China constrói cidade pré-fabricada para até 5.000 trabalhadores a mais de 4.000 metros de altitude na Cordilheira dos Andes
A estrutura foi pensada para funcionar em uma das regiões mais difíceis do continente
Prédios fabricados em módulos serão transportados até uma região da Cordilheira dos Andes onde o ar é rarefeito e o frio dificulta as obras. A China participa da ampliação de um acampamento de mineração na Argentina, apresentado como uma cidade pré-fabricada capaz de atender até 5.000 trabalhadores em turnos. O projeto fica a 4.030 metros de altitude e prevê alojamentos e serviços para equipes ligadas à exploração de cobre, ouro e prata.
Onde será construída a cidade pré-fabricada chinesa?
A estrutura será instalada no acampamento Batidero, localizado na província de San Juan, na Argentina, perto da fronteira com o Chile. A Vicuña Corp. confirma a localização do complexo, que já possui alojamentos, refeitório, clínica, academia e espaços de descanso.
A obra ampliará uma base existente para acompanhar o desenvolvimento do distrito de mineração Vicuña. O local não será uma nova cidade com moradores permanentes, mas um centro de apoio destinado a funcionários que trabalham por períodos determinados na montanha.
A posição remota exige transportar equipamentos, alimentos e materiais por estradas que atravessam regiões de grande altitude. Por isso, a possibilidade de receber construções parcialmente prontas foi incorporada ao planejamento.

Como a China pretende montar uma cidade inteira nos Andes?
A construção utilizará módulos habitacionais fabricados fora do local da obra. As peças serão transportadas até Batidero e montadas sobre bases preparadas na montanha, reduzindo a quantidade de serviços que precisam ser realizados diretamente em um ambiente tão elevado.
A contratação foi atribuída a um consórcio formado pelas empresas chinesas PowerChina e Beijing Chengdong e pela argentina RAFA S.A.. A Vicuña informou à imprensa argentina que a primeira será responsável pela gestão do contrato, enquanto a segunda fabricará os módulos e a terceira executará serviços locais.
O sistema permite organizar a construção em etapas distintas:
- Fabricação dos módulos: produção de partes dos alojamentos em instalações industriais.
- Transporte até a Argentina: deslocamento das estruturas fabricadas na China até a região da obra.
- Preparação do terreno: execução das bases e dos serviços necessários para receber os módulos.
- Montagem na montanha: união das estruturas e instalação dos sistemas necessários para seu funcionamento.
Como será a vida dos trabalhadores a 4.030 metros de altitude?
O acampamento precisa oferecer alimentação, descanso, atendimento médico e serviços de apoio durante períodos de trabalho longe das cidades. A Vicuña mostrou o funcionamento de Batidero em uma visita realizada em janeiro de 2026, quando apresentou suas instalações e a rotina das equipes.
A altitude é uma das maiores dificuldades. Como a pressão atmosférica diminui nas montanhas, o organismo recebe menos oxigênio a cada respiração. Isso exige cuidados com a adaptação das pessoas que chegam para trabalhar.
Além do frio e do vento, a menor disponibilidade de oxigênio aumenta a importância dos serviços médicos e da organização dos turnos. Os alojamentos precisam permitir que os funcionários descansem antes de retornar às atividades.
Por que o complexo poderá atender até 5.000 pessoas?
A ampliação foi divulgada com previsão inicial de 2.500 camas, enquanto o número de até 5.000 trabalhadores representa a quantidade de pessoas que poderá utilizar o complexo em diferentes turnos. Portanto, a projeção não significa que todos estarão hospedados ao mesmo tempo.
Esse sistema é comum na mineração de áreas remotas. Um grupo permanece na montanha durante seu período de trabalho, enquanto outro descansa fora do empreendimento. Depois, as equipes se revezam.
O contrato divulgado para a ampliação é de aproximadamente US$ 52 milhões, mas a etapa adjudicada representa apenas parte da infraestrutura permanente planejada. Outras contratações poderão ser necessárias conforme o desenvolvimento da mina.
Qual é o projeto de mineração que exige essa estrutura?
O acampamento atende ao Projeto Vicuña, formado pelos depósitos minerais de Josemaría e Filo del Sol, localizados na região da fronteira entre Argentina e Chile. A Lundin Mining confirmou em junho de 2026 a aprovação do empreendimento no regime argentino de grandes investimentos.
O distrito reúne reservas e recursos minerais de cobre, ouro e prata. A exploração exige estradas, energia, abastecimento e alojamentos para as equipes responsáveis pelas etapas de preparação e construção das futuras instalações industriais.
A BHP e a Lundin Mining dividem o controle da Vicuña, responsável pelo desenvolvimento integrado dos depósitos. A ampliação de Batidero acompanha a demanda por trabalhadores e pela infraestrutura necessária para executar esse projeto.
Quando a cidade modular deverá ficar pronta?
A ampliação foi contratada em 2026, mas as fontes oficiais consultadas não apresentam uma data única e definitiva para a conclusão de todo o complexo habitacional. O trabalho será realizado em etapas e deverá acompanhar o ritmo de implantação das instalações de mineração.
A primeira fase deverá aumentar a capacidade de alojamento existente. As futuras expansões dependerão da quantidade de pessoas mobilizadas nas obras e do avanço dos demais projetos de infraestrutura do distrito.
O resultado previsto é uma base de trabalhadores construída em grande parte com módulos industriais, instalada em uma região onde a altitude exige planejamento especial para cada entrega de material e para a permanência das equipes.
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