Camiel Beukeboom, pesquisador, explica que olhar o celular durante uma conversa não é só distração, mas pode reduzir intimidade, resposta percebida e satisfação
Você já percebeu como uma simples olhada no celular pode interromper uma conversa?
Você já percebeu como uma simples olhada no celular pode interromper uma conversa? Esse comportamento ganhou um nome na ciência: phubbing, quando alguém ignora ou reduz a atenção dada à pessoa ao seu lado para se concentrar no smartphone.
Um estudo publicado em Computers in Human Behavior investigou justamente esse fenômeno e mostrou por que o chamado partner phubbing pode afetar a qualidade das relações amorosas.
O que é o phubbing e por que ele chama tanta atenção?
O termo descreve situações em que uma pessoa está fisicamente presente, mas direciona parte importante da atenção ao telefone. Em um relacionamento, isso pode transmitir a sensação de que a tela é mais interessante ou importante do que o próprio parceiro.
A pesquisa de Camiel Beukeboom e Monique Pollmann analisou o comportamento durante interações entre parceiros e seus possíveis efeitos sobre a relação. O estudo foi publicado em 2021 na revista Computers in Human Behavior.

Como o phubbing pode interferir na satisfação do casal?
O problema não está necessariamente em pegar o telefone uma vez ou responder uma mensagem urgente. A questão aparece quando o comportamento se torna frequente e interrompe repetidamente momentos de conversa, convivência ou intimidade.
Esse tipo de distração pode fazer com que o parceiro se sinta menos ouvido e menos valorizado. Pesquisas anteriores também associaram o partner phubbing a menor satisfação no relacionamento, além de sentimentos como isolamento e ciúme.
Quais sinais mostram que o celular está ocupando espaço demais?
Alguns comportamentos cotidianos podem indicar que o smartphone está interferindo na convivência. Entre os principais sinais estão:
Quais sinais mostram que o celular está ocupando espaço demais?
Pequenas atitudes do dia a dia podem revelar quando o smartphone começa a competir com a atenção durante a convivência. Observe os sinais mais comuns:
Quando essas atitudes se tornam rotina, o problema deixa de ser apenas tecnológico e passa a envolver atenção, reciprocidade e qualidade da interação.
O que fazer para recuperar a atenção no relacionamento?
Uma mudança simples pode começar pela criação de momentos sem celular. Durante refeições, conversas importantes ou encontros, deixar o aparelho no silencioso e fora do alcance pode reduzir interrupções e favorecer uma presença mais genuína.
A ideia não é transformar o smartphone em inimigo, mas impedir que ele domine momentos que deveriam ser compartilhados. Afinal, uma notificação pode esperar alguns minutos — uma conversa importante, nem sempre.
Em resumo: o estudo chama atenção para um comportamento aparentemente banal que pode ter consequências relevantes nas relações. O celular não precisa desaparecer da rotina, mas aprender a colocá-lo de lado na hora certa pode fazer diferença na qualidade da conexão entre duas pessoas.
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