Abelhas podem aprender a evitar pesticidas antes de encostar neles: inteligência artificial encontrou moléculas com cheiro capaz de afastá-las da área tratada
Inteligência artificial identifica compostos repelentes capazes de afastar abelhas e abre caminho para reduzir sua exposição a pesticidas
Repelentes para abelhas identificados por inteligência artificial podem ajudar a reduzir o contato desses insetos com pesticidas agrícolas. Pesquisadores americanos analisaram mais de 50 milhões de moléculas e identificaram compostos capazes de afastar abelhas em experimentos de laboratório e campo, abrindo uma possibilidade para proteger polinizadores.
Como os repelentes para abelhas podem reduzir o contato com pesticidas?
As abelhas desempenham papel essencial na reprodução de plantas silvestres e no cultivo de alimentos. Entretanto, durante a coleta de néctar e pólen, podem entrar em contato com resíduos de pesticidas presentes nas flores e transportar substâncias contaminantes até suas colmeias.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Riverside investigaram uma alternativa: utilizar odores desagradáveis para afastar temporariamente as abelhas de áreas tratadas. A estratégia pretende modificar seu comportamento antes da exposição, sem depender de substâncias destinadas a matar insetos. Os compostos selecionados ainda precisam passar por avaliações de segurança.
O que a inteligência artificial descobriu sobre os cheiros repelentes?
A equipe desenvolveu modelos de aprendizado de máquina capazes de relacionar características químicas das moléculas às respostas comportamentais das abelhas. Inicialmente, utilizou dados publicados sobre substâncias conhecidas e realizou experimentos adicionais para melhorar a capacidade de previsão.
Depois, os pesquisadores examinaram computacionalmente milhões de compostos, selecionando candidatos para testes com insetos vivos. Cinco resultados se destacaram:
- Mais de 50 milhões de moléculas foram avaliadas computacionalmente;
- Mais de 130 compostos foram identificados como candidatos repelentes;
- Os modelos utilizaram informações sobre estruturas químicas tridimensionais;
- Vinte e oito candidatos foram selecionados para uma etapa de testes comportamentais;
- Sete compostos promissores foram avaliados com abelhas em condições de campo.

Como os repelentes para abelhas conseguem modificar o comportamento?
As abelhas possuem um sistema olfativo sofisticado, com mais de 170 receptores relacionados à detecção de odores. Essas estruturas permitem reconhecer compostos liberados pelas flores, identificar recursos alimentares e responder a sinais químicos associados ao ambiente.
Quando determinadas moléculas produzem uma resposta aversiva, os insetos podem evitar sua origem. Os compostos estudados funcionam como sinais químicos repelentes, não como barreiras físicas. Embora a exposição anterior possa influenciar comportamentos, o experimento não demonstrou que as abelhas precisem aprender a evitar cada substância: parte da resposta pode ocorrer sem treinamento prévio.
Quais evidências científicas confirmaram a eficácia dos compostos?
A pesquisa foi liderada por Joel Kowalewski e Anandasankar Ray, com participação de Barbara Baer-Imhoof e outros colaboradores da Universidade da Califórnia em Riverside. Publicado em 23 de setembro de 2026 na revista eLife, o estudo científico original combinou modelagem computacional e experimentos comportamentais.
Os cientistas começaram com um modelo treinado para identificar moléculas potencialmente desagradáveis. Após testes preliminares envolvendo abelhas e moscas-das-frutas, aprimoraram as previsões. Os sete candidatos principais apresentaram forte efeito repelente em abelhas que procuravam alimento livremente, demonstrando que as previsões não se limitavam ao ambiente computacional.
Quais números mostram o potencial dos repelentes para abelhas?
A investigação demonstra como a combinação entre inteligência artificial e experimentos pode acelerar a identificação de substâncias promissoras. Em vez de testar milhões de moléculas individualmente, os cientistas utilizaram previsões para concentrar esforços em um conjunto reduzido de candidatos.
Entretanto, os números representam etapas diferentes da pesquisa. A quantidade de compostos examinados digitalmente não corresponde ao número de substâncias que tiveram eficácia comprovada em campo. Essa distinção é fundamental para interpretar os resultados.
| Etapa da pesquisa | Resultado |
|---|---|
| Triagem computacional | Mais de 50 milhões de moléculas |
| Candidatos identificados | Mais de 130 compostos |
| Compostos selecionados para testes comportamentais | 28 moléculas |
| Principais candidatos avaliados em campo | 7 compostos |
O que essa descoberta pode representar para a agricultura?
A possibilidade de incorporar substâncias repelentes a determinadas formulações agrícolas poderia ajudar a reduzir visitas de abelhas durante períodos de exposição a pesticidas. Entretanto, será necessário determinar quanto tempo os odores permanecem ativos e se interferem na polinização das culturas.
A estratégia ainda não foi demonstrada como solução comercial para proteger colmeias. Também não substitui práticas de manejo destinadas a reduzir riscos aos polinizadores. Novas pesquisas precisarão avaliar toxicidade, eficácia em diferentes culturas, impactos sobre outras espécies e possíveis consequências da redução temporária das visitas às flores.
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