Bactérias da Terra talvez sobrevivam mais tempo na Lua do que se pensava: testes ajudam a medir o risco de contaminação em futuras missões
Estudo da NASA identifica regiões sombreadas do polo sul lunar onde microrganismos terrestres poderiam sobreviver e comprometer futuras análises científicas
Bactérias terrestres podem sobreviver em regiões da Lua consideradas extremamente hostis à vida. Um estudo divulgado pela NASA em agosto de 2026 identificou áreas próximas ao polo sul lunar onde microrganismos poderiam permanecer viáveis, protegidos da radiação solar intensa. A descoberta levanta preocupações sobre a contaminação de amostras e a preservação de evidências científicas durante futuras missões espaciais.
Por que bactérias na Lua preocupam os pesquisadores?
A Lua não possui uma atmosfera densa capaz de proteger sua superfície da radiação ultravioleta, das partículas energéticas do espaço e das grandes variações de temperatura. Essas condições tornam extremamente difícil a sobrevivência de microrganismos expostos diretamente ao ambiente, especialmente nas regiões equatoriais visitadas pelas missões Apollo.
Entretanto, o polo sul apresenta características diferentes. A inclinação muito pequena do eixo lunar faz com que o Sol permaneça próximo ao horizonte, criando sombras prolongadas atrás de crateras, montanhas e pequenas elevações. Essas áreas podem funcionar como refúgios temporários para microrganismos transportados por astronautas, equipamentos e espaçonaves.
Como os pesquisadores investigaram a sobrevivência de bactérias na Lua?
A equipe liderada pelo cientista planetário Prabal Saxena, do Centro Goddard da NASA, reuniu resultados anteriores de experimentos sobre a resistência microbiana à temperatura e à radiação ultravioleta. Em seguida, comparou esses limites biológicos com mapas ambientais detalhados do polo sul lunar, produzidos a partir de observações da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
Os modelos avaliaram três regiões: Nobile Rim, Connecting Ridge e De Gerlache Rim. Os pesquisadores investigaram se diferentes microrganismos poderiam permanecer vivos por pelo menos um dia terrestre. O estudo não demonstrou crescimento de bactérias na Lua, mas identificou locais onde algumas espécies poderiam resistir às condições ambientais.
Entre os principais resultados estão:
- Cinco grupos de microrganismos foram considerados;
- Bactérias e fungos apresentaram diferentes níveis de resistência;
- Regiões sombreadas ofereceram maior proteção contra radiação;
- O fungo Aspergillus niger apresentou elevada resistência ao ultravioleta;
- Algumas áreas potencialmente favoráveis são muito pequenas;
- A sobrevivência não significa reprodução ou colonização lunar.

Quais bactérias na Lua poderiam resistir às condições extremas?
Entre os organismos analisados estavam Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Deinococcus radiodurans. Também foram considerados os fungos Aspergillus niger e espécies do gênero Fusarium. Esses microrganismos possuem características diferentes: alguns produzem estruturas resistentes, enquanto outros apresentam mecanismos que ajudam a suportar danos ambientais.
O Aspergillus niger apresentou a maior tolerância à radiação ultravioleta entre os organismos avaliados. Já entre as bactérias, Deinococcus radiodurans destacou-se pela resistência. Entretanto, sobreviver não significa conseguir se multiplicar. Sem água líquida e condições metabólicas adequadas, esses organismos poderiam permanecer inativos, sem estabelecer populações no ambiente lunar.
Quais evidências científicas sustentam o risco de contaminação lunar?
A pesquisa foi publicada em 19 de agosto de 2026 na revista Science Advances, com o título Potential survivable niches for microbial life on the lunar south pole. O estudo científico sobre a sobrevivência microbiana no polo sul lunar reuniu dados experimentais de resistência biológica, medições orbitais e modelos de iluminação para identificar regiões potencialmente favoráveis.
As conclusões também complementam um estudo publicado em 2025 na revista Astrobiology. Nesse trabalho, pesquisadores calcularam que esporos bacterianos protegidos em crateras permanentemente sombreadas poderiam continuar viáveis durante décadas. Trata-se, porém, de uma previsão matemática, não da confirmação de bactérias vivas encontradas na Lua.
Quais regiões da Lua oferecem melhores condições para microrganismos?
As áreas próximas ao equador lunar são particularmente hostis porque recebem forte radiação solar e enfrentam temperaturas extremas. Nas regiões polares, a topografia cria pequenos espaços permanentemente ou frequentemente protegidos da luz direta, reduzindo alguns dos fatores que normalmente destroem células e esporos.
O tamanho desses possíveis refúgios varia bastante. Alguns abrangem extensões de crateras, enquanto outros podem ser tão pequenos quanto uma pegada de astronauta. A pesquisa demonstra que a sobrevivência microbiana depende das condições específicas de cada local, impedindo generalizações sobre toda a superfície lunar.
| Microrganismo | Característica relevante |
|---|---|
| Bacillus subtilis | Formação de esporos resistentes |
| Deinococcus radiodurans | Elevada resistência à radiação |
| Staphylococcus aureus | Bactéria associada à microbiota humana |
| Aspergillus niger | Maior resistência ao UV entre os organismos analisados |
| Fusarium | Fungos avaliados quanto à sobrevivência ambiental |
Como a descoberta pode afetar futuras missões à Lua?
A presença potencial de microrganismos terrestres representa um desafio para a proteção planetária, conjunto de procedimentos destinados a reduzir a contaminação entre ambientes espaciais. Astronautas transportam naturalmente bactérias e fungos na pele, nas roupas e nos equipamentos, tornando impossível eliminar completamente todos os organismos durante missões tripuladas.
O problema também envolve a interpretação de futuras amostras. Se moléculas orgânicas ou vestígios biológicos forem encontrados em regiões polares, os pesquisadores precisarão distinguir materiais antigos da Lua daqueles introduzidos recentemente pela exploração humana. Registrar a contaminação antes e durante as missões será essencial para preservar a confiabilidade das descobertas, especialmente nas regiões onde existem depósitos de gelo.
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