Artistas aborígenes pintaram seres gigantes quando colonizadores chegaram: datação conecta imagens ancestrais a uma época de transformação
Levantamento de 165 sítios na Austrália aponta pinturas monumentais concentradas nos séculos 19 e 20

O que você vai ver
- Onde estão as pinturas rupestres estudadas nesta pesquisa.
- Como pesquisadores dataram imagens sem poder usar radiocarbono.
- Quais seres gigantes aparecem nas pinturas documentadas.
- Por que essas pinturas monumentais surgiram justamente nesse período.
- O que essas imagens revelam sobre resposta cultural à colonização.
Artistas aborígenes pintaram seres gigantes ancestrais bem no período em que colonizadores europeus chegavam à Austrália, e uma datação contextual conecta essas imagens monumentais a uma época de intensa transformação cultural.
Onde estão as pinturas rupestres estudadas nesta pesquisa?
Pesquisadores documentaram 165 sítios de arte rupestre na região de Awunbarna, próxima ao Monte Borradaile, em Arnhem Land, no Território do Norte da Austrália, levantamento conduzido desde 2018 com foco específico em imagens criadas depois do contato com europeus.
Segundo o phys.org, esse recorte geográfico concentrado permitiu aos pesquisadores comparar um volume expressivo de pinturas produzidas num período histórico relativamente recente, abordagem que favorece conclusões mais robustas sobre mudanças no repertório artístico aborígene após a chegada dos colonizadores.

Como pesquisadores dataram imagens sem poder usar radiocarbono?
A datação por radiocarbono não pôde ser aplicada à maior parte das imagens estudadas, limitação que levou os pesquisadores a se apoiarem em evidências contextuais, como o fato de várias pinturas de serpentes se sobreporem a obras mais antigas já existentes na rocha.
Essas pinturas mais recentes foram feitas com argila branca, pigmento que “tende a desbotar em apenas alguns séculos”, segundo os pesquisadores, característica que, combinada à sobreposição identificada, aponta para uma criação concentrada nos séculos 19 e 20, período que coincide com a chegada dos colonizadores à região.
Quais seres gigantes aparecem nas pinturas documentadas?
O levantamento identificou 29 imagens da Serpente-Arco-Íris espalhadas por 21 sítios diferentes, a maior concentração já registrada dessa figura ancestral, incluindo uma representação de 6 metros de comprimento com características semelhantes às de um crocodilo no sítio identificado como AW5.
Além das serpentes gigantes, os pesquisadores documentaram pítons de 2 metros, crocodilos e cangurus em tamanho real, uma figura masculina gigante com mais de 2 metros de altura e até a única representação conhecida de uma baleia-de-barbatana em toda a Austrália, além de um arranjo de pedras de 124 metros que lembra a forma da própria Serpente-Arco-Íris.
Por que essas pinturas monumentais surgiram justamente nesse período?
Essas pinturas monumentais surgiram justamente no período de chegada dos colonizadores porque os artistas aborígenes as criaram como resposta direta à disrupção causada pela colonização europeia, especialmente após a chegada da indústria de caça ao búfalo no final do século 19.
Produzir imagens de seres ancestrais em escala tão grande, num momento de intensa ameaça às tradições e à conexão com a terra, funcionava como reafirmação cultural, reforçando práticas cerimoniais e vínculos identitários justamente quando esses elementos corriam maior risco de ruptura.

O que essas imagens revelam sobre resposta cultural à colonização?
Essas imagens revelam que comunidades aborígenes responderam à colonização não apenas através de resistência direta, mas também por meio da produção artística intensificada, usando a arte rupestre como ferramenta de reafirmação de identidade, tradição e conexão espiritual com a terra em um momento de ruptura histórica.
Esse padrão de produção artística concentrada num período de transformação social oferece aos pesquisadores uma janela sobre como comunidades indígenas em diferentes partes do mundo reagiram criativamente à chegada de colonizadores, preservando narrativas ancestrais através de imagens monumentais criadas sob pressão histórica.
- Pesquisadores documentaram 165 sítios de arte rupestre pós-contato na região de Awunbarna, Austrália.
- A datação contextual, sem radiocarbono, aponta para criação concentrada nos séculos 19 e 20.
- Foram identificadas 29 imagens da Serpente-Arco-Íris, incluindo uma de 6 metros de comprimento.
- As pinturas monumentais funcionaram como resposta cultural à disrupção da colonização europeia.
Marcas físicas deixadas por períodos históricos de intenso esforço também aparecem no relato sobre os esqueletos de crianças holandesas que registram séculos de trabalho infantil.
Mais detalhes sobre o levantamento de arte rupestre estão disponíveis no site oficial do Phys.org.
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