Brasil constrói um ‘rio’ de cimento com 145 quilômetros de concreto, túneis e sifões: objetivo é acabar com a seca de milhões de pessoas no nordeste do país
O chamado Cinturão das Águas do Ceará cria uma rede de canais de concreto, túneis, tubulações e sifões ao longo de 145,3 quilômetros
No Ceará, uma das regiões mais castigadas pela escassez hídrica no Nordeste brasileiro, uma megaobra de engenharia de um “rio artificial” está transformando o combate à seca.
O chamado Cinturão das Águas do Ceará cria uma rede de canais de concreto, túneis, tubulações e sifões ao longo de 145,3 quilômetros para transportar água do sistema ligado ao rio São Francisco e reforçar o abastecimento de milhões de pessoas.
Como funciona o gigantesco rio artificial construído no Ceará?
Apesar de ser chamado de “rio artificial”, o sistema não é um curso d’água natural. A estrutura começa na barragem de Jati e segue até as nascentes do rio Cariús, em Nova Olinda, aproveitando canais abertos onde o terreno permite e túneis e sifões nos trechos mais complexos.
O projeto foi planejado para transportar até 30 metros cúbicos de água por segundo. A água poderá ser integrada à rede de rios e reservatórios que abastece diferentes áreas do Ceará.

Por que a obra do rio artificial pode mudar o combate à seca no Nordeste?
A grande aposta está em fazer a água avançar principalmente pela força da gravidade. O traçado acompanha as cotas do terreno, permitindo que o fluxo desça a partir de Jati sem depender continuamente de estações de bombeamento no trecho cearense.
Essa escolha exigiu escavações, túneis e estruturas especiais para preservar a inclinação necessária. Em compensação, quando estiver em operação, o sistema poderá reduzir o consumo permanente de eletricidade para movimentar a água.
Você pode conferir um trecho do Cinturão das Águas no vídeo abaixo do canal do Youtube “TV Chico Cobra D´água“.
Quais são os números que impressionam a megaobra do rio artificial?
A dimensão do projeto ajuda a explicar por que ele se tornou uma das principais apostas de segurança hídrica do Ceará. Os dados mais importantes são:
A obra começou em 2013 e parte da infraestrutura já funciona desde 2021, conduzindo água para cursos d’água que integram a rede hídrica estadual.
O projeto pode chegar muito além dos atuais 145 quilômetros?
Sim. Os 145 quilômetros representam apenas a primeira etapa de um plano muito maior. A estratégia completa prevê aproximadamente 1.300 quilômetros de canais, divididos em três grandes trechos e cinco ramais, com horizonte de planejamento até 2040.
Segundo a documentação da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará, a rede completa poderia permitir que cerca de 80% do território estadual recebesse águas transferidas do sistema do São Francisco.
O “rio de concreto” pode acabar definitivamente com a seca?
Não. A obra não produz água nem impede a ocorrência de períodos prolongados sem chuva. Seu papel é transportar e distribuir melhor os recursos disponíveis, reduzindo o risco de desabastecimento em áreas vulneráveis.
É justamente essa dimensão que torna o projeto tão estratégico: em vez de esperar pela próxima chuva, o Ceará busca criar uma infraestrutura capaz de levar água até onde ela é mais necessária.
Se os próximos trechos avançarem como planejado, o impacto poderá ultrapassar muito os atuais 145 quilômetros.
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