Cidade destruída por bomba atômica virou metrópole de 1 milhão em décadas
Ele estava nas duas cidades no momento exato das explosões atômicas
A história de Hiroshima chama atenção não só pelo impacto da bomba atômica em 1945, mas pelas curiosidades sobre como a cidade se reconstruiu e como o mundo aprendeu a lidar com armas nucleares. Os relatos de sobreviventes e a transformação urbana revelam lições sobre memória e responsabilidade coletiva.
O que aconteceu em Hiroshima naquele 6 de agosto de 1945?
Na manhã de 6 de agosto de 1945, às 8h15, o bombardeiro americano Enola Gay lançou uma ogiva nuclear sobre a cidade portuária e industrial construída no delta de um rio, no oeste do Japão. A bomba explodiu a cerca de 580 metros de altitude, liberando energia equivalente a 15 kilotons de TNT.
O clarão foi seguido de calor tão intenso que elevou a temperatura do solo para cerca de 4.000 graus Celsius em poucos segundos. A onda de calor e pressão se espalhou a centenas de metros por segundo, matando instantaneamente cerca de 80.000 pessoas e destruindo 70% dos edifícios.

Quais foram as consequências da radiação e da chuva negra?
Após a explosão, formaram-se nuvens escuras que provocaram uma chuva contaminada por materiais radioativos, conhecida como “chuva negra”. Muitas pessoas ingeriram essa água sem saber do risco, e o Japão estima que cerca de 140.000 pessoas tenham perdido a vida nos meses seguintes.
Além das vítimas imediatas, muita gente morreu por queimaduras, exposição à radiação e doenças como leucemia. Sobreviventes chamados hibakusha relataram aumento de casos de tumores, problemas de pele e crianças nascendo com deficiências. Até hoje, eles compartilham relatos para manter a memória viva do acontecimento.
Como Hiroshima se reconstruiu e o que pode ser visitado?
Setenta e cinco anos depois, Hiroshima se tornou uma metrópole vibrante com cerca de 1,2 milhão de habitantes, atuando como importante centro portuário, industrial e turístico. O antigo epicentro da explosão virou o Parque Memorial da Paz, onde ruínas preservadas convivem com áreas verdes e monumentos.
Os principais pontos de visitação incluem:
- Domo da Bomba Atômica: prédio a 150 metros do hipocentro que resistiu parcialmente e se tornou símbolo mundial
- Museu Memorial da Paz: reúne fotos, objetos pessoais e recursos multimídia que reconstroem o dia da explosão
- Chama da Paz: acesa desde 1964, ficará acesa até que todas as ogivas nucleares sejam eliminadas
- Escola Fukuromachi: antiga escola primária onde cerca de 160 alunos e professores perderam a vida
Veja imagens reais do parque memorial no vídeo abaixo:
Quem foi Sadako Sasaki e por que as mil dobraduras são famosas?
Sadako Sasaki tinha apenas 2 anos quando a bomba caiu a cerca de 2 quilômetros de sua casa. Aparentemente ilesa no início, anos depois começou a sentir tonturas, desmaios e inchaços. Diagnosticada com câncer no sangue, ela ouviu que, se fizesse mil tsurus de papel, poderia se curar.
Sadako conseguiu fazer 644 dobraduras antes de morrer, e outras crianças completaram o restante em sua homenagem. No Parque da Paz, o Monumento da Criança exibe milhares de tsurus enviados por crianças de várias partes do mundo. Até hoje, escolas e grupos enviam dobraduras para Hiroshima como forma de lembrar Sadako e pedir um mundo sem guerra nuclear.
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