Cientistas da agência espacial americana captaram pela primeira vez as ondas sonoras emitidas por um buraco negro supermassivo e o áudio liberado parece ter saído de um pesadelo
A NASA transformou ondas de pressão reais do gás quente no aglomerado de Perseu em um áudio audível, criando um dos sons mais assustadores já associados ao espaço.
O som de um buraco negro parece impossível, mas a NASA transformou ondas reais do aglomerado de Perseu em áudio audível. O resultado não veio de microfones no vácuo, e sim de oscilações no gás quente ao redor de um buraco negro supermassivo.
Como pode existir som perto de um buraco negro?
A ideia de que não existe som no espaço é verdadeira para o vácuo quase absoluto. O problema é que um aglomerado de galáxias não é vazio do mesmo jeito, pois contém enormes quantidades de gás quente entre suas galáxias.
No aglomerado de Perseu, esse gás funciona como meio para ondas de pressão. Essas ondulações foram associadas ao buraco negro central e depois convertidas em som para o ouvido humano.

Por que o áudio divulgado pela NASA soa tão assustador?
O som parece sombrio porque foi deslocado para uma faixa audível, mantendo uma sensação grave, lenta e fantasmagórica. A frequência original estava muito abaixo do que qualquer pessoa conseguiria escutar diretamente.
Os pontos principais são:
O que a NASA realmente fez com essas ondas sonoras?
A NASA não colocou um microfone perto do buraco negro. Os cientistas usaram dados do observatório de raios X Chandra, extraíram as ondas identificadas no gás do aglomerado e fizeram uma sonificação.
Na sonificação oficial, as frequências foram elevadas em 144 quatrilhões e 288 quatrilhões de vezes, equivalentes a 57 e 58 oitavas acima do tom original.
Na prática, o processo envolve:
- dados de raios X captados pelo observatório Chandra;
- ondas de pressão viajando pelo gás do aglomerado;
- extração dos sinais em direções radiais;
- elevação extrema das frequências originais;
- conversão em áudio dentro da faixa de audição humana.
Por que isso não contradiz o silêncio do espaço?
O mito nasce de uma simplificação. No vácuo, o som não se propaga, mas o aglomerado de Perseu tem gás suficiente para carregar ondas de pressão. O áudio divulgado é a tradução dessas ondas para uma escala que o ouvido humano consegue perceber.
Quem quer ouvir o resultado vai acompanhar o vídeo do canal New Scientist, que tem 536 mil inscritos e mostra a sonificação feita a partir das ondas do buraco negro no centro do aglomerado de Perseu:
Quais dados tornam essa sonificação tão rara?
O caso chama atenção porque revisita ondas sonoras reais identificadas desde 2003. Elas não eram audíveis para humanos, mas já indicavam que o buraco negro influenciava o gás quente ao redor.
A tabela abaixo resume os principais dados:
| Dado | O que significa | Leitura |
|---|---|---|
| Aglomerado de Perseu Ambiente com gás quente | Tem meio físico para ondas de pressão se propagarem. | Explicável |
| 57 oitavas abaixo Tom original muito grave | A frequência real era impossível de ouvir diretamente. | Inaudível |
| 288 quatrilhões de vezes Escala máxima citada | O áudio foi elevado para entrar na faixa humana. | Convertido |
| Observatório Chandra Raios X espaciais | Forneceu os dados usados para mapear o fenômeno. | Fonte |
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Por que esse som parece tão sobrenatural mesmo sendo ciência?
O impacto vem da mistura entre escala cósmica e percepção humana. O que era uma vibração quase inimaginável no gás de um aglomerado distante virou um som baixo, arrastado e desconfortável.
No fim, o som de buraco negro não prova que o espaço inteiro é barulhento. Ele mostra algo mais interessante: em regiões com gás suficiente, até um buraco negro supermassivo pode deixar marcas físicas que a ciência consegue traduzir em um áudio perturbador.
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