As empresas de I.A. podem estar manipulando as bolsas
Investimento circular cria vendas artificiais que impressionam mercado financeiro
A corrida pela inteligência artificial virou o novo “ouro do século 21”, mas por trás dos anúncios bilionários e das promessas de futuro brilhante existe uma discussão pesada: até que ponto essa febre é inovação real e até que ponto é uma bolha financeira sendo inflada com criatividade de planilha?
O que é a suposta bolha da inteligência artificial?
O canal CORTES – Leon e Nilce, com 838 mil inscritos, explora como nos últimos anos, empresas de tecnologia passaram a investir somas gigantescas em infraestrutura de IA, falando em cifras que chegam perto dos trilhões de dólares somando todo o ecossistema.
Ao mesmo tempo, analistas de mercado, executivos como o CEO da OpenAI e nomes como Jeff Bezos começaram a admitir que pode haver uma bolha se formando, ainda que reforcem a ideia de que suas próprias empresas seriam as “vencedoras” desse cenário.
Como empresas criam demanda artificial por seus próprios produtos?
Um dos exemplos mais citados é o acordo em que a OpenAI e a Nvidia anunciaram a implementação de 10 GW em sistemas de IA, basicamente uma imensa estrutura de servidores equipados com GPUs Nvidia para rodar modelos de inteligência artificial em larga escala. Veja como funciona esse ciclo:
- Nvidia investe bilhões na OpenAI, ajudando a financiar sua expansão
- OpenAI contrata a Oracle para construir servidores em nuvem de grande escala
- Oracle compra GPUs da Nvidia para montar essa infraestrutura de IA
- O dinheiro sai da Nvidia, circula pelo ecossistema e retorna como demanda pelos próprios chips
- Analistas chamam esse movimento de financiamento circular
Por que esse modelo lembra bolhas anteriores do mercado?
Especialistas comparam essa estratégia ao que a Cisco fez na bolha das telecom, quando oferecia crédito para operadoras comprarem seus equipamentos, inflando artificialmente as vendas até o capital secar e parte do mercado colapsar.
No caso atual, relatórios apontam que a Nvidia estaria “financiando sua própria demanda”, criando um cenário em que números de vendas parecem fortes, mas dependem diretamente desse ciclo de dinheiro reciclado. Acordos são anunciados com grande repercussão em veículos como Wall Street Journal e Bloomberg, gerando saltos bruscos nas ações.

Como funciona o acordo polêmico entre AMD e OpenAI?
Além da Nvidia, a AMD entrou no jogo com um acordo para implementar 6 GW em GPUs de próxima geração, tentando ganhar espaço num mercado em que ainda perde de longe em participação para a concorrente. O ponto que mais chama atenção é que a OpenAI não tem caixa para bancar esse investimento.
O mecanismo financeiro desse acordo foi descrito por analistas como uma engenharia complexa e difícil de justificar. Em resumo, a AMD vai permitindo que a OpenAI compre até 160 milhões de ações por apenas 1 centavo cada, à medida que certas metas de instalação e preço forem sendo atingidas. Compare os principais acordos:
A corrida pela AGI justifica todo esse dinheiro?
Nesse cenário, muita gente aposta na chamada AGI (inteligência artificial geral), uma IA capaz de aprender sozinha e se adaptar a qualquer tarefa, vista como uma tecnologia potencialmente mais transformadora que os modelos atuais de linguagem e imagem.
A expectativa é que a empresa que chegar primeiro nessa AGI tenha uma vantagem tão grande que compensaria anos de prejuízos e investimentos bilionários. Por outro lado, existe a possibilidade de que a AGI não seja alcançada, ou que não gere todo o retorno econômico que está sendo precificado hoje, deixando investidores expostos a perdas relevantes.
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