Astrônomos detectaram pela primeira vez sinais de rádio provenientes de um exoplaneta a 63,4 anos-luz da Terra
O sinal abre uma nova possibilidade para estudar mundos que estão muito além do Sistema Solar
Um planeta gigante a 63,4 anos-luz da Terra produziu algo que astrônomos buscavam havia anos: uma emissão de rádio localizada diretamente em um mundo fora do Sistema Solar. Um estudo divulgado em setembro de 2026 relata o sinal de rádio de Beta Pictoris b. A pesquisa ainda é um preprint, sem revisão por pares, mas a localização da fonte abre uma nova forma de estudar exoplanetas.
O que os astrônomos captaram em Beta Pictoris b?
A equipe relata rajadas rápidas e repetidas de rádio, além de uma emissão mais persistente. Os sinais apareceram entre 0,85 e 3,5 GHz e apresentaram forte polarização circular, uma característica importante para investigar como foram produzidos.
O estudo divulgado no arXiv, assinado por Kevin N. Ortiz Ceballos, Edo Berger e Yvette Cendes, descreve quatro sessões de observação realizadas com o radiotelescópio MeerKAT entre 2025 e 2026.

Como foi possível separar o planeta de sua estrela?
O avanço veio da capacidade de localizar a fonte do rádio no céu com precisão suficiente para compará-la com as posições do planeta e da estrela. Esse era um dos grandes problemas das buscas anteriores: detectar rádio em um sistema planetário não provava que o planeta era a origem.
No novo trabalho, a posição calculada coincide com Beta Pictoris b e fica significativamente afastada da posição esperada para sua estrela. Os pesquisadores usaram fontes distantes de referência para corrigir pequenos erros de posição.
O que o rádio revela sobre o campo magnético?
As frequências observadas permitem estimar a força do campo magnético na região onde o rádio é produzido. Os autores interpretam as rajadas como emissão auroral causada por um processo chamado máser de ciclotron de elétrons, mecanismo também associado a emissões de planetas do Sistema Solar.
Com essa interpretação, a frequência máxima observada indica pelo menos 1,25 quilogauss na região emissora. É um limite mínimo e não deve ser confundido com uma medição completa do campo magnético global do planeta.
- Frequência: o limite superior do rádio ajuda a estimar a intensidade magnética local.
- Polarização: reforça a interpretação de que existe uma emissão auroral coerente.
- Rotação: algumas rajadas aparecem separadas por um intervalo próximo ao período de rotação do planeta.
- Magnetosfera: o resultado oferece uma maneira nova de estudar a região dominada pelo campo magnético.
Esse sinal tem alguma relação com vida extraterrestre?
Não há indicação de que seja uma mensagem artificial. A interpretação apresentada pelos pesquisadores é de um fenômeno natural ligado ao campo magnético e a partículas carregadas ao redor do planeta.
Beta Pictoris b já é um exoplaneta conhecido e foi descoberto por imagem direta em 2008. A NASA classifica Beta Pictoris b como um gigante gasoso muito mais massivo que Júpiter.
Por que a descoberta pode mudar o estudo de outros planetas?
O rádio oferece uma forma de estudar propriedades que são difíceis de medir apenas com luz visível ou infravermelha. Campos magnéticos influenciam atmosferas, partículas carregadas e a interação do planeta com sua estrela.
O próximo passo é procurar emissões semelhantes em outros gigantes gasosos e repetir as observações de Beta Pictoris b. Como o trabalho foi divulgado primeiro como preprint, novas análises e a revisão científica também serão importantes para testar as conclusões.
Se o resultado se sustentar, os astrônomos ganharão uma nova maneira de observar mundos que estão a dezenas de anos-luz daqui.
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