Cientistas conseguem extrair RNA do corpo de um mamute de 39 mil anos
Cientistas encontraram RNA funcional no mamute Yuka e identificaram sinais de estresse e fuga pouco antes de sua morte.
Em 2012, Love Dalén, paleogeneticista da Universidade de Estocolmo, encontrou um espécime excepcional em uma mesa de laboratório no leste da Sibéria: o corpo incrivelmente bem preservado de um jovem mamute-lanoso, apelidado de Yuka, datado de cerca de 39 mil anos e notável pela raríssima preservação de RNA antigo, molécula vital para o funcionamento celular.
O que o RNA do mamute Yuka revelou sobre seu passado?
Os cientistas conseguiram extrair fragmentos de RNA dos tecidos de Yuka, oferecendo um vislumbre do que acontecia em suas células no momento da morte, algo inédito em espécimes tão antigos. Entre os resultados, identificaram RNA ligado à função muscular e resposta ao estresse, sugerindo que Yuka pode ter enfrentado situações como perseguição por predadores ou ter ficado preso na lama.
A equipe também descobriu, por meio de análises genéticas detalhadas, um cromossomo Y, comprovando que Yuka era macho, corrigindo equívocos prévios baseados apenas em características visuais. Esse detalhamento só foi possível graças à precisão das análises de RNA e DNA.

Desafios envolvidos no estudo do RNA
Estudar RNA antigo é extremamente desafiador devido à sua rápida degradação, diferente do DNA que pode sobreviver por milênios em condições favoráveis. Mesmo com avanços nas técnicas de extração e análise, conseguir RNA bem preservado, como no caso de Yuka, permanece raro.
Além disso, a localização de Yuka em solo de permafrost foi crucial para o sucesso do experimento, mostrando o quanto o ambiente influencia na preservação e disponibilidade desse material genético.
Scientists have successfully sequenced the oldest RNA ever recovered from Yuka, a juvenile woolly mammoth that died nearly 40,000 years ago in the Siberian permafrost, breaking the previous record by nearly three times and challenging long-held beliefs that RNA degrades within… pic.twitter.com/4YasP5LPr0
— Xumour (@Huxumour) November 15, 2025
Entenda as principais implicações futuras da pesquisa com RNA antigo
A conquista com Yuka abre novos caminhos para entender não só a biologia de animais extintos, mas também as pressões ambientais que enfrentaram e até elementos sobre a evolução de vírus. Essas descobertas têm potencial impacto em diversas áreas da paleogenética e ampliam as possibilidades de pesquisa com outros organismos antigos.
Veja alguns exemplos de aplicações futuras desses estudos:
- Reconstrução dos processos biológicos ativos em animais extintos
- Estudo da evolução de antigos patógenos de RNA
- Investigação de adaptações ambientais durante a pré-história
- Aplicação de novas técnicas em outros fósseis preservados
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