Após 1.000 anos no porto de Cesareia, 2.000 moedas de ouro surgiram no fundo do mar como um cofre aberto pela tempestade
O ouro que dormiu por um milênio sob as ondas e uma tempestade que virou notícia arqueológica.
Uma tempestade no litoral de Israel abriu um portal para o ano de 996 d.C. O porto de Cesareia, que já viu passar navios romanos e cruzados, entregou ao mundo um dos maiores achados de moedas de ouro já registrados no Mediterrâneo, um tesouro de quase dois mil dinares do Califado Fatímida que só esperava a fúria do mar para aparecer.
Como a tempestade revelou o tesouro de moedas de ouro em Cesareia?
A história começou com um grupo de mergulhadores amadores que exploravam os arredores do porto de Cesareia após um dia de mar agitado. Eles notaram algo brilhando entre as rochas e a areia revolvida pela ondulação forte, uma cintilação que destoava do fundo marinho.
Ao se aproximarem, perceberam que o brilho não vinha de uma única peça. Eram centenas de pequenos discos dourados espalhados pelo leito do mar, como se alguém tivesse despejado um pote de ouro líquido sobre o fundo arenoso.
Confira os detalhes:
| Etapa da descoberta | O que aconteceu | Detalhe revelador |
|---|---|---|
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① GATILHO Tempestade no Mar Mediterrâneo |
Ondulação forte revolveu o fundo arenoso | Areia movida expôs o que estava oculto há séculos |
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② AVISTAMENTO Mergulhadores amadores no porto |
Cintilação dourada entre rochas e areia | Brilho diferente de tudo no fundo marinho |
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③ DIMENSÃO Aproximação e reconhecimento |
Centenas de discos dourados espalhados | Moedas de ouro cobriam o leito do mar |
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④ ORIGEM Porto histórico de Cesareia |
Naufrágio do período fatímida identificado | Moedas datadas do século XI d.C. |
Quantas moedas de ouro foram encontradas no fundo do mar de Cesareia?
O achado totalizou quase 2.000 moedas de ouro, pesando aproximadamente 9 quilos no total. Cada moeda é um dinar do Califado Fatímida, dinastia xiita que governou o norte da África e partes do Oriente Médio entre os séculos X e XII.
As moedas apresentam inscrições em árabe cúfico e estão em um estado de conservação que surpreendeu os arqueólogos. O ouro de 24 quilates resistiu à corrosão da água salgada por mais de mil anos.
Por que essas moedas estavam no fundo do mar de Cesareia?
Cesareia foi um dos portos mais movimentados do Mediterrâneo durante séculos. Construída por Herodes, o Grande, a cidade abrigava rotas comerciais que ligavam o Egito fatímida aos reinos cristãos da Europa e ao Império Bizantino.
Os arqueólogos acreditam que as moedas estavam dentro de um baú de madeira que se desintegrou com o tempo. O cofre originalmente pertencia a um navio mercante que naufragou no porto ou a um comerciante que escondeu sua fortuna durante algum conflito na região.
Qual o valor histórico e financeiro desse tesouro?
Cada dinar fatímida pesa cerca de 4,25 gramas de ouro puro. Considerando apenas o peso do metal, o tesouro vale aproximadamente US$ 650 mil com a cotação atual do ouro. O valor histórico, no entanto, é incalculável.
Confira os detalhes que tornam o achado de Cesareia um dos mais importantes do Mediterrâneo:
- Peso total: 9 quilos de ouro de 24 quilates
- Quantidade: aproximadamente 2.000 moedas
- Datação: ano 996 d.C., sob o califa Al-Hakim
- Estado de conservação: excepcional, com inscrições legíveis
- Contexto: moedas cunhadas em oficinas do Cairo e da Sicília
O que os dinares revelam sobre o Califado Fatímida?
Os dinares fatímidas encontrados em Cesareia contam uma história de riqueza e poder. O Califado Fatímida controlava rotas de comércio que iam da Índia ao Mediterrâneo, e sua moeda de ouro era reconhecida como padrão de valor em três continentes.
As inscrições nas moedas mencionam o califa Al-Hakim e as cidades onde foram cunhadas. A descoberta prova que o ouro fatímida circulava intensamente pelos portos do Mediterrâneo oriental, mesmo em uma época de conflitos com o Império Bizantino.

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O que mais o fundo do mar de Cesareia ainda esconde?
Os arqueólogos da Autoridade de Antiguidades de Israel acreditam que o achado é apenas uma amostra do que ainda permanece submerso. O porto de Cesareia foi ativo por mais de 1.200 anos, e cada camada de sedimento pode conter um novo capítulo da história do Mediterrâneo.
A tempestade que abriu o cofre submerso fez o trabalho que escavações meticulosas levariam décadas para realizar. O ouro voltou à superfície, mas a maior lição do achado talvez seja outra: o mar guarda mais memórias do que nós conseguimos imaginar, e elas só esperam a onda certa para vir à tona.
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