Abelhas entendem a “matemática” do número zero
Mesmo insetos como abelhas conseguem discriminar pequenas quantidades e associar estímulos a recompensas
Ao longo da história, a ideia de “nada” como número transformou a matemática e inspirou pesquisas que investigam se outras espécies, como primatas, aves e insetos, também conseguem representar a ausência numérica de forma abstrata, revelando possíveis bases biológicas compartilhadas para o conceito de zero.
Como surgiu o zero e por que esse número é tão importante?
O zero não foi sempre entendido como número: em muitas culturas antigas, “nada” era apenas ausência, sem símbolo próprio. Povos da Índia, Mesopotâmia e do mundo árabe passaram a usar um sinal para marcar a falta de unidades em sistemas posicionais.
Essa inovação permitiu cálculos complexos, impulsionou a álgebra e é hoje essencial em física, engenharia, computação e modelos estatísticos, sustentando grande parte da ciência moderna.

O que é cognição numérica em animais?
A cognição numérica estuda como animais lidam com quantidades sem depender de linguagem ou símbolos escritos. Pesquisas analisam como diferentes espécies distinguem conjuntos, padrões e relações como “mais” ou “menos”.
Ao observar decisões em tarefas de escolha e recompensa, cientistas investigam se o entendimento de “nada” como menor valor é exclusivo da cultura humana ou tem raízes evolutivas compartilhadas.
Animais realmente conseguem compreender o zero?
Estudos com macacos, papagaios e outros animais mostram que alguns indivíduos tratam a ausência de elementos como uma condição específica, e não só como falta de estímulo. Quando “nenhum item” passa a ser visto como a menor quantidade, aproxima-se o conceito de zero.
Mesmo insetos como abelhas conseguem discriminar pequenas quantidades, associar estímulos a recompensas e, em certas situações, escolher “nenhuma unidade” em vez de poucas unidades, sugerindo uma representação numérica abstrata.
Quais vantagens evolutivas existem em perceber o “nada”?
Na natureza, distinguir entre “nenhum predador” e “um predador” ou entre “sem alimento” e “algum alimento” afeta diretamente a sobrevivência. Perceber a ausência como estado específico favorece decisões rápidas e eficientes.
Em espécies sociais, notar quando algo esperado não aparece, como um parceiro, um cheiro, ou um marco espacial, ajuda na coordenação de grupo, navegação e estratégias de forrageamento e defesa.

O que as pesquisas sobre zero em animais revelam e quais são os próximos passos?
Os resultados até 2025 indicam que lidar funcionalmente com o zero pode ter surgido diversas vezes na evolução. Em vez de buscar apenas paralelos com humanos, pesquisadores analisam soluções variadas que diferentes espécies usam para resolver problemas numéricos.
Entre os achados mais recorrentes em estudos de cognição numérica animal, destacam-se alguns comportamentos:
- Reconhecimento de pequenas quantidades, como um a quatro itens.
- Preferência sistemática por conjuntos maiores ou menores quando há recompensa.
- Diferenciação entre ausência total e presença de poucos elementos.
- Generalização desse conhecimento para novas situações e contextos.
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