Bizarro e assustador! Assim é Chernobyl 40 anos após o desastre nuclear mais conhecido do mundo
Chernobyl hoje mistura perigo, ciência e turismo. Entenda o que mudou e por que o local continua fascinando o mundo
Chernobyl costuma ser lembrada como sinônimo de desastre nuclear, mas, quarenta anos depois, o local também virou destino de turismo, pesquisa científica e muitas perguntas sobre segurança, memória e futuro; hoje, a antiga zona de exclusão reúne visitantes curiosos, moradores de cidades vizinhas, ex-stalkers que se tornaram guias oficiais e profissionais que trabalham diariamente ao lado do reator destruído, sob uma das estruturas de engenharia mais impressionantes do planeta.
Chernobyl hoje ainda é perigosa ou está mais segura para visitas controladas
A palavra que mais surge quando se fala em Chernobyl hoje é radiação. Medições atuais indicam que, em boa parte da zona, a dose recebida em um dia de excursão se aproxima da de um voo comum de cerca de duas horas em avião comercial, na altitude de cruzeiro.
Em Pripyat, cidade construída para abrigar trabalhadores da usina, níveis médios variam de dezenas a poucas centenas de microsieverts por hora em áreas específicas. Isso resulta de lavagem de ruas, remoção de solos mais contaminados e da decaída natural de isótopos como césio e estrôncio, embora pequenos “pontos quentes” ainda exijam rotas e tempos de permanência rigorosamente controlados.

Como o turismo em Chernobyl funciona e por que ele atrai tantos visitantes
O turismo em Chernobyl cresceu de forma constante na última década, chegando a dezenas de milhares de visitantes por ano, com picos após a série da HBO sobre o desastre. Operadoras especializadas oferecem roteiros de um ou mais dias, com transporte autorizado, documentação prévia, acompanhamento profissional e medições contínuas de dose.
Durante os passeios, turistas recebem um medidor portátil de radiação e percorrem trechos cercados por arame farpado, vilarejos abandonados e as ruas tomadas por árvores em Pripyat. O clima mistura curiosidade e estranheza diante de prédios cobertos por vegetação, piscinas vazias e um cenário que parece congelado nos anos 80, apesar de ajustes recentes na infraestrutura de acesso e segurança.
Quais são as principais diferenças e semelhanças entre Pripyat e Fukushima
Uma curiosidade frequente sobre Chernobyl hoje é a comparação com Fukushima, no Japão. Lá, poucos anos após o acidente, fotos mostravam cidades quase intactas, com carros em garagens, escritórios cheios de papéis e supermercados com produtos nas prateleiras, pois não houve onda intensa de saques como em Pripyat.
- Em Pripyat, o saque sistemático levou embora eletrônicos, fios, radiadores e roupas, restando basicamente móveis grandes.
- Ambas as zonas exibem relógios parados, salas de aula abandonadas às pressas e uma espessa camada de poeira.
- A natureza avança sobre o concreto, criando ruas que lembram uma floresta, com praças cobertas de plantas.
- Pesquisas ecológicas comparam fauna e flora das duas áreas para entender efeitos de longo prazo da radiação.
Quais lugares mais impressionam dentro da zona de exclusão de Chernobyl
Alguns pontos da zona de exclusão se destacam pela carga simbólica e pelos níveis de radiação ainda elevados. O porão do antigo hospital de Pripyat, onde ficaram as roupas dos bombeiros que combateram o incêndio inicial, registrou milhares de microsieverts por hora, o que levou à interrupção de visitas guiadas ao local.
Outro ícone é o enorme radar Duga, o “Pica-pau Russo”, uma gigantesca estrutura metálica de alerta antecipado a mísseis, hoje desativada e fotogênica. Na região também podem ser vistas peças de robôs usados na descontaminação inicial, ainda tão irradiadas que alguns componentes permanecem cobertos por estruturas protetoras de metal e cercados por áreas de acesso restrito.
Se você gosta de explorar lugares marcados pela história, este vídeo do canal As viagens de Antônio, com 422 mil inscritos, foi escolhido para você. Nele, você descobre como está Chernobyl hoje, abordando turismo, níveis de radiação e a realidade das pessoas que ainda vivem ou circulam pela região.
O que existe dentro do novo arco de Chernobyl e por que o reator ainda preocupa
No coração da zona está o novo confinamento seguro, o arco de aço que envolve o antigo sarcófago do bloco 4 e cobre o reator destruído. Com mais de 100 metros de altura, ele foi projetado para conter poeira radioativa durante a desmontagem de estruturas instáveis e criar um ambiente controlado para futuras operações.
Dentro do bloco 4 encontram-se ruínas de concreto, metal retorcido e combustível nuclear solidificado, em formações como a famosa “Pata de Elefante”. Embora radiação gama e beta tenham diminuído, elementos transurânio emissores de alfa, como plutônio e amerício, continuarão perigosos por séculos, o que transforma Chernobyl em memória de tragédia, laboratório científico a céu aberto e desafio técnico que ainda exigirá soluções por gerações.
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