Cogumelos estão virando prédios, tênis de luxo e até robôs vivos
Cogumelos podem revolucionar moda, construção e tecnologia
Imagine um material que nasce de resíduos agrícolas, cresce no escuro e vira embalagem, isolamento ou até bacon vegetal em poucos dias. Esse é o micélio, a “raiz” dos cogumelos que está substituindo plástico, couro e concreto em diversos setores.
O que é micélio e por que ele está revolucionando a indústria?
O micélio é a rede branca escondida no solo, em troncos e folhas, funcionando como raiz e “estômago” do fungo. Formado por milhares de fios microscópicos chamados hifas, ele se entrelaça como uma espuma leve e colante, agindo como supercola natural.
Pesquisadores como Eben Bayer e Gavin McIntyre, fundadores da Ecovative, descobriram que misturado a palha de milho, cânhamo e resíduos agrícolas, o micélio cresce em dias e vira blocos rígidos, naturais e compostáveis. Após preencher o molde, o material é “cozido” em baixa temperatura, ficando estável para embalagens e peças estruturais.

Quanto vale o mercado de embalagens de cogumelo?
O produto Mushroom Packaging levou a Ecovative a fornecer para empresas como Dell, Steelcase e a marca de gim de Emma Watson. O mercado global de embalagens à base de micélio gira em torno de US$ 85 milhões, com previsão de ultrapassar US$ 200 milhões até 2034, crescendo mais de 9% ao ano.
A tecnologia evoluiu para o AirMycelium, cultivado em fazendas internas que produzem cerca de 700 mil m² de material por hectare ao ano, sem luz artificial e com uso eficiente de água. Essas placas podem ser comprimidas e estampadas até parecerem couro, com textura e durabilidade semelhantes ao couro bovino.
Como o couro de cogumelo se compara ao tradicional?
O couro Forager da Ecovative elimina etapas poluentes do curtimento tradicional, reduz água e energia, e emite metade dos gases do couro convencional. O custo fica entre US$ 0,18 a US$ 0,28 por metro quadrado, contra US$ 5,81 a US$ 6,24 do couro bovino cru, além de ser biodegradável.
Marcas como ECCO, Calvin Klein, Tommy Hilfiger, Veja, Hermès (via MycoWorks) e GM já testam o material em calçados, bolsas e interiores automotivos. Startups e laboratórios aplicam o micélio em objetos do dia a dia e projetos arquitetônicos, expandindo rapidamente as possibilidades de uso.
Quer entender mais sobre o fungo? Assista o vídeo abaixo:
Quais são as aplicações mais surpreendentes do micélio?
A NASA estuda levar estruturas com micélio dormente para a Lua ou Marte, onde cresceriam com água e algas, virando habitats espaciais. O micélio com melanina pode proteger contra radiação em órbita baixa.
Na Universidade Cornell, pesquisadores criam sensores vivos em robôs biohíbridos usando a sensibilidade do micélio à luz, umidade e substâncias químicas. Na construção, tijolos de cogumelo-ostra foram usados no projeto MycoHAB na Namíbia, e o conjunto habitacional The Phoenix em West Oakland, Califórnia, usa painéis de micélio com cânhamo como revestimento carbono negativo.
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