringá e Londrina.
Em Maringá, o novo Contorno Sul terá 19,3 km e seguirá até a PR-897, na região de Marialva. Estão previstos três viadutos do tipo diamante e outro do tipo trombeta no encontro com a rodovia estadual.
O Contorno Norte de Londrina terá 30,1 km, começando em Cambé, passando pelo território londrinense e terminando em Ibiporã. O traçado prevê três pontes e oito viadutos.
Essas ligações procuram separar o trânsito de longa distância de parte dos deslocamentos locais. Para caminhões que precisam apenas atravessar a região, um contorno pode diminuir a necessidade de circular por vias próximas a bairros e áreas comerciais.
O pacote também prevê um Contorno Leste de Londrina, que terá etapas adicionais de preparação. O estudo de viabilidade está previsto para o segundo ano da concessão, antes da definição do projeto executivo e das licenças necessárias.
O que representam os R$ 10,8 bilhões de investimentos?
Os R$ 10,8 bilhões correspondem ao valor de obras previsto na documentação divulgada pelo DER-PR. O montante abrange duplicações, novos contornos, pontes, viadutos e outros equipamentos de infraestrutura.
Além desse valor, o programa apresentado pelo órgão prevê R$ 5,6 bilhões para conservação e serviços. Somadas, as duas parcelas chegam a R$ 16,4 bilhões na modelagem divulgada em outubro de 2025.
A diferença entre essas categorias importa porque conservar uma pista existente não equivale a construir outra. Serviços como recuperar o asfalto, limpar sistemas de drenagem e renovar a sinalização fazem parte da manutenção contínua.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres confirma que a concessão possui prazo de 30 anos e começou em 9 de março de 2026, sob responsabilidade da EPR Paraná.
Quais melhorias já começaram nas rodovias do Paraná?
A EPR Paraná já executa serviços de conservação e recuperação das rodovias, mas isso não significa que as 117 pontes e viadutos ou os 232 km de duplicações tenham sido concluídos.
Em setembro de 2026, a concessionária mantinha equipes em trechos das BR-369 e BR-376 e das rodovias estaduais PR-323, PR-317 e PR-444. Os trabalhos incluíam recuperação asfáltica, manutenção de pontes, pintura de sinalização, roçada e limpeza de drenagem.
O comunicado operacional da EPR Paraná de 24 de setembro de 2026 informa que algumas intervenções exigiram bloqueios temporários de faixas e acostamentos, além de circulação alternada pelo sistema Pare e Siga.
As ampliações de maior porte dependem dos cronogramas, projetos de engenharia e autorizações previstos no contrato. Por isso, a conclusão dos novos contornos e das duplicações ocorrerá em etapas diferentes.
Para os motoristas, as primeiras mudanças aparecem na conservação do pavimento e da sinalização. Já a transformação mais ampla das viagens entre Maringá, Londrina e o Noroeste do Paraná dependerá da entrega das novas pistas, travessias e acessos planejados.
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