Após 50 anos de carreira, Regina Casé recorre à Lei Rouanet pela primeira vez
Atriz afirma que nunca havia recorrido ao mecanismo em cerca de 50 anos de carreira; espetáculo Viva! Vida! oferece sessões gratuitas para mil pessoas em Brasília
Regina Casé revelou que Viva! Vida!, espetáculo em cartaz no CCBB Brasília, marca a primeira vez em que utiliza o apoio da Lei Rouanet em cerca de 50 anos dedicados à arte. Em entrevista ao Metrópoles, a atriz afirmou que nunca havia recorrido ao mecanismo de incentivo, apesar de receber críticas relacionadas a ele há anos. A montagem oferece apresentações gratuitas, com capacidade para mil espectadores em cada sessão.
Ao comentar o assunto, Regina Casé afirmou que as acusações começaram antes mesmo de recorrer ao mecanismo pela primeira vez. “Eu sou atacada há anos [com pessoas] me dizendo: ‘Ah, também, com a Lei Rouanet’. Eu nunca usei Rouanet”, diz. A artista também defendeu o incentivo como instrumento para facilitar o acesso do público a produções culturais que podem ser oferecidas gratuitamente a grandes plateias.
Atriz fala sobre apresentação bancada pela Lei Rouanet
“Poxa, fazendo hoje para mil pessoas, amanhã para mil pessoas, depois de amanhã para mil pessoas de graça, é uma maravilha”, disse. Viva! Vida! nasceu de conversas entre Regina e seu marido, Estêvão Ciavatta, além de pesquisadores ligados a questões climáticas e de sustentabilidade. O espetáculo discute a relação dos seres humanos com o planeta e combina conhecimentos científicos, saberes de diferentes culturas, tecnologia, inteligência artificial e hiperconectividade.
A proposta da montagem também coloca a própria atriz em posição de descoberta durante o contato com os espectadores. “Eu vou descobrir junto com o público um monte de coisas que estão embaixo do nosso nariz e que a gente não se dá conta”, explicou. O projeto usa diferentes conhecimentos para abordar questões relacionadas à natureza e à maneira como os seres humanos percebem sua posição diante das demais formas de vida.
Regina Casé faz balanço de sua carreira
Regina Casé afirmou ainda que não considera celulares ou avanços científicos adversários nessa discussão. Para ela, a questão está na ideia de superioridade humana diante da natureza. “O celular é genial. As descobertas científicas e da medicina são geniais. Os cientistas fazem coisas geniais, mas a gente não pode achar que nós somos muito mais incríveis que uma onça, que a onça não tem celular”, afirmou.
Ao recordar a carreira, Regina Casé explicou que suas passagens pela televisão, pelo cinema e pelo teatro não surgiram de um planejamento para exercer diferentes funções. “O que sempre me move para fazer alguma coisa é aquela sensação de que aquilo precisa ser dito, aquilo precisa ser mostrado. Eu não pensava: ‘Vou ser apresentadora’. Eu me considero uma atriz. Mas, eu preciso ser apresentadora para apresentar tudo aquilo que eu acho que era o que estava acontecendo de mais legal no Brasil naquele momento”, disse.
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