Bactérias escondidas no intestino dos peixes podem participar da formação de minerais que ajudam a regular a química do oceano
Uma pesquisa com nove peixes revelou bactérias ligadas à formação de carbonato de cálcio, mas o impacto global permanece incerto.
Bactérias intestinais de peixes marinhos podem contribuir para a formação de carbonato de cálcio, mineral relacionado à química dos oceanos. A hipótese ganhou força com análises de um peixe conhecido como Opsanus beta, realizadas por cientistas da Universidade de Miami e de instituições espanholas. Ainda não se sabe qual seria a contribuição microbiana em escala global.
Como o intestino dos peixes produz carbonato de cálcio?
Peixes ósseos marinhos bebem água salgada para compensar a perda de líquidos. No intestino, liberam bicarbonato, que ajuda na absorção de água. Parte desse bicarbonato reage com cálcio e forma partículas sólidas de carbonato de cálcio, frequentemente ricas em magnésio.
Essas partículas, chamadas ictiocarbonatos, são eliminadas no ambiente marinho. O estudo publicado na revista PLOS Biology, em maio de 2026, investiga se bactérias residentes também participam dessa precipitação mineral.

O que os cientistas observaram nos peixes analisados?
Os pesquisadores examinaram nove exemplares de Opsanus beta mantidos em aquários com três concentrações de sal, além de comparar microrganismos intestinais e amostras dos minerais:
- Na salinidade baixa, de 9 partes por mil, não surgiram precipitados.
- Na água marinha, de 35 partes por mil, houve formação mineral.
- Na salinidade elevada, de 60 partes por mil, os precipitados também apareceram.
- Bactérias da família Vibrionaceae eram abundantes nas partículas examinadas.
Qual é a possível contribuição das bactérias intestinais?
O resultado combina a fisiologia já conhecida dos peixes com indícios genéticos de atividade microbiana. Presença bacteriana, porém, não equivale à medição direta de quanto mineral cada microrganismo produziu.
Como esses minerais podem afetar o ciclo do carbono?
O carbonato de cálcio contém carbono inorgânico e, depois de eliminado pelos peixes, pode se dissolver na água ou seguir em direção ao fundo. Seu comportamento influencia os equilíbrios químicos entre carbono dissolvido, alcalinidade e dióxido de carbono.
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Um trabalho de 2025 sobre carbonatos no Atlântico Norte identificou partículas possivelmente originadas de peixes em amostras oceânicas. Isso amplia o interesse pelo fenômeno, mas não comprova que as bactérias intestinais sejam responsáveis por uma parcela específica do armazenamento de carbono.
O que ainda precisa ser demonstrado pelos pesquisadores?
A equipe internacional propõe uma parceria entre peixes e microrganismos, mas a dimensão dessa interação exige novas medições e comparações:
- Quantificar o bicarbonato efetivamente produzido pelas bactérias do intestino.
- Testar diretamente o efeito microbiano na precipitação dos minerais.
- Investigar se a mesma relação ocorre em outras espécies.
- Acompanhar dissolução, transporte e destino das partículas no oceano.
A química do oceano também pode depender de parcerias microscópicas
O estudo sugere que o peixe talvez não produza seus minerais sozinho. Bactérias associadas às partículas expressam genes compatíveis com reações que favorecem a formação de carbonato, reforçando uma hipótese de cooperação biológica.
O passo seguinte é medir essa participação e verificar sua frequência nos mares. Até lá, a descoberta acrescenta uma peça ao estudo do ciclo do carbono, sem estabelecer quanto os microrganismos alteram a química oceânica mundial.
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