Chimpanzés aplicam insetos em ferimentos abertos, inclusive nos de outros indivíduos: comportamento foi registrado 76 vezes em 15 meses
Chimpanzés do Gabão e de Uganda foram flagrados aplicando insetos sobre ferimentos próprios e alheios em dezenas de episódios documentados por pesquisadores

O que você vai ver
- Onde o comportamento foi observado pela primeira vez.
- Quantas vezes os pesquisadores já documentaram o gesto.
- Em que situações os chimpanzés tratam feridas de outros indivíduos.
- Por que ainda não se sabe se os insetos realmente ajudam a cicatrizar.
- O que outra população de chimpanzés, em um país diferente, também foi flagrada fazendo.
Chimpanzés selvagens foram filmados capturando insetos voadores e pressionando-os contra ferimentos abertos, tanto os próprios quanto os de outros indivíduos do grupo, um gesto que pesquisadores já documentaram dezenas de vezes e que levanta a hipótese de uma forma primitiva de cuidado coletivo com a saúde.
Onde o comportamento foi observado pela primeira vez?
O primeiro registro ocorreu em 2019, no Gabão, quando pesquisadores do projeto Ozouga flagraram uma fêmea aplicando um inseto sobre um ferimento no pé do próprio filho, episódio que motivou a equipe a acompanhar o grupo de perto nos meses seguintes em busca de novas ocorrências do mesmo gesto.

Quantas vezes o gesto já foi documentado?
Ao longo dos 15 meses seguintes, a equipe registrou o mesmo comportamento 76 vezes, tanto em chimpanzés que trataram os próprios ferimentos quanto em casos de um indivíduo cuidando do ferimento de outro, volume de observações que, segundo os autores, descarta a hipótese de um episódio isolado ou acidental.
Em que situações eles tratam feridas de outros indivíduos?
Os pesquisadores descrevem casos em que um chimpanzé se aproxima de outro com um ferimento visível, captura um inseto voador por perto e o pressiona diretamente sobre a lesão do companheiro, numa sequência de ações que parece dirigida especificamente ao cuidado do ferimento alheio, e não a um comportamento de forrageamento comum que apenas aconteceu perto de uma ferida.
Por que ainda não se sabe se os insetos ajudam a cicatrizar?
Apesar de o gesto parecer deliberado, nenhum estudo publicado até agora mostrou que a aplicação dos insetos de fato acelera a cicatrização ou reduz infecções nos ferimentos tratados, e os cientistas ponderam que, embora muitos insetos produzam substâncias antimicrobianas ou anti-inflamatórias, essa possibilidade ainda depende de testes científicos específicos que comprovem o efeito real sobre o tecido.

O que outra população de chimpanzés também foi flagrada fazendo?
Um grupo separado de chimpanzés, observado no Parque Nacional de Kibale, em Uganda, foi visto aplicando insetos sobre os próprios ferimentos abertos em cinco ocasiões distintas e, em pelo menos um caso, também no ferimento de outro indivíduo, repetição que reforça a ideia de que o comportamento não é exclusivo de um único grupo isolado no Gabão.
Comportamentos animais que parecem revelar uma forma rudimentar de cuidado também aparecem na reportagem sobre o concreto que usa bactérias para se autorreparar quando surgem fissuras.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do The Scientist.
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