A mulher que pagou pouco mais de 5 mil euros por uma ruína na Sicília e investiu meio milhão para reconstruí-la
Meredith Tabbone restaurou dois imóveis históricos ligados às origens de sua família, enquanto o programa municipal atraiu novos investimentos para Sambuca.
Uma pesquisa sobre as origens da própria família levou uma americana até uma pequena cidade italiana marcada por imóveis vazios e décadas de abandono. O anúncio parecia oferecer uma propriedade pelo preço de uma moeda, mas a transformação exigiria anos de trabalho e um investimento muito maior.
Como as casas de 1 euro levaram Meredith Tabbone à Sicília?
Meredith Tabbone, consultora financeira de Chicago, pesquisava a história de sua família quando encontrou registros ligados a Sambuca di Sicilia, cidade de onde seu bisavô havia emigrado. Em 2019, ela descobriu que a prefeitura colocaria imóveis abandonados em leilão com lances iniciais de apenas 1 euro e decidiu participar.
Ela não comprou uma vila inteira nem pagou somente 1 euro pelo imóvel. Seu lance vencedor ficou em aproximadamente 5.500 euros. A propriedade estava sem eletricidade e água corrente, apresentava danos estruturais e exigia uma reconstrução praticamente completa antes de voltar a ser habitável.
O que os compradores precisam assumir além do valor simbólico?
Os programas italianos não entregam residências prontas por uma moeda. Em Sambuca, os imóveis são oferecidos em leilões que começam com valores simbólicos, mas vence quem apresenta a melhor proposta. Além disso, o comprador precisa arcar com documentação, projetos, mão de obra e todas as intervenções exigidas para recuperar a construção.
- Apresentar um lance pela propriedade
- Pagar taxas notariais e administrativas
- Entregar uma garantia financeira
- Contratar arquitetos e engenheiros
- Concluir a reforma dentro do prazo
- Respeitar as regras de preservação local
O vídeo “I Turned A $1 Property In Italy Into My Dream Home”, publicado pelo Business Insider, acompanha Meredith dentro da propriedade restaurada e recupera imagens do estado original do edifício. A produção mostra as dificuldades da obra, os ambientes reconstruídos e a diferença entre o preço divulgado no anúncio e o custo necessário para salvar uma residência histórica.
Quanto custa realmente reformar as casas de 1 euro?
Meredith comprou também uma construção vizinha e integrou os dois imóveis em uma residência de aproximadamente 250 metros quadrados. Ao longo de quatro anos e meio, ela investiu cerca de US$ 500 mil na recuperação, incluindo reforços estruturais, novas instalações elétricas e hidráulicas, nivelamento dos pisos e restauração de características arquitetônicas antigas.
O caso mostra que as casas de 1 euro funcionam como um incentivo para atrair capital e novos moradores, não como moradia praticamente gratuita. Em rodadas realizadas em Sambuca, vários imóveis terminaram vendidos por valores entre 5 mil e 10 mil euros, enquanto as reformas podiam variar de dezenas a centenas de milhares de euros.
A residência virou realmente um resort sustentável?
Não há evidência confiável de que Meredith tenha transformado a propriedade em um resort sustentável. O resultado principal foi uma grande residência particular chamada Casa dell’Architetto, homenagem ao pai dela, que era arquiteto. O espaço possui quatro quartos, áreas externas e elementos históricos preservados, mas não corresponde a uma vila inteira convertida em complexo hoteleiro.
Ela também adquiriu outros espaços próximos com planos ligados a hóspedes, arte e convivência. Ainda assim, chamar o conjunto de resort amplia o projeto além do que as fontes comprovam. A sustentabilidade mais evidente está na recuperação de edifícios existentes, evitando que construções antigas desabem e reduzindo a necessidade de ocupar novas áreas.

Como os estrangeiros ajudaram a movimentar a economia local?
Mesmo quando o comprador utiliza a casa somente em parte do ano, a reforma movimenta arquitetos, pedreiros, encanadores, eletricistas, lojas de materiais e empresas de mobiliário. Depois da conclusão, visitantes e proprietários passam a consumir em restaurantes, mercados e pequenos negócios da cidade. Por isso, o valor simbólico funciona como uma porta de entrada para investimentos muito maiores.
Em Sambuca, as primeiras rodadas ajudaram a reaquecer também o mercado imobiliário privado. A administração municipal estimou que as vendas e reformas atraíram aproximadamente 20 milhões de euros para a economia da região. Além disso, compradores estrangeiros convenceram amigos e parentes a adquirir outros imóveis, formando uma nova comunidade internacional.
Por que as casas de 1 euro continuam sendo oferecidas na Itália?
Diversas cidades pequenas enfrentam envelhecimento populacional, saída dos jovens e imóveis vazios que podem desabar. Em vez de assumir sozinhas os custos da recuperação, as prefeituras conectam proprietários ou edifícios públicos a compradores dispostos a restaurá-los. Gangi, na Sicília, tornou-se uma das referências iniciais desse modelo, posteriormente adotado por outros municípios.
O programa de casas de 1 euro não permite comprar uma cidade inteira por uma moeda, mas pode recuperar partes importantes de um centro histórico. Sambuca chegou a lançar uma nova rodada com imóveis a partir de 3 euros, mantendo a obrigação de reforma. A prefeitura de Sambuca di Sicilia publica os editais, documentos e propriedades disponíveis, deixando claro que o verdadeiro compromisso começa depois da compra.
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