Cientistas cidadãos reativaram a sonda ISEE-3 da NASA há muito aposentada em 2014 e acionaram seus propulsores pela primeira vez em 27 anos mas o resgate não saiu como planejado
Falta de gás frustra o resgate histórico da sonda ISEE-3
A sonda ISEE-3 virou o alvo de um resgate ousado bancado por pessoas comuns que amam ciência e astronomia. Eles até conseguiram fazer contato com a nave antiga, mas a tentativa de religar os motores falhou porque o nitrogênio responsável por empurrar o combustível sumiu dos tanques.
Por que o grupo de civis resolveu acordar essa nave antiga?
O projeto ganhou força em 2014 quando uma equipe de amadores percebeu que o equipamento estava voltando para perto da Terra após décadas girando pelo sistema solar. A ideia era mandar comandos para religar a máquina e colocar tudo de volta em uma órbita útil para novos estudos espaciais. Segundo os relatos divulgados no portal de notícias SpaceDaily, a galera montou uma vaquinha online e levantou US$ 150 mil para construir transmissores de rádio do zero.
Essa equipe usou o radiotelescópio de Arecibo para disparar as mensagens direto para o vazio do espaço. Para a surpresa de todos, a nave atendeu aos chamados como se estivesse apenas esperando um alô da base para voltar ao batente. Foi um momento de pura comemoração para quem apostava dinheiro e tempo no projeto.

O que deu errado na hora de acionar os propulsores no espaço?
O plano principal era ligar os pequenos foguetes para mudar a rota, mas a pressão dentro dos tanques de combustível caiu demais com o passar dos anos. Os técnicos notaram que o nitrogênio, gás usado apenas para empurrar o líquido para a câmara de queima, tinha vazado quase que totalmente. Sem esse empurrão, o motor até recebia o comando de ligar, mas não gerava a força que o time precisava para mover a carcaça de metal.
Eles tentaram abrir as válvulas várias vezes na esperança de pescar um restinho de gás perdido no fundo do tanque. A física falou mais alto e a nave manteve sua rota original, passando direto pela órbita do nosso planeta. Para aprofundar o assunto sobre como esses motores operam, vale ler a página sobre a hidrazina e sua aplicação em voos espaciais.
Quais as lições que a falha dos motores deixou para o grupo?
Mesmo sem conseguir desviar a rota principal para onde queriam, a equipe provou que equipamentos aposentados pela NASA ainda podem render bons frutos se o rádio estiver bem afinado. Eles conseguiram religar vários instrumentos a bordo que estavam no escuro há mais de dez anos. A missão coletou dados muito bons sobre o espaço antes do contato se perder de vez.
Abaixo estão os principais acertos que a galera comemorou durante a missão de resgate:
- Contato direto restabelecido com uma máquina fabricada nos anos 1970.
- Leitura de dados científicos sobre o clima espacial e os ventos solares.
- Software de código aberto criado do zero para conversar com a tecnologia antiga.
Como a sonda ISEE-3 se compara com outras missões famosas?
Esse modelo foi o primeiro a ficar estacionado no ponto de Lagrange L1, um lugar de equilíbrio gravitacional que permite observar o clima espacial sem gastar muita energia. Depois disso, ela até mudou de nome e foi caçar cometas pelo universo afora antes de voltar para a nossa vizinhança. O maquinário rodou muito mais do que os cientistas originais planejaram na época do lançamento.
Acompanhe o comparativo sobre a durabilidade e o uso de combustível entre alguns projetos:
O que acontece agora com essa sucata espacial solitária?
Sem a manobra de correção de rota, ela seguiu viagem para dar a volta no Sol de novo e ficará bem longe dos nossos radares pelos próximos 15 anos ou mais. Como os transmissores velhos exigem uma proximidade razoável para bater papo com as antenas terrestres, a comunicação morreu aos poucos. O time oficial desligou os equipamentos principais para poupar o restinho de energia das baterias.
A história dessa tentativa ousada virou documentário e ensinou a nova geração sobre os limites do hardware espacial fabricado nos velhos tempos da exploração. No fim das contas, a operação botou a ciência cidadã nos holofotes e mostrou que um grupo bem organizado consegue operar ferramentas bilionárias do espaço.
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