Cientistas tingiram de rosa uma parte do oceano e derramaram 65.000 litros de soda cáustica para um experimento
A escala do experimento chamou atenção dentro e fora da comunidade científica
Uma mancha avermelhada apareceu temporariamente no Golfo do Maine, nos Estados Unidos, durante um experimento climático realizado em agosto de 2025. Pesquisadores liberaram cerca de 65 mil litros de solução de hidróxido de sódio, a soda cáustica, e adicionaram um corante rastreador para acompanhar o deslocamento da água alterada.
Por que cientistas colocaram soda cáustica no oceano?
O experimento fazia parte do projeto LOC-NESS, liderado pela Woods Hole Oceanographic Institution. A WHOI explica que o objetivo era testar em mar aberto uma técnica chamada aumento da alcalinidade oceânica.
A ideia é elevar de forma controlada a alcalinidade da água para modificar o equilíbrio químico do carbono dissolvido. Em determinadas condições, isso permite que a superfície do oceano absorva mais dióxido de carbono da atmosfera.

A soda cáustica foi responsável pela cor vermelha da água?
Não. O hidróxido de sódio utilizado era altamente purificado e não foi o responsável pela coloração. A equipe adicionou separadamente um corante conhecido como Rhodamine Water Tracer.
Esse material permitiu seguir a mesma massa de água durante o experimento. A mancha colorida funcionava como um marcador para comparar medições químicas, sensores, modelos e imagens de satélite.
O experimento tinha autorização para liberar o material no mar?
Sim. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos concedeu uma licença de pesquisa depois de avaliar o projeto, realizar períodos de consulta pública e consultar órgãos responsáveis por vida marinha.
A EPA havia autorizado uma quantidade máxima maior do que a efetivamente utilizada. O ensaio final foi realizado em escala menor, na região de Wilkinson Basin, em águas federais.
- Navios: embarcações acompanharam a liberação e as medições.
- Veículos autônomos: equipamentos subaquáticos mediram propriedades da água.
- Satélites: imagens ajudaram a observar a dispersão.
- Amostras: plâncton, larvas e parâmetros químicos foram comparados dentro e fora da mancha.
Os primeiros resultados indicaram que o oceano absorveu mais CO₂?
Os dados apresentados pela WHOI em fevereiro de 2026 indicam que o teste produziu condições para uma entrada adicional de carbono atmosférico na água. Os pesquisadores afirmam que parte desse fluxo pode ser calculada combinando medições de pH, pressão parcial de CO₂ e a distribuição do corante.
Isso significa que despejar soda cáustica no oceano já é uma solução climática?
Não. Os próprios pesquisadores tratam o trabalho como um experimento científico controlado. O resultado de uma liberação pequena não prova que a técnica seja segura, econômica ou eficaz em escalas muito maiores.
A análise biológica inicial não encontrou impacto mensurável nos organismos observados durante o teste, mas a equipe ressalta que efeitos sobre cadeias alimentares maiores e pescarias ainda precisam ser modelados. O objetivo desta etapa foi descobrir se a alteração poderia ser criada, rastreada e medida com precisão antes de qualquer discussão sobre aplicações mais amplas.
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