Cidade romana perto de Nápoles acabou entre 2 e 5 metros debaixo d’água porque o bradisismo rebaixou lentamente o terreno, e pisos foram elevados ainda na Antiguidade para tentar impedir que o mar invadisse os edifícios de Baia
Uma badalada cidade romana perto de Nápoles afundou lentamente sob o mar por causa de um fenômeno geológico chamado bradisismo

O que você vai ver
- O que era Baia na época do Império Romano.
- O que é o bradisismo e por que ele afundou a cidade.
- Como os próprios romanos tentaram combater os alagamentos.
- O que restou preservado debaixo d’água em Baia.
- Por que o rebaixamento do terreno continuou depois da Antiguidade.
Perto de Nápoles, na Itália, uma antiga cidade romana de luxo desapareceu lentamente sob as águas do mar Mediterrâneo, processo que começou ainda durante a própria Antiguidade e que os moradores da época já tentavam combater com soluções de engenharia.
O que era Baia na época do Império Romano?
Baia era uma badalada cidade balneária do Império Romano, conhecida por suas termas, vilas luxuosas e pela proximidade com o antigo porto militar de Portus Julius, funcionando como um dos principais destinos de lazer da elite romana na região próxima a Nápoles.
Hoje, boa parte das estruturas dessa antiga cidade, incluindo ruas, colunas, pisos e mosaicos, encontra-se submersa a profundidades que variam entre 2 e 5 metros abaixo do nível atual do mar, formando um dos principais parques arqueológicos subaquáticos da Itália.
Underwater Archaeologists discovered the Roman mosaics in the ruins of the ancient sunken city 'Baiae' :
— Archaeo – Histories (@archeohistories) January 20, 2025
More than 2000 years ago, Baia was the Las Vegas of the Roman Empire; a resort town 30km from Naples on Italy’s caldera-peppered west coast that catered to the whims of… pic.twitter.com/ouPm8TsnHp
O que é o bradisismo e por que ele afundou a cidade?
O fenômeno responsável pelo afundamento gradual de Baia é conhecido como bradisismo, processo geológico em que o solo de uma região vulcânica sobe ou desce lentamente ao longo do tempo, de acordo com mudanças na pressão de câmaras de magma e outros fluidos abaixo da superfície.
Na região de Baia, esse movimento resultou predominantemente num rebaixamento gradual do terreno ao longo dos séculos, processo lento o suficiente para não ser percebido de uma só vez, mas persistente o bastante para acabar submergindo por completo estruturas que originalmente ficavam em terra firme.
Como os próprios romanos tentaram combater os alagamentos?
Registros arqueológicos mostram que os moradores de Baia já percebiam, ainda durante a Antiguidade, que o nível do mar parecia avançar sobre determinadas construções, resposta que levou à elevação de pisos e pavimentos em alguns edifícios, numa tentativa direta de manter os ambientes internos secos por mais tempo.
Essa solução, no entanto, tinha um limite prático: como o processo de bradisismo continuou ao longo dos séculos seguintes, mesmo depois do fim da própria civilização romana, elevar pisos pontualmente não foi suficiente para impedir que a cidade inteira acabasse submersa muito tempo depois.
O que restou preservado debaixo d’água em Baia?
Apesar do afundamento, a água do mar acabou preservando de forma relativamente boa boa parte da estrutura original da cidade, permitindo que arqueólogos identifiquem hoje ruas pavimentadas, bases de colunas, pisos decorados e mosaicos que resistiram a séculos submersos no fundo do mar.
Esse tipo de preservação subaquática costuma proteger elementos que, em terra firme, provavelmente teriam sido destruídos por erosão, construção posterior ou reaproveitamento de material ao longo dos séculos, tornando Baia um caso relativamente raro de cidade romana antiga conservada quase intacta em seu traçado original.

Por que o rebaixamento do terreno continuou depois da Antiguidade?
O bradisismo na região de Baia está diretamente ligado à atividade dos Campos Flégreos, uma extensa área vulcânica que segue geologicamente ativa até os dias atuais, o que significa que o mesmo processo que afundou a cidade na Antiguidade continua, em menor ou maior grau, influenciando o comportamento do solo na região.
Essa atividade contínua explica por que o afundamento de Baia não se limitou a um único evento histórico, mas se estendeu ao longo de séculos, resultando na profundidade atual de até 5 metros observada em algumas das estruturas mais submersas da antiga cidade romana.
- Baia era uma cidade balneária de luxo do Império Romano, próxima a Nápoles.
- Estruturas hoje ficam submersas entre 2 e 5 metros de profundidade.
- Bradisismo, movimento geológico ligado a atividade vulcânica, causou o rebaixamento do solo.
- Romanos já elevavam pisos na Antiguidade numa tentativa de conter os alagamentos.
Estruturas antigas preservadas por condições ambientais específicas também aparecem em outros relatos arqueológicos, como o caso de Stonehenge, cuja origem exata das pedras de sarsen só foi confirmada décadas depois com análise química.
Mais detalhes sobre o parque arqueológico submerso de Baia estão disponíveis no site oficial do Ministério da Cultura da Itália.
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