Ar-condicionado no modo quente: o custo por hora no inverno de 2026, calculado
O aparelho que parece caro de ligar é o mais barato de todos: ele não fabrica calor, apenas transporta o que já existe no ar externo, e por isso custa menos da metade de um aquecedor de resistência.
Existe um botão no controle do ar-condicionado que a maioria dos brasileiros nunca apertou, e ele pode ser a forma mais barata de aquecer a casa. Não é intuitivo: parece que um aparelho grande e caro gastaria mais que um aquecedorzinho de R$ 150. Acontece o contrário, e a diferença é de várias vezes. Aqui está a conta, com a tarifa e a bandeira que valem neste inverno.
Como o modo quente funciona?
A resposta explica sozinha por que ele é econômico.
Um aquecedor comum transforma eletricidade em calor por resistência: cada watt consumido vira, no máximo, um watt de calor. O ar-condicionado no modo quente não gera calor, ele transporta: capta o calor que existe no ar externo, mesmo frio, e o traz para dentro. Por isso entrega mais energia térmica do que consome em eletricidade.
Que aparelhos têm essa função?
Nem todo modelo tem, e vale conferir antes de procurar o botão.
Os que aquecem são os chamados quente e frio, também identificados como reverse cycle ou com o símbolo do sol no controle. Aparelhos apenas frio não fazem isso. Nos modelos inverter quente e frio, a eficiência tende a ser ainda maior, porque o compressor modula a rotação em vez de ligar e desligar.
Qual a tarifa deste inverno?
Antes da conta, é preciso fixar o preço da energia, e ele está pressionado.
Segundo a ANEEL, a bandeira tarifária de julho de 2026 permanece amarela, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh. É o terceiro mês seguido nesse patamar, reflexo do período seco, com reservatórios baixos e acionamento de termelétricas.

Quanto custa por hora?
Usando uma tarifa residencial de referência de R$ 1,00 por kWh, já com impostos, a conta fica direta.
Para um split quente e frio de 9.000 BTUs, com consumo aproximado de 0,8 kWh por hora no modo aquecimento:
- 1 hora: cerca de R$ 0,80.
- 3 horas por noite: cerca de R$ 2,40.
- 30 dias, 3 horas por dia: cerca de R$ 72.
- Um modelo de 12.000 BTUs consome perto de 1,1 kWh/h: cerca de R$ 1,10 a hora.
- A bandeira amarela adiciona menos de R$ 2 a cada 100 kWh.
Como isso se compara?
Aqui está o dado que inverte a intuição de quase todo mundo.
Um aquecedor elétrico de resistência trabalha tipicamente entre 1.500 e 2.000 watts, ou seja, de 1,5 a 2 kWh por hora. Isso significa de R$ 1,50 a R$ 2,00 por hora, contra os R$ 0,80 do split de 9.000 BTUs. O aparelho barato de comprar é o caro de usar, e o caro de comprar é o barato de operar.
E o chuveiro, como entra nessa?
Vale a comparação para dar escala ao número.
Um chuveiro elétrico na posição inverno trabalha entre 5.500 e 7.500 watts. Ou seja: quinze minutos de banho consomem mais ou menos o mesmo que uma hora e meia de ar-condicionado aquecendo o quarto. O vilão da conta de inverno raramente é o ar: é o banho.
Por que o cálculo pode variar?
Convém ser honesto sobre as variáveis, porque elas mudam bastante o resultado.
O consumo real depende do isolamento do cômodo, da diferença entre a temperatura interna e a externa, do tamanho do ambiente em relação à capacidade do aparelho e da tarifa da sua distribuidora, que varia muito pelo país. Em regiões muito frias, a eficiência da bomba de calor cai, porque há menos calor externo disponível para captar. Os números aqui são referência, não promessa.
Quanto a tarifa muda por região?
Muito, e essa é a variável que mais distorce qualquer cálculo nacional.
Segundo dados da ANEEL, o Rio de Janeiro tem as tarifas convencionais mais caras do país, com cooperativas passando de R$ 1,40 por kWh, enquanto outras regiões ficam bem abaixo disso. Ou seja: a mesma hora de ar-condicionado pode custar quase o dobro dependendo do CEP. Para saber a sua, divida o valor total da fatura pelo consumo em kWh do mês.
Como gastar menos ainda?
As medidas são simples e cumulativas.
Feche portas e janelas do cômodo, porque aquecer com fresta aberta é aquecer a rua. Não exagere na temperatura: cada grau a mais custa dinheiro, e 22 graus já é confortável. Use o timer para desligar depois que você dormir. Limpe os filtros, porque filtro sujo faz o aparelho trabalhar mais. E lembre que o modo quente aquece o ambiente, não a pessoa: com um cobertor, dá para usar menos.
Vale a pena instalar?
Depende de quantos meses por ano você vai usar, e a conta é de payback.
Para quem já tem um aparelho quente e frio, a resposta é óbvia: use, porque é a opção mais econômica que você tem em casa. Para quem vai instalar do zero, o cálculo inclui aparelho, instalação e circuito adequado. Vale pedir orçamentos, lembrando que os valores de mão de obra em 2026 pesam tanto quanto o equipamento.
E a parte elétrica?
Este é o alerta que fecha o assunto, e ele não é opcional.
Ar-condicionado é aparelho de potência elevada e costuma exigir circuito exclusivo, com fio e disjuntor dimensionados. Ligar em tomada comum, dividida com outros aparelhos, é receita para superaquecimento na fiação. Se o disjuntor desarma quando o ar liga junto com o chuveiro, o problema é sobrecarga, e a solução não é trocar o disjuntor por um maior. Vale considerar isso já no orçamento de uma casa de 100 m², quando a elétrica ainda está aberta.

O que convém lembrar sobre o modo quente
O ar-condicionado quente e frio não gera calor, ele transporta, e por isso entrega mais aquecimento do que consome em eletricidade. Um split de 9.000 BTUs custa cerca de R$ 0,80 por hora, contra R$ 1,50 a R$ 2,00 de um aquecedor de resistência. A bandeira de julho de 2026 é amarela, com acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh. O consumo real varia com isolamento, temperatura externa e a tarifa da sua distribuidora, então divida sua fatura pelo consumo para achar seu número.
Este conteúdo tem finalidade informativa e usa valores de referência para simulação. Sua tarifa exata depende da distribuidora, da faixa de consumo, da bandeira e dos tributos; consulte a fatura para o valor aplicado ao seu caso.
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