A tumba da coruja e os segredos do mundo dos mortos zapoteca
Uma escultura monumental de uma cabeça de coruja com o rosto de um homem entre o bico se tornou o principal símbolo da descoberta
Um achado arqueológico de aproximadamente 1.400 anos em San Pablo Huitzo, no estado de Oaxaca, no México, chamou a atenção de especialistas pela preservação excepcional das pinturas e esculturas em uma tumba atribuída ao povo zapoteca.
Uma escultura monumental de uma cabeça de coruja com o rosto de um homem entre o bico se tornou o principal símbolo da descoberta e oferece pistas raras sobre rituais funerários, universo religioso e organização social dessa civilização mesoamericana.
Quem foram os zapotecas na história de Oaxaca?
Os zapotecas ocuparam o atual território de Oaxaca desde pelo menos o século VI a.C., desenvolvendo centros urbanos, sistema de escrita e tradições religiosas complexas.
No período pós-clássico, mantinham relações de conflito e aliança com outros povos, como os astecas, controlando rotas comerciais estratégicas.
Mesmo após a conquista espanhola no século XVI, comunidades zapotecas persistem, preservando língua, costumes e vínculos com o território.

O que a tumba da coruja revela sobre a sociedade zapoteca?
A tumba, datada do período clássico mesoamericano, apresenta murais em tons de verde, branco, azul e vermelho, ligados a rituais de morte e passagem ao mundo dos ancestrais.
A conservação excepcional permite observar pigmentos, indumentárias e gestos rituais raramente preservados, além de figuras humanas esculpidas na entrada, segurando objetos cerimoniais.
Por que a coruja é central no simbolismo funerário zapoteca?
A estátua da coruja domina o friso da tumba e concentra a carga simbólica do conjunto, associada à noite, ao mundo dos mortos e às mensagens do além.
Entre os zapotecas, a coruja marcaria transições entre planos de existência, o que explica sua presença em contexto funerário de alto status. A cabeça humana no bico da ave pode representar o falecido ou uma figura mítica que guia a alma em sua jornada.

Como essa descoberta se relaciona com outros sítios zapotecas?
A tumba de San Pablo Huitzo se soma a pesquisas recentes com tecnologia LiDAR, que identificaram, por exemplo, uma possível fortaleza zapoteca perto de Santo Domingo Tehuantepec.
Esse sítio apresenta quadras de jogo de bola e sistemas defensivos, revelando estratégias militares, controle territorial e dinâmicas políticas complexas. Em conjunto, fortalezas e tumbas mostram como guerra, comércio e religião se articulavam em um mesmo sistema de poder.

Nesse panorama, a tumba da coruja complementa os dados militares e administrativos com uma dimensão simbólica e ritual, permitindo comparar práticas entre diferentes centros zapotecas. Entre os principais elementos que aproximam essa tumba de outros sítios, destacam-se:
- Uso de murais policromados em contextos cerimoniais e funerários.
- Arquitetura subterrânea associada a elites e ancestrais venerados.
- Presença de iconografia animal ligada a mediação entre mundos.
Quais são os principais desafios de preservar a tumba da coruja?
Estruturas subterrâneas com murais antigos são vulneráveis à umidade, variações de temperatura, luz e ação de raízes, insetos e microrganismos.
Sem manejo adequado, pinturas e relevos podem se deteriorar rapidamente, comprometendo dados cruciais para a pesquisa arqueológica e para a memória das comunidades zapotecas atuais.
Por isso, equipes do INAH priorizam controle de acesso, monitoramento ambiental, estabilização de pigmentos e análises laboratoriais dos materiais usados na tumba.
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