Barqueiro com 37 anos de Pantanal vê pela primeira vez o gato-mourisco, felino raro confundido com ariranha
O registro foi feito em 6 de setembro por um fotógrafo da Guatemala; a espécie está na lista brasileira de ameaçadas como vulnerável.
Um barqueiro que navega há 37 anos pelos rios do Pantanal mato-grossense viu pela primeira vez um gato-mourisco na manhã de 6 de setembro de 2026. Segundo o site Olhar Direto, que publicou o relato em 18 de outubro, ele e o guia do barco só identificaram o animal quando chegaram perto.
Até ali, os dois achavam que o bicho na margem era uma ariranha. O corpo comprido e baixo do felino lembra o de uma lontra, o que ajuda a entender o engano. Quem fez o registro foi o fotógrafo guatemalteco Andres Novales, conhecido nas redes por imagens de vida selvagem.
Uma manhã fria procurando onças
O grupo estava num barco atrás de onças-pintadas, a atração mais disputada do Pantanal, que rende cenas como a de uma mãe com dois filhotes fotografados juntos no alto de uma árvore. Fazia frio naquela manhã, de acordo com o Olhar Direto.

O felino apareceu na beira do rio. Nem o guia nem o barqueiro, cujos nomes não foram divulgados, tinham visto a espécie antes, apesar de anos de trabalho na região.
Novales conseguiu a foto. No dia seguinte, avistou outro gato-mourisco, mas o animal fugiu antes que ele pudesse fotografá-lo.
O fotógrafo já tinha visto dezenas
Para Novales, o encontro não era inédito. Ele contou ao Olhar Direto que já tinha visto dezenas de jaguarundis, outro nome da espécie, na Guatemala e na Bolívia. Aquela era a segunda vez que cruzava com um no Brasil.
A diferença estava na imagem. Segundo o relato, até então ele tinha só uma foto nítida do animal. Ele descreveu o momento no Pantanal como “verdadeiramente especial”.
O gato-mourisco ocupa uma área que vai do México à Argentina, mas é um dos felinos menos abundantes em boa parte dela, segundo a Mongabay. Isso ajuda a entender por que passa despercebido até por quem trabalha a vida inteira no rio.
Como é o gato-mourisco, felino confundido com ariranha
O nome científico é Herpailurus yagouaroundi. É um felino pequeno, que pesa até cerca de 7 kg, segundo a agência ambiental Mongabay, em reportagem de 17 de agosto de 2026. O corpo alongado e as patas curtas lembram mais uma lontra do que um gato.
Diferentemente de outros felinos brasileiros, ele tem hábitos diurnos. É isso que torna o avistamento menos raro do que o de espécies noturnas, segundo a avaliação nacional publicada pelo ICMBio.
A dieta é variada: pequenos e médios mamíferos, aves, cobras, lagartos e anfíbios. O animal caça principalmente no chão, mas também se desloca bem pelas árvores.
Vulnerável no Brasil e quase ameaçado no mundo
No Brasil, a espécie está classificada como vulnerável. A avaliação foi publicada por L. B. Almeida, D. Queirolo, B. M. Beisiegel e T. G. Oliveira em 2013, na revista Biodiversidade Brasileira, do ICMBio, no artigo sobre a situação do gato-mourisco no país.
O mesmo estudo estimou uma população efetiva de cerca de 5.200 indivíduos no território brasileiro e um declínio de pelo menos 10% em 15 anos. A principal causa apontada é a perda e a fragmentação de habitat provocadas pela expansão agrícola.
No cenário global, numa revisão noticiada pela Mongabay em agosto de 2026, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) passou o jaguarundi de “pouco preocupante” para quase ameaçado. A estimativa citada na reportagem é de cerca de 13 mil indivíduos adultos.
Entre as ameaças listadas pela Mongabay estão atropelamentos, mortes por retaliação de criadores de galinhas, ataques de cães e doenças como sarna e raiva, transmitidas por cães domésticos. O Pantanal divide esse espaço com predadores maiores, como a onça que passa dos 150 kg e leva a presa para o alto.
Quem encontrar um gato-mourisco deve manter distância e não oferecer comida. Em caso de animal ferido ou atropelado, a orientação é acionar a polícia ambiental ou o órgão ambiental do estado.
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