A lagarta carnívora do Havaí que se disfarça com restos de insetos e intriga cientistas
Entenda como a lagarta carnívora do Havaí usa teias de aranha, restos de insetos e camuflagem para sobreviver
Entre as florestas úmidas das montanhas Waiʻanae, na ilha de Oahu, uma pequena lagarta chama a atenção de pesquisadores pela forma como sobrevive. Popularmente apelidada de “bone collector”, essa lagarta carnívora vive em teias de aranha abandonadas ou ativas, alimenta-se de insetos capturados e utiliza os restos das presas como armadura, o que gerou grande interesse científico após destaque em 2025 na revista Science.
O que é a lagarta carnívora “bone collector” do Havaí?
A “bone collector” é o estágio larval de uma mariposa do gênero Hyposmocoma, endêmica de uma área de cerca de 15 km² nas montanhas Waiʻanae, em Oahu. Seu apelido se deve ao hábito de acumular partes rígidas das presas, como pernas e exoesqueletos, ao redor de um casulo portátil de seda.
Esse estojo funciona como abrigo, escudo e disfarce, tornando a lagarta semelhante a detritos da floresta. A espécie representa uma linha evolutiva muito antiga do arquipélago havaiano, reforçando o valor científico e conservacionista desse grupo de mariposas.
Como funciona o comportamento predatório dessa lagarta carnívora?
Ao contrário da maioria das lagartas herbívoras, a “bone collector” adota um comportamento claramente predatório e oportunista. Ela se posiciona em teias de aranha existentes, aproveitando insetos já capturados ou atraídos para a estrutura de seda, o que reduz o gasto de energia com a construção de armadilhas próprias.
Quando um inseto fica preso, a lagarta aproxima-se lentamente, consome as partes macias e pode incorporar os restos ao seu estojo. Esse comportamento integra alimentação, defesa e camuflagem em um único sistema adaptativo, favorecendo a sobrevivência em ambiente competitivo.
Assista a um vídeo que demonstra o inseto:
A rare carnivorous caterpillar stalks spiderwebs for food whilst dressed in the remains of its prey, a 2025 Science study reported.
— Science Magazine (@ScienceMagazine) April 2, 2026
This species, dubbed the “bone collector,” is found only on a single mountainside on the Hawai’ian island of Oa’hu.
Learn more:… pic.twitter.com/t4JGxhZWfE
Por que a lagarta “bone collector” está ameaçada de extinção?
A espécie tem distribuição extremamente restrita, limitada a uma pequena faixa de floresta úmida nas montanhas Waiʻanae. Em ilhas pequenas, qualquer alteração do ambiente pode afetar rapidamente populações inteiras, tornando essa lagarta especialmente vulnerável.
Fatores como espécies invasoras, incêndios florestais, mudanças no uso do solo e alterações climáticas afetam tanto a floresta quanto as teias de aranha e os insetos dos quais depende. Estudos indicam que sua linhagem pode ter mais de 6 milhões de anos, o que torna sua perda um empobrecimento profundo da biodiversidade havaiana.
Quais são as principais características ecológicas da espécie?
As principais características ecológicas da “bone collector” ajudam a explicar seu sucesso local e sua alta especialização no uso das teias e dos recursos disponíveis. A seguir, alguns aspectos se destacam no modo de vida dessa lagarta carnívora:
Alimentação
Baseada em pequenos insetos e outros artrópodes presos em teias, aproveitando presas já capturadas no ambiente ao redor.
Abrigo
Constrói um tubo móvel de seda recoberto por fragmentos de presas, formando uma estrutura que serve como proteção e deslocamento.
Camuflagem
A aparência semelhante a detritos ajuda a reduzir a detecção por predadores e favorece a permanência discreta no ambiente.
Interação com aranhas
O uso de teias como suporte indica uma relação ecológica interessante, embora os detalhes dessa interação ainda estejam em estudo.
O que a “bone collector” revela sobre a biodiversidade das ilhas havaianas?
A existência dessa lagarta carnívora mostra como ilhas isoladas funcionam como laboratórios naturais de evolução, onde poucas linhagens exploram nichos ecológicos extremos. A transformação de uma lagarta típica em predadora que usa restos de presas como armadura ilustra a criatividade evolutiva em ambientes insulares.
Por ser um símbolo de especialização e fragilidade ecológica, a “bone collector” vem sendo usada em discussões sobre conservação, áreas protegidas e controle de espécies invasoras no Havaí. Sua divulgação em revistas internacionais reforça a urgência de proteger a biodiversidade única do arquipélago.
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