A mais de 1.200 metros de profundidade, existe um lugar onde petróleo pesado escorre para fora do fundo do mar e se transforma em asfalto
Vazamentos naturais de hidrocarbonetos criam fluxos endurecidos semelhantes a lava em regiões profundas do Golfo do México
No fundo do Golfo do México, hidrocarbonetos naturais conseguem escapar de sedimentos profundos e surgir diretamente sobre o leito oceânico. Em alguns desses locais, um petróleo extremamente viscoso emerge lentamente, perde componentes mais voláteis e endurece, formando depósitos de asfalto submarino que lembram fluxos de lava congelados. Esses ambientes já foram encontrados entre aproximadamente 1.200 e mais de 3.000 metros de profundidade.
Como o asfalto submarino consegue surgir diretamente do fundo do mar?
A região do Golfo do México possui extensos depósitos de petróleo e gás abaixo do leito oceânico. Falhas, fraturas e estruturas associadas a antigas camadas de sal podem criar caminhos que permitem a migração natural desses hidrocarbonetos até a superfície dos sedimentos.
Quando o material que consegue escapar é um petróleo muito pesado, seu comportamento é bastante diferente do óleo fluido normalmente imaginado. Ele pode chegar ao fundo como uma substância extremamente viscosa, avançar lentamente sobre o sedimento e depois sofrer alterações físicas e químicas que o transformam em um depósito semelhante ao asfalto.
O que os pesquisadores encontram nessas áreas de vazamento natural?
No sul do Golfo do México, estudos encontraram depósitos de asfalto em elevações submarinas situadas aproximadamente entre 1.230 e 3.150 metros de profundidade. Alguns locais apresentam estruturas semelhantes a línguas, cordas e derramamentos, registrando diferentes episódios de extrusão de hidrocarbonetos pesados.
Entre os elementos observados nesses ambientes estão:
- Petróleo pesado emergindo do sedimento.
- Grandes superfícies cobertas por asfalto endurecido.
- Bolhas de gás escapando do fundo.
- Depósitos de hidratos de gás em algumas áreas.
- Comunidades de organismos associadas aos vazamentos.
Este vídeo utiliza imagens do programa NOAA Okeanos Explorer e mostra uma estrutura de asfalto encontrada a cerca de 1.900 metros de profundidade no Golfo do México, inicialmente confundida com um possível naufrágio.
Por que o asfalto submarino parece uma lava escorrendo?
A comparação existe principalmente por causa da aparência. Em locais como Chapopote Knoll, o hidrocarboneto pesado avançou lateralmente pelo fundo e produziu estruturas onduladas e ásperas parecidas com aquelas observadas em alguns fluxos vulcânicos.
A origem, entretanto, é completamente diferente. Não se trata de rocha derretida por temperaturas extremas, mas de petróleo muito viscoso. Depois de alcançar o fundo, o material perde componentes mais leves, torna-se progressivamente mais espesso e finalmente endurece, deixando grandes massas de asfalto sobre o sedimento.
Em que profundidade esses vazamentos já foram encontrados?
Um dos exemplos documentados pela NOAA fica em Henderson Ridge, no norte do Golfo do México, onde um ROV encontrou petróleo de alta viscosidade emergindo do fundo a aproximadamente 1.150 metros. Outros depósitos aparecem ainda mais abaixo.
| Local | Profundidade aproximada |
|---|---|
| Henderson Ridge | 1.150 metros |
| Campeche Knolls | 1.230 a 3.150 metros |
| Tar Lily | Cerca de 1.900 metros |
| Chapopote Knoll | Cerca de 3.000 metros |
Em Chapopote, pesquisadores encontraram grandes fluxos solidificados cobrindo partes de uma estrutura relacionada a depósitos profundos de sal. A profundidade mostra que o fenômeno não depende de atividade humana no fundo oceânico: os hidrocarbonetos chegam naturalmente ao leito por caminhos geológicos.
Como o asfalto submarino consegue sustentar vida no fundo do oceano?
Os vazamentos frequentemente liberam também metano, sulfeto de hidrogênio e outros compostos utilizados por microrganismos capazes de produzir energia através da quimiossíntese. Esses organismos formam a base de ecossistemas que não dependem diretamente da luz solar.
Ao redor dos depósitos podem aparecer tapetes bacterianos, mexilhões, vermes tubícolas e diversos invertebrados. O próprio asfalto endurecido também cria uma superfície rígida onde esponjas, anêmonas e outros organismos conseguem se fixar em regiões que, de outra forma, seriam dominadas por sedimentos moles.

O material realmente sai do fundo já na forma de asfalto líquido?
Essa descrição precisa de uma pequena correção. O que emerge é principalmente petróleo pesado e altamente viscoso, não exatamente o mesmo asfalto industrial utilizado em estradas. A NOAA registrou em Henderson Ridge tubos negros de óleo viscoso saindo do sedimento e endurecendo posteriormente.
O resultado final, porém, é impressionante: o material solidificado forma verdadeiros campos de asfalto submarino, alguns com aparência de derramamentos congelados. Em regiões profundas do Golfo do México, processos geológicos naturais conseguem produzir paisagens que lembram vulcões, embora o material expelido seja petróleo pesado em vez de magma.
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