Após uma história de mais de 1.600 anos, arqueólogos trazem à superfície blocos de 80 toneladas de uma das Sete Maravilhas do mundo antigo
As peças monumentais revelam detalhes de uma entrada que desapareceu há séculos
Uma operação de arqueologia submarina retirou do porto de Alexandria, no Egito, 22 blocos monumentais ligados ao antigo Farol de Alexandria. Algumas peças pesam entre 70 e 80 toneladas. O farol permaneceu de pé por mais de 1.600 anos, mas os blocos ficaram submersos por séculos antes de voltarem temporariamente à superfície para estudo.
O que os arqueólogos retiraram do fundo do mar?
Foram içadas partes da entrada e da base do farol. A Fondation Dassault Systèmes confirma que o conjunto inclui vergas, laterais de uma porta monumental, uma soleira, grandes lajes e peças de um pórtico de estilo egípcio que não era conhecido antes.
A missão é liderada cientificamente pela arqueóloga e arquiteta Isabelle Hairy, do CNRS, dentro do projeto PHAROS.

Por que algumas pedras chegam a 80 toneladas?
Os blocos faziam parte de elementos estruturais de uma construção com cerca de 100 metros de altura. As maiores peças precisavam suportar grandes cargas e formar aberturas monumentais.
Os blocos ficaram 1.600 anos debaixo d’água?
Não é isso que o número significa. A CNRS Images registra que o farol deixou de funcionar definitivamente após o terremoto de 1303. A estrutura havia sido construída no começo do século III a.C. e resistiu por mais de 1.600 anos.
Depois do colapso, partes foram reaproveitadas em construções e outras acabaram no fundo do mar. Portanto, o período de submersão dos blocos recuperados é de séculos, não de 1.600 anos.
- Construção: começou no início do século III a.C.
- Função: guiava embarcações que se aproximavam de Alexandria.
- 1303: um grande terremoto marcou o fim de seu funcionamento.
- 1477: pedras remanescentes foram reaproveitadas na Fortaleza de Qaitbay.

Por que os pesquisadores trouxeram as peças à superfície?
Para estudar e digitalizar os blocos com mais precisão. A missão usa fotogrametria, técnica que transforma muitas fotografias sobrepostas em modelos tridimensionais detalhados.
Leia também: Arqueólogos recuperam do fundo do mar partes de uma das 7 maravilhas do mundo antigo.
O Farol de Alexandria será reconstruído de verdade?
O projeto confirmado é digital. A comunicação oficial do CNRS explica que os modelos serão enviados a engenheiros da Fondation Dassault Systèmes para montar um gêmeo digital do monumento.
O resultado poderá mostrar a posição provável das grandes portas, testar como a estrutura foi construída e ajudar a explicar por que ela caiu. Para a arqueologia, cada pedra de dezenas de toneladas funciona como uma peça de um quebra-cabeça que ficou fragmentado por séculos.
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