Achado histórico: segunda maior indústria petrolífera do Império Romano é desenterrada na Tunísia
Um conjunto recente de descobertas arqueológicas revelou uma megaestrutura agrícola e industrial do Império Romano.
Um conjunto recente de descobertas arqueológicas em Henchir el Begar, na região de Kasserine, na atual Tunísia, revelou uma megaestrutura agrícola e industrial do Império Romano dedicada à produção de óleo de oliva.
O complexo, ativo por vários séculos, reúne áreas de prensagem, circulação, armazenamento e habitação, redefinindo o entendimento sobre a economia rural, o comércio de alimentos e o papel da África Proconsular no abastecimento do Mediterrâneo romano.
Todas essas estruturas parecem estar ligadas à produção de petróleo no Império Romano
Importância do óleo de oliva romano produzido na Tunísia
O óleo de oliva romano era um recurso estratégico, usado não só na alimentação, mas também em iluminação, rituais religiosos, medicina, higiene e práticas de banho.
Em um império vasto, garantir seu fornecimento contínuo era prioridade econômica e logística, envolvendo planejamento agrário e redes comerciais de longa distância.
Em Henchir el Begar, as 12 grandes prensas de viga no torcularium principal, somadas a outras 8 prensas em um segundo setor, indicam uma escala de extração rara em áreas rurais.
Essa concentração aponta para uma produção em série voltada a mercados regionais e interprovinciais, reforçada por estradas, caminhos internos e possíveis depósitos para armazenagem.
Como funcionava a megaindústria de óleo de Henchir el Begar
O sítio arqueológico revela um complexo planejado para eficiência, o que justifica o termo “megaindústria de óleo” usado por especialistas.
O conjunto integra prensas, áreas técnicas e espaços de apoio, formando algo próximo a um parque industrial rural adaptado ao relevo e aos recursos hídricos do maciço Jebel Semmama.
Entre os principais elementos do complexo, destacam-se estruturas voltadas tanto à produção de azeite quanto à organização do povoamento local e de outras atividades agrícolas:
- Torcularium monumental com 12 prensas de viga alinhadas.
- Segundo setor produtivo com mais 8 prensas semelhantes.
- Áreas anexas para depósitos, circulação e trabalho.
- Moinhos de pedra destinados à moagem de cereais.
- Estruturas habitacionais associadas a um pequeno vicus.
Archaeologists have now excavated one of the biggest olive oil processing plants ever found in the Roman world, at the site of Henchir el Begar in Tunisia. The facility, called a torcularium, operated with 12 beam presses!https://t.co/A1awCeVvRP pic.twitter.com/hqmkSUWISc
— Archaeology Magazine (@archaeologymag) November 24, 2025
Papel da África Proconsular na economia do Império Romano
A região de Kasserine integrava a África Proconsular, um dos principais celeiros agrícolas de Roma, especializada na exportação de cereais, azeite e outros produtos.
A existência da segunda maior indústria de óleo de oliva do império em Henchir el Begar confirma a intensa vocação produtiva e a inserção dessa área em amplas redes logísticas mediterrâneas.
Uma inscrição de 138 d.C. registra um decreto senatorial autorizando um mercado periódico nas proximidades, indicando a função comercial da região.
O azeite produzido no complexo provavelmente abastecia centros urbanos, unidades militares de fronteira e mercados locais, articulando produção rural e distribuição imperial.
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O que o sítio revela sobre a vida e o trabalho no campo romano
O pequeno vicus identificado no sítio sugere a presença de trabalhadores especializados, agricultores, famílias locais e possivelmente veteranos de guerra.
A convivência entre númidas, colonos romanos e descendentes de militares criou um ambiente social diverso, visível nas residências e nos objetos recuperados, como braceletes metálicos, projéteis de pedra e fragmentos arquitetônicos reaproveitados.
A continuidade da atividade oleícola entre os séculos III e VI d.C., atravessando períodos romano, vândalo e bizantino, mostra que o óleo de oliva produzido na Tunísia foi um fator de estabilidade econômica.
O complexo combina prensas de grande porte, integração com cultivos de cereais, núcleo habitacional e conexão com rotas comerciais, evidenciando como o azeite romano articulava trabalho, comércio e vida comunitária.
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