Água percorre 15 km por dentro de uma montanha neste túnel brasileiro considerado o maior da América Latina dedicado ao transporte hídrico
Estrutura subterrânea entre Ceará e Paraíba atravessa uma serra para conduzir águas do São Francisco e superar obstáculos naturais do Semiárido
No interior de uma serra entre Ceará e Paraíba, o túnel Cuncas I atravessa aproximadamente 15 quilômetros de rocha para transportar águas do Rio São Francisco. Com cerca de nove metros de altura e largura, a estrutura integra o Eixo Norte da transposição e é considerada pelo governo federal o maior túnel de transporte hídrico da América Latina.
Por que o túnel Cuncas I precisou atravessar uma montanha inteira?
O relevo montanhoso entre Mauriti, no Ceará, e São José de Piranhas, na Paraíba, representava um obstáculo ao trajeto planejado para a transposição do São Francisco. Construir canais abertos contornando essas elevações exigiria alterações significativas no percurso e nas condições hidráulicas.
A solução foi abrir uma passagem subterrânea capaz de manter a continuidade do transporte de água. O túnel atravessa formações rochosas e integra um sistema de engenharia destinado a superar barreiras naturais do Semiárido, conectando canais e reservatórios de diferentes regiões.
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Como a água atravessa os 15 quilômetros do túnel Cuncas I?
A estrutura funciona como parte de um canal subterrâneo. A água percorre a passagem por gravidade, aproveitando diferenças de nível previamente calculadas. O projeto hidráulico considera a seção disponível, a velocidade do escoamento e as perdas de energia provocadas pelo atrito.
O túnel foi dimensionado para transportar aproximadamente 83 mil litros por segundo em condições de projeto. Essa capacidade não significa que a vazão permaneça constantemente nesse valor, pois a operação depende da disponibilidade hídrica e das necessidades do sistema.
Alguns números revelam a dimensão da construção:
- Aproximadamente 15 quilômetros de extensão subterrânea;
- Cerca de nove metros de altura na seção principal;
- Largura próxima de nove metros;
- Capacidade projetada de aproximadamente 83 mil litros por segundo;
- Interligação entre o território cearense e o paraibano.
Em imagens registradas durante a conclusão da obra, o canal Medeiros Produções Diferenciadas mostra o Cuncas I e suas estruturas de acesso, permitindo observar as dimensões da passagem subterrânea.
Como os engenheiros conseguiram perfurar tantos quilômetros de rocha?
A escavação utilizou perfuração mecanizada e explosivos controlados. Uma das dificuldades estava na variedade das condições geológicas encontradas, que exigiam avaliar continuamente a estabilidade das paredes e identificar trechos sujeitos a desprendimentos.
Para acelerar os trabalhos, foram organizadas frentes de escavação nas extremidades e em uma passagem auxiliar, conhecida como túnel-janela. Essa estratégia permitiu que equipes avançassem simultaneamente em diferentes direções, reduzindo o tempo necessário para atravessar o maciço rochoso.
O que os registros oficiais revelam sobre a construção do Cuncas I?
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional informou que a última detonação de ligação ocorreu em outubro de 2014. Naquele momento, aproximadamente 94,4% da estrutura estava executada, e a abertura já estabelecia uma ligação subterrânea entre Ceará e Paraíba.
A documentação técnica registra uma seção aproximada de nove metros por nove metros. O empreendimento integra o Projeto de Integração do Rio São Francisco, composto por 477 quilômetros de eixos principais, além de estações de bombeamento, aquedutos, reservatórios e outros túneis.

Como o Cuncas I se encaixa na transposição do Rio São Francisco?
O túnel pertence ao Eixo Norte, responsável por conduzir água a partir de Pernambuco em direção a áreas do Ceará, da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Ele não funciona isoladamente: sua operação depende da integração com as demais estruturas hidráulicas.
Depois de atravessar a serra, a água prossegue pelo sistema de canais e reservatórios. O túnel Cuncas II, com aproximadamente quatro quilômetros, também participa desse percurso, permitindo superar outro trecho de relevo elevado.
| Estrutura | Dimensão ou função |
|---|---|
| Cuncas I | Aproximadamente 15 km |
| Cuncas II | Aproximadamente 4 km |
| Eixo Norte | 260 km de infraestrutura principal |
| Eixo Leste | 217 km de infraestrutura principal |
Quais desafios permanecem para transformar essa obra em segurança hídrica?
A infraestrutura foi planejada para ampliar a disponibilidade de água em regiões historicamente vulneráveis às estiagens. Entretanto, transportar grandes volumes não garante automaticamente abastecimento regular: são necessários reservatórios operacionais, redes de distribuição e gestão adequada dos recursos.
A manutenção também exige monitoramento das estruturas, controle de sedimentos e acompanhamento das condições hidráulicas. Outro desafio envolve conciliar o uso da água com a sustentabilidade da bacia do São Francisco. A eficiência do túnel depende, portanto, do funcionamento integrado de todo o sistema.
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