Antes da hidrelétrica, engenheiros tiveram de tirar um dos maiores rios do continente de seu próprio leito para construir a barragem
Canal de dois quilômetros e ensecadeiras permitiram desviar o Paraná e construir as fundações da barragem de Itaipu
O desvio do rio Paraná foi uma das operações mais impressionantes da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Em 20 de outubro de 1978, engenheiros abriram um canal de dois quilômetros e utilizaram ensecadeiras para afastar a correnteza, permitindo construir a barragem principal em uma área anteriormente ocupada pelo rio.
Por que o desvio do rio Paraná foi necessário para construir Itaipu?
Localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai, Itaipu começou a ser construída na década de 1970. O projeto exigia enormes fundações de concreto diretamente sobre o leito rochoso do Paraná, um dos rios mais caudalosos da América do Sul.
Não seria possível executar essas estruturas com a correnteza atravessando continuamente o canteiro. Os engenheiros precisavam escavar, examinar e preparar a rocha, além de instalar equipamentos e concretar as fundações. A solução foi criar um caminho temporário para o rio e isolar a região destinada à barragem.
Como os engenheiros conseguiram abrir um novo caminho para o rio?
A primeira grande etapa envolveu escavar um canal na margem esquerda, em território brasileiro. O trabalho exigiu retirar milhões de metros cúbicos de terra e rocha, utilizando escavadeiras, caminhões e explosivos.
O processo aconteceu em cinco etapas fundamentais:
- Escavação de um canal paralelo ao leito original;
- Retirada de aproximadamente 55 milhões de metros cúbicos de materiais;
- Construção de estruturas de controle e barreiras provisórias;
- Abertura do novo percurso com explosivos em outubro de 1978;
- Fechamento do leito antigo para permitir o esgotamento da água.
O vídeo Abertura do Canal de Desvio da Itaipu completa 45 anos, do canal SOT, mostra imagens históricas da explosão e da mudança do curso do Paraná.
Como o desvio do rio Paraná funcionava sem interromper a correnteza?
O canal possuía aproximadamente dois quilômetros de comprimento, 150 metros de largura e até 90 metros de profundidade. Essas dimensões permitiam conduzir enormes volumes de água enquanto as estruturas principais eram construídas.
O rio não foi interrompido: sua corrente foi redirecionada. Em 20 de outubro de 1978, uma explosão com cerca de 58 toneladas de dinamite rompeu barreiras que protegiam as extremidades do canal. A água começou a ocupar o novo percurso, criando condições para o fechamento posterior do trecho original.
Qual foi a função das ensecadeiras na construção da barragem?
As ensecadeiras são barreiras provisórias utilizadas para impedir a entrada de água em áreas de construção. Em Itaipu, estruturas de terra, rocha e concreto foram empregadas em diferentes etapas para controlar o Paraná e proteger as escavações.
A história oficial da Itaipu Binacional registra que a abertura do canal ocorreu em 20 de outubro de 1978. Depois do desvio, ensecadeiras principais isolaram o antigo leito, permitindo bombear a água restante. Em abril de 1979, o esgotamento dessa área havia sido concluído, possibilitando avançar nas fundações e na concretagem.

Quais números mostram a dimensão do desvio do rio Paraná?
A operação representou uma etapa decisiva do cronograma. As escavações começaram em 1975, enquanto a construção da estrutura de controle avançou principalmente entre outubro de 1977 e outubro de 1978.
O canal precisava suportar não apenas a vazão habitual do Paraná, mas também elevações provocadas pelas chuvas. Sua capacidade foi dimensionada para condições hidráulicas excepcionais durante a construção.
| Característica | Dados históricos |
|---|---|
| Comprimento do canal | 2 quilômetros |
| Largura e profundidade máxima | 150 m e 90 m |
| Material escavado | Cerca de 55 milhões de m³ |
| Abertura do desvio | 20 de outubro de 1978 |
O que aconteceu depois que o rio passou pelo novo canal?
Com o leito original isolado, os trabalhadores puderam escavar a rocha de fundação e executar grandes estruturas de concreto. A segunda fase da construção, entre 1978 e 1982, concentrou esforços na barragem principal, na casa de força e em outras instalações permanentes.
O desvio foi temporário, mas indispensável para viabilizar Itaipu. Em outubro de 1982, o fechamento das comportas da estrutura de controle iniciou a formação do reservatório. A primeira unidade geradora começou a produzir eletricidade em maio de 1984, concluindo uma sequência de trabalhos que começou pela necessidade de retirar um rio gigantesco de seu caminho original.
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