Cientistas intrigados com a descoberta de uma antiga cidade submersa há 6.000 anos
As ruínas preservadas debaixo d'água ajudam a reconstruir a vida de uma comunidade muito antiga
A mais de 600 metros de profundidade no extremo oeste de Cuba, imagens de sonar revelaram formas compridas, blocos geométricos e estruturas que lembram corredores e paredes. O conjunto ficou conhecido como uma possível cidade submersa. A hipótese de 6 mil anos, porém, nunca foi confirmada por uma datação direta, e a origem humana das formações continua em aberto.
O que foi encontrado no fundo do mar perto de Cuba?
O achado confirmado é um conjunto de estruturas rochosas incomuns, chamado MEGA, entre 600 e 750 metros abaixo do nível do mar. Elas ficam em uma depressão submarina a oeste da península de Guanahacabibes.
O geólogo cubano Manuel Iturralde-Vinent descreveu o local em Estructuras líticas submarinas al SW de Cuba. Os levantamentos reuniram sonar de varredura lateral, imagens de vídeo, mapas batimétricos, fotografias e amostras do fundo.
As formas maiores chegam a dezenas ou centenas de metros. Também aparecem blocos menores com formatos cúbicos, alongados e piramidais.

Por que essas formações começaram a ser chamadas de cidade submersa?
O apelido nasceu porque algumas imagens lembram câmaras, corredores, blocos sobrepostos e trechos de paredes. A disposição chamou atenção quando a equipe liderada pela engenheira Paulina Zelitsky começou a divulgar o material no início dos anos 2000.
Daí surgiram interpretações que iam de uma construção humana desconhecida a uma cidade perdida. O relatório geológico registra essas ideias apenas como hipóteses.
A cidade realmente tem 6.000 anos?
Não existe uma datação científica publicada que confirme 6 mil anos para uma cidade naquele ponto. Esse número aparece em matérias recentes sobre o mistério, como a publicação que retomou o caso em 2025, mas não corresponde a uma data obtida diretamente dos blocos.
A profundidade torna a hipótese ainda mais difícil. No último máximo glacial, o nível global do mar ficou aproximadamente 120 a 135 metros abaixo do atual, muito menos que os 600 a 750 metros onde MEGA está.
Uma síntese publicada em Quaternary Science Reviews apresenta essa faixa para a queda global do nível do mar.
- 6 mil anos: aparece como hipótese na cobertura popular, não como datação direta.
- 600 a 750 metros: é a profundidade registrada no levantamento geológico.
- 120 a 135 metros: foi a queda aproximada do nível global do mar no último máximo glacial.
- Data arqueológica: ainda falta uma amostra diretamente ligada a uma construção humana que possa ser datada.
As formas podem ter sido criadas pela própria natureza?
Sim. A explicação natural continua sendo uma das principais hipóteses consideradas para MEGA. Deslizamentos, quedas de blocos, falhas e erosão podem criar geometrias que parecem artificiais quando vistas em sonar.
Iturralde-Vinent também observou que alguns blocos lisos e sobrepostos não se parecem com fragmentos irregulares de áreas de deslizamento. Por isso, não descartou totalmente intervenção humana.
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Por que o mistério continua aberto depois de tantos anos?
Porque faltam observações de alta qualidade e amostras diretamente ligadas às estruturas capazes de decidir entre geologia e construção humana. O próprio trabalho de Iturralde-Vinent conclui que os dados disponíveis eram insuficientes e não foram obtidos com uma metodologia adequada para uma resposta definitiva.
O relatório registra ainda que não houve novos trabalhos no local depois das campanhas analisadas.
Por enquanto, o ponto mais sólido é simples: há no fundo do Caribe um conjunto de rochas incomuns sem explicação fechada. Chamar MEGA de cidade antiga é uma hipótese. Demonstrar quem a construiu, quando e até mesmo se alguém a construiu continua sendo a parte que falta.
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