A maior mina a céu aberto do mundo virou uma cratera de mais de 1,2 km de profundidade
Mais de um século de mineração transformou parte das montanhas de Utah em uma das maiores escavações já feitas pelo ser humano
Vista do alto, Bingham Canyon parece uma imensa espiral escavada nas montanhas de Utah, nos Estados Unidos. A mina de cobre é classificada pelo Serviço Geológico de Utah como a maior escavação feita pelo ser humano e a mina a céu aberto mais profunda do mundo. Mais de um século de retirada de rocha transformou parte das montanhas Oquirrh em um poço com cerca de 4 quilômetros de largura e mais de 1,2 quilômetro de profundidade.
Por que Bingham Canyon é considerada uma das maiores minas do planeta?
A exploração está localizada a sudoeste de Salt Lake City e começou em grande escala no início do século XX. Em 1906, técnicas de mineração a céu aberto permitiram extrair enormes volumes de minério de baixo teor, uma estratégia que depois se tornaria comum nas grandes minas de cobre espalhadas pelo mundo.
A classificação exige cuidado porque “maior mina” pode significar área, profundidade, produção ou reservas minerais. Bingham Canyon se destaca sobretudo como enorme escavação a céu aberto e como a mais profunda desse tipo. Outras operações, como Chuquicamata, no Chile, também aparecem em classificações de tamanho dependendo do critério utilizado.
Como uma montanha virou um buraco gigantesco?
A mina explora um depósito do tipo cobre pórfiro, no qual pequenas concentrações de minerais economicamente importantes estão distribuídas por grande quantidade de rocha. Para chegar ao minério, caminhões, perfuratrizes e explosivos removem sucessivamente enormes volumes das paredes.
O resultado são os característicos degraus, chamados bancadas, que formam círculos sucessivos em direção ao fundo. Além de cobre, o depósito também contém molibdênio, ouro e prata, recuperados durante o processamento do material extraído.
- Mais de 1,2 km de profundidade;
- Cerca de 4 km de largura;
- Exploração industrial desde 1906;
- Produção principalmente de cobre;
- Ouro, prata e molibdênio como produtos associados.
Veja uma visão da escala da mina:
Quanto cobre já saiu de Bingham Canyon?
A quantidade acumulada é extraordinária. Dados do Serviço Geológico de Utah indicam que a mina produziu mais de 21 milhões de toneladas de cobre desde o início das operações a céu aberto. A região permanece uma das áreas de mineração de cobre mais importantes dos Estados Unidos.
A dimensão de Bingham Canyon também reflete uma característica da mineração moderna: muitas jazidas economicamente relevantes possuem concentração relativamente baixa de metal. Isso exige movimentar e processar grandes quantidades de rocha para obter cobre suficiente para fios elétricos, motores, eletrônicos, redes de energia e outras aplicações.
O que a geologia explica sobre o tamanho da mina?
O depósito pertence à classe dos pórfiros cupríferos, sistemas geológicos associados a antigos corpos de magma que liberaram fluidos quentes ricos em metais. Esses fluidos circularam por fraturas e alteraram grandes volumes de rocha, formando mineralizações dispersas de cobre, ouro, molibdênio e outros elementos.
O Serviço Geológico de Utah descreve Bingham Canyon como a maior escavação artificial do mundo e ressalta sua importância histórica para o desenvolvimento da mineração de depósitos de baixo teor em grande escala. A geologia do local é estudada há décadas e tornou-se uma referência para depósitos de cobre pórfiro.

Qual é realmente a escala dessa escavação?
O poço possui dimensões difíceis de perceber em fotografias sem objetos de referência. Caminhões gigantes usados para transportar minério, por exemplo, parecem minúsculos quando vistos das bordas superiores. O Serviço Geológico de Utah já estimou aproximadamente 1.100 metros entre o fundo e a borda em medições anteriores, e a mineração continuou aprofundando e ampliando setores do poço.
Um levantamento do USGS sobre mudanças topográficas nos Estados Unidos também identificou Bingham Canyon como a maior área de corte analisada, com 8,75 quilômetros quadrados e aproximadamente 1,25 bilhão de metros cúbicos de alteração de relevo no período considerado pelo estudo. Esses valores não representam todo o material já movimentado na história da mina
.Por que Bingham Canyon ainda continua sendo explorada?
A mina continua relevante porque o depósito ainda contém reservas e recursos minerais economicamente aproveitáveis. A Rio Tinto, proprietária da operação Kennecott, vem realizando ampliações e estudos para acessar novas áreas, além de combinar operações de superfície com desenvolvimento subterrâneo.
O futuro de Bingham Canyon dependerá de fatores como reservas disponíveis, preço do cobre, segurança geotécnica e custos de produção. À medida que o poço cresce, estabilizar suas paredes se torna cada vez mais complexo, especialmente depois de grandes deslizamentos como o ocorrido em 2013, que demonstrou a escala dos riscos envolvidos em uma escavação dessa magnitude.
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