Cientistas investigam por que libélulas estão mergulhando na água e sobem com manobras bruscas
Entenda por que o mergulho das libélulas ajuda no controle da temperatura e revela uma adaptação surpreendente ao calor
Entre os insetos que chamam a atenção pelo modo de voar, as libélulas ocupam lugar de destaque: são capazes de mudanças bruscas de direção, aceleração repentina, frenagens quase instantâneas e até mergulhos rápidos na água seguidos de acrobacias no ar, comportamento que vem sendo estudado com câmeras de alta velocidade.
Por que as libélulas têm esse comportamento?
A manobra de mergulho das libélulas segue um padrão: o inseto voa perto do espelho d’água, desce rapidamente, toca ou penetra levemente na água e, quase no mesmo impulso, volta a subir. Na ascensão, realiza pequenos loopings para a frente antes de retomar um voo estável.
Esse comportamento aparece mesmo sem relação direta com alimentação ou postura de ovos, repetindo-se a cada poucos minutos. A frequência e a constância do padrão chamaram a atenção de cientistas, que passaram a investigar qual seria sua função biológica principal.
Função do mergulho rápido na água
A interpretação mais aceita hoje relaciona o mergulho à termorregulação, isto é, ao controle da temperatura corporal. Em dias quentes, libélulas expostas ao sol podem superaquecer, comprometendo músculos de voo e órgãos internos, o que reduz eficiência de caça e fuga.
O contato breve com a água funcionaria como um “banho-relâmpago”, diminuindo rapidamente alguns graus da temperatura sem perda prolongada da capacidade de voo. Os loopings na subida ajudariam a expulsar gotículas de água, acelerando a secagem e evitando aumento de peso ou prejuízos aerodinâmicos.
Assista a um vídeo que demonstra seu vôo:
Among the most agile of flying creatures, dragonflies have evolved to perform quick aerial maneuvers—akin to planes in a dogfight—both to attract mates and to catch prey midair.
— News from Science (@NewsfromScience) April 15, 2026
Last year, researchers documented and explained a unique stunt the insects perform so quickly most… pic.twitter.com/Ko9cDwg4kn
Como é a interação das libélulas com ambientes aquáticos?
A relação das libélulas com a água começa na fase larval, quando vivem submersas em rios, lagos e lagoas. Na fase adulta, a água passa a funcionar também como recurso físico imediato, usado para regular a temperatura de forma rápida e com baixo gasto energético.
Esse comportamento mostra como pequenos ajustes no uso do ambiente trazem vantagens em climas quentes. A manobra de mergulho e looping ilustra a capacidade de explorar diferenças de temperatura entre ar e água, reforçando a importância de corpos d’água preservados para a sobrevivência desses insetos.
Como os cientistas estudaram esse comportamento?
Para entender esse padrão, pesquisadores combinaram observações de campo com experimentos controlados em laboratório. Câmeras de alta velocidade registraram cada fase da manobra, enquanto modelos computacionais estimaram efeitos de resfriamento e remoção de água do corpo do inseto.
Os principais resultados desses estudos podem ser resumidos em alguns pontos:
Libélulas perto e longe da água
A comparação entre indivíduos que mergulhavam e outros afastados da água, sob calor semelhante, ajuda a testar o efeito do comportamento no resfriamento.
Queda rápida da temperatura corporal
As medições mostraram redução acelerada da temperatura logo após o contato com a água, reforçando a função térmica do mergulho.
Loopings removem mais gotículas
Os registros indicam que as manobras aéreas aumentam a eliminação de água das asas e do tórax, favorecendo o resfriamento e a secagem.
Perguntas em aberto sobre o comportamento das libélulas
Embora a explicação ligada ao resfriamento seja hoje a mais aceita, ainda existem questões em investigação. Pesquisadores avaliam, por exemplo, se o mergulho rápido ocorre em todas as espécies ou é mais comum em regiões de clima quente.
Outros estudos buscam entender melhor diferenças entre machos e fêmeas, efeitos das mudanças climáticas na frequência dos mergulhos e o gasto energético das manobras. Assim, uma cena aparentemente curiosa à beira d’água revela estratégias sofisticadas de adaptação ao calor.
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