Cientistas despejaram milhares de litros de soda cáustica no mar em teste inédito contra a acidez dos oceanos
O experimento levou para o oceano uma técnica que precisava ser testada fora do laboratório
Uma mancha avermelhada acompanhada por navios, satélites e veículos autônomos apareceu no Golfo do Maine durante um experimento incomum. Pesquisadores adicionaram uma solução altamente purificada de hidróxido de sódio à superfície do oceano para testar se alterar temporariamente a química da água pode aumentar sua capacidade de absorver CO₂ da atmosfera.
Por que cientistas colocaram soda cáustica no oceano?
O objetivo foi testar uma técnica chamada aumento da alcalinidade oceânica. A ideia é mudar o equilíbrio químico da água para permitir que o oceano absorva mais dióxido de carbono da atmosfera sem causar o mesmo aumento de acidez associado à entrada natural desse gás.
O experimento faz parte do projeto LOC-NESS, liderado pela Woods Hole Oceanographic Institution. A pesquisa não significa que despejar soda cáustica no mar em grande escala tenha sido aprovado ou considerado seguro.

Quanto material foi usado no teste?
A autorização da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos permitiu até 16.500 galões de solução de hidróxido de sódio a 50%, aproximadamente 62,5 mil litros.
A dispersão foi realizada de forma controlada durante cerca de seis horas na Bacia de Wilkinson, em águas federais do Golfo do Maine, em agosto de 2025.
Por que a água ficou vermelha?
A cor não veio da soda cáustica. Os cientistas adicionaram um corante chamado Rhodamine Water Tracer para acompanhar visualmente o movimento da água tratada enquanto ela era espalhada pelas correntes e misturada ao restante do oceano.
O rastreamento reuniu satélites, sensores em navios, veículos submarinos autônomos, planadores e coleta de amostras. Assim, a equipe conseguiu comparar a posição prevista pelos modelos com o deslocamento real da mancha.
- Satélite: acompanhou a área tratada em grande escala.
- Veículos autônomos: mediram propriedades abaixo da superfície.
- Sensores: acompanharam pH, CO₂ e características da água.
- Amostras biológicas: permitiram comparar organismos dentro e fora da mancha.
O teste afetou peixes, plâncton ou outros organismos?
Nos indicadores já analisados, os pesquisadores não encontraram impacto biológico significativo durante o pequeno experimento. A comparação incluiu bactérias, fitoplâncton, zooplâncton, larvas de peixes e larvas de lagosta.
A WHOI também informou que o pH e os níveis do corante retornaram às condições de referência dentro do período esperado e que a área tratada criou condições para absorver carbono da atmosfera.
Isso significa que jogar soda cáustica no oceano combate as mudanças climáticas?
Ainda não. O experimento mostrou que uma pequena liberação controlada pode ser rastreada e que o mecanismo químico funciona nas condições testadas. Ele não demonstrou que a técnica já possa ser aplicada em grande escala.
A própria equipe afirma que as análises continuam e que os dados serão usados em publicações científicas. A questão agora é entender quanto carbono pode ser removido de forma durável, quais seriam os efeitos de aplicações maiores e como uma técnica desse tipo poderia ser monitorada por longos períodos.
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