Bactérias encontradas nas brânquias de peixes de recife carregavam genes para produzir energia sem luz, uma capacidade que os pesquisadores não esperavam encontrar ali
Os pesquisadores reconstruíram 70 genomas bacterianos distintos a partir de 304 amostras de brânquia

O que você vai ver
- Qual peixe foi reanalisado e de onde vieram as amostras de DNA.
- O que é a quimiossíntese e por que ela surpreendeu os pesquisadores nas brânquias.
- Quantos genomas bacterianos distintos foram reconstruídos a partir das amostras.
- O que essas bactérias conseguem fazer com o conjunto de genes encontrado.
- O que ainda não se sabe sobre a relação entre essas bactérias e os peixes.
Pesquisadores reanalisaram DNA de centenas de amostras de peixes de recife do Caribe e encontraram, nas brânquias desses animais, bactérias que carregavam todo o conjunto de genes necessário para produzir energia sem depender de luz solar, associação que nunca havia sido documentada antes nesse grupo de peixes.
Qual peixe foi estudado e de onde vieram as amostras?
O estudo analisou amostras de peixes do gênero Hypoplectrus, conhecidos como peixes-borboleta do Caribe, coletadas em seis localidades da região do Grande Caribe. Ao todo, foram reanalisadas 304 amostras de tecido de brânquia obtidas por sequenciamento shotgun, abrangendo 12 espécies diferentes desses peixes de recife.
Hypoplectrus espinosai, nueva especie de pez de la familia Serranidae descubierta en el arrecife Alacranes, Banco de Campeche, al sur del Golfo de México (Isaí Domínguez Guerrero, 2025) https://t.co/gcx8ptDCPV
— El Jardín de Charles (@CRCiencia) April 26, 2025
O que é quimiossíntese e por que ela surpreendeu os pesquisadores?
Quimiossíntese é o processo pelo qual certos organismos produzem energia a partir de reações químicas, sem depender da luz solar como fazem as plantas na fotossíntese, capacidade até agora associada principalmente a ambientes extremos como fontes hidrotermais no fundo do oceano. Encontrar bactérias com esse potencial vivendo justamente nas brânquias de peixes de recife rasos, bem iluminados, foi o que mais chamou atenção da equipe de pesquisa.
Quantos genomas bacterianos foram reconstruídos?
A partir da reanálise, a equipe conseguiu reconstruir 70 genomas bacterianos distintos, distribuídos em 17 grupos diferentes, trabalho que identificou um grupo específico de Proteobacteria com potencial quimiossintético fortemente enriquecido justamente no tecido das brânquias desses peixes, presença consistente o suficiente para chamar atenção como um padrão real, não um achado isolado.
O que essas bactérias conseguem fazer?
As bactérias identificadas carregavam todo o conjunto de genes necessário à quimiossíntese, incluindo genes ligados à oxidação de compostos de enxofre e à fixação de carbono, maquinaria genética equivalente à usada por micro-organismos que vivem em ambientes muito mais extremos, como fontes hidrotermais, onde a quimiossíntese já é um processo bem documentado havia décadas.

O que ainda não se sabe sobre essa relação?
Apesar de identificar claramente os genes presentes, os próprios pesquisadores reconhecem que ainda não está claro o que essas bactérias realmente fazem dentro das brânquias dos peixes, nem se a capacidade química é de fato usada de forma ativa ali, ou se os peixes obtêm algum benefício direto dessa associação ainda pouco compreendida.
Capacidades biológicas inesperadas encontradas em lugares que ninguém esperava também aparecem no relato sobre o laboratório robótico que passou a conduzir experimentos com levedura de forma autônoma.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do Phys.org.
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