Ao caminhar pela orla, o visitante vê prédios altos de um lado e uma sequência de praias do outro, enquanto morros cobertos de vegetação parecem limitar até onde a cidade ainda pode crescer
Entre uma orla intensamente ocupada e encostas preservadas, o relevo ajuda a explicar uma paisagem urbana marcada por fortes contrastes.
Entre uma baía curva e morros cobertos pela Mata Atlântica, uma faixa urbana estreita concentra torres residenciais de grande altura. Em Balneário Camboriú, praias sucessivas, verticalização e áreas naturais protegidas convivem em apenas 45,2 km².
Por que a cidade cresceu tanto para cima?
O município tinha 139.155 moradores no Censo 2022 e população estimada em 154.525 pessoas em 2026, segundo o IBGE. Como o território municipal mede somente 45,214 km², a ocupação urbana se concentra em uma área pequena para o tamanho da população e do mercado imobiliário.
Os morros, o oceano e a divisa com Camboriú criam limites físicos à expansão horizontal, mas não explicam sozinhos a verticalização. Regras urbanísticas, valorização da orla, turismo e demanda por imóveis também incentivaram a construção de torres altas junto à Praia Central.

Como a Praia Central virou uma faixa tão marcante?
A Praia Central tem cerca de 6,8 quilômetros e é acompanhada pela Avenida Atlântica, calçadão, ciclovia, hotéis, restaurantes e edifícios residenciais. É o trecho onde a imagem de praia e arranha-céus aparece de forma mais contínua.
Em 2021, uma obra de alargamento ampliou a faixa de areia de aproximadamente 25 metros para uma média de 70 metros. O projeto buscou recuperar espaço de praia e aumentar a proteção da infraestrutura costeira diante de eventos de maré e ondas.
Três números ajudam a dimensionar essa combinação de densidade e litoral:
Existem outras praias além da faixa cercada por prédios?
Sim. Ao norte ficam Praia do Canto e Praia do Buraco. Em direção ao sul aparecem Laranjeiras, Taquarinhas, Taquaras, Pinho, Estaleiro e Estaleirinho, formando uma sequência costeira com cenários bem diferentes da Praia Central.
A Rodovia Interpraias conecta boa parte desse litoral sul. Em alguns trechos, construções dividem espaço com costões, encostas florestadas e faixas de areia menores, deixando claro que a paisagem municipal muda rapidamente quando se atravessam os morros.
Por que os morros ainda conservam tanta vegetação?
Parte importante do litoral sul está dentro da Área de Proteção Ambiental Costa Brava, criada em 2000. Seu mosaico inclui costões, restingas, florestas, manguezais e praias associados ao bioma Mata Atlântica.
O Plano de Manejo da APA Costa Brava reconhece justamente a pressão imobiliária provocada pela redução das possibilidades de expansão horizontal na área mais adensada. A proteção ambiental, portanto, também interfere em como novos usos do território podem avançar.
Como a sequência de praias muda ao longo da costa?
A diferença aparece em poucos quilômetros. Laranjeiras tem ocupação turística consolidada, Taquarinhas conserva aspecto menos urbanizado, Taquaras combina moradia e serviços, enquanto Estaleiro e Estaleirinho alternam casas, pousadas, vegetação e costões.
Essa variedade torna a costa muito menos uniforme do que a fotografia clássica dos arranha-céus sugere.
Quatro contrastes ajudam a visualizar o percurso:
Os morros realmente impedem a cidade de continuar crescendo?
Eles funcionam como barreiras físicas importantes, mas o crescimento não depende apenas do relevo. Zoneamento, áreas protegidas, infraestrutura, mercado imobiliário e conexão com o município vizinho de Camboriú também determinam onde novos moradores e empreendimentos podem se instalar.
O contexto de Balneário Camboriú ajuda a entender o contraste: um território pequeno reúne praia intensamente verticalizada e encostas ainda cobertas por vegetação. É justamente essa proximidade que faz a cidade parecer comprimida entre os prédios, o mar e os morros.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)