Arqueólogos usam lasers sobre a floresta e encontram estradas, praças e cidades escondidas sob a Amazônia
O laser retirou digitalmente a vegetação e expôs uma paisagem construída por séculos
A copa fechada da floresta escondia uma paisagem construída em escala regional. No Vale do Upano, no Equador, arqueólogos combinaram décadas de trabalho de campo com LiDAR, tecnologia que usa pulsos de laser, e revelaram milhares de plataformas, praças, áreas agrícolas e estradas ligando antigos centros urbanos da Amazônia.
O que os lasers revelaram sob a floresta amazônica?
O levantamento revelou uma rede de centros urbanos pré-hispânicos formada por plataformas de terra, praças, ruas, estradas largas, campos agrícolas, canais e sistemas de drenagem. As estruturas estavam distribuídas por uma área muito maior do que seria possível enxergar a partir do solo.
O estudo publicado na Science descreve o conjunto como um sistema de urbanismo agrário no alto Amazonas, nas encostas orientais dos Andes equatorianos.

Qual era o tamanho dessa rede de assentamentos?
O levantamento por LiDAR cobriu cerca de 300 km² e identificou mais de 6 mil plataformas antropogênicas. Os pesquisadores reconheceram pelo menos 15 áreas de assentamento de tamanhos diferentes.
A AAAS, editora da revista Science, resumiu a escala observada pelos autores:
Como o LiDAR consegue enxergar o terreno debaixo das árvores?
O LiDAR emite pulsos de laser a partir de uma aeronave e mede quanto tempo a luz leva para retornar. Parte desses pulsos atravessa pequenas aberturas entre folhas e galhos e alcança o solo.
Com milhões de medições, os pesquisadores conseguem retirar digitalmente a vegetação e reconstruir o relevo. Isso torna visíveis plataformas baixas, valas e estradas que podem passar despercebidas dentro da mata.
- Plataformas: bases elevadas sustentavam construções que já desapareceram.
- Praças: áreas abertas organizavam conjuntos de plataformas.
- Estradas: vias retas ligavam centros e áreas vizinhas.
- Agricultura: campos drenados e terraços mostram manejo intenso do terreno.

Quando essas cidades foram ocupadas?
As escavações indicam ocupação desde aproximadamente 500 a.C. até algo entre 300 e 600 d.C.. Portanto, o LiDAR não revelou uma única cidade construída de uma vez, mas uma paisagem ocupada e transformada durante muitos séculos.
O CNRS explica que o trabalho de campo no Vale do Upano já identificava plataformas, caminhos e estradas antes do mapeamento aéreo. O laser permitiu enxergar a escala regional:
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Por que essa descoberta muda a imagem da Amazônia antiga?
O conjunto mostra que parte da Amazônia pré-colombiana abrigou sociedades capazes de reorganizar grandes áreas para moradia, agricultura e circulação. Isso contrasta com a ideia antiga de que a floresta teria sustentado apenas grupos pequenos e muito dispersos.
O estudo não transforma toda a Amazônia em uma única civilização urbana. Ele documenta um sistema específico no atual Equador, com características próprias e uma ocupação longa.
Debaixo da copa das árvores, o laser revelou uma paisagem que já tinha ruas, praças e conexão regional há mais de 2 mil anos.
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