Cientistas recalcularam o fim do Sistema Solar e os planetas externos podem ser expulsos muito antes do previsto
A descoberta está relacionada a um modelo que considera milhares de ejeções irregulares de matéria durante a fase final da estrela.
O destino do Sistema Solar pode ser muito mais caótico do que os cientistas imaginavam. Um novo estudo indica que a morte do Sol pode desestabilizar os planetas gigantes externos muito antes das previsões anteriores, aumentando o risco de colisões orbitais e até da expulsão de mundos inteiros para o espaço interestelar.
A descoberta está relacionada a um modelo que considera milhares de ejeções irregulares de matéria durante a fase final da estrela.
O que os cientistas descobriram sobre a morte do Sol?
Publicado no The Astrophysical Journal Letters, o estudo foi conduzido por Konstantin Batygin e Jim Fuller, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), e Fred Adams, da Universidade de Michigan.
Os pesquisadores utilizaram dados do observatório Gaia, da Agência Espacial Europeia, para investigar como a perda de massa solar pode afetar as órbitas planetárias.
Diferentemente dos modelos anteriores, que consideravam uma perda de massa relativamente gradual, a nova simulação prevê milhares de ejeções irregulares.
Cada episódio pode alterar ligeiramente o movimento do Sol e modificar o equilíbrio gravitacional que mantém os planetas em suas trajetórias.

Como as ejeções de matéria podem desencadear o caos com a morte do Sol?
O modelo considera que o Sol poderá liberar aproximadamente 4.600 grandes ejeções de matéria durante sua evolução final, cada uma equivalente a cerca de 33 massas terrestres.
Esses episódios podem provocar perturbações cumulativas, comprometendo a estabilidade do Sistema Solar externo.
Os resultados das simulações revelaram sinais preocupantes para os quatro planetas gigantes. Entre os principais cenários identificados pelos pesquisadores estão:
Em quanto tempo os planetas podem ser expulsos?
A nova projeção reduz drasticamente o tempo estimado para a desorganização do Sistema Solar externo. Segundo a divulgação do estudo, a instabilidade pode começar a comprometer a configuração planetária em cerca de 1 bilhão de anos após o Sol se transformar em uma anã branca.
Os pesquisadores também identificaram um cenário extremo: em aproximadamente 90% das simulações, pelo menos um planeta gigante acabou sendo lançado ao espaço interestelar.
Em nove de cada dez modelos, a configuração original do Sistema Solar deixou de existir em até 3 bilhões de anos após a formação da anã branca, uma aceleração de até 100 vezes em relação a estimativas anteriores.
A Terra corre risco com esse fenômeno da morte do Sol?
A humanidade não precisa se preocupar com uma ameaça imediata. O processo descrito pelos cientistas ocorrerá em uma escala de bilhões de anos, muito depois das condições atuais de habitabilidade da Terra terem desaparecido.
O próprio Sol deverá entrar na fase de gigante vermelha daqui a aproximadamente 5 bilhões de anos. Sua expansão poderá destruir ou consumir a Terra antes de a estrela perder suas camadas externas e se transformar em uma anã branca.
A descoberta, portanto, não antecipa uma catástrofe próxima, mas muda a perspectiva sobre o destino dos planetas gigantes. Quando o Sol chegar ao fim de sua vida, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno poderão deixar de formar o sistema relativamente organizado que conhecemos — e um deles poderá vagar sozinho pela galáxia.
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