A incrível descoberta arqueológica sobre a origem misteriosa da pilha de Matarrubilla
Recentes pesquisas revelaram informações inéditas sobre a origem e o transporte de uma das peças centrais desse monumento, trazendo à tona aspectos surpreendentes.
Localizado no sítio arqueológico de Valencina de la Concepción, próximo a Sevilha, o monumento megalítico de Matarrubilla tem despertado grande interesse entre arqueólogos e estudiosos da pré-história europeia.
Recentes pesquisas revelaram informações inéditas sobre a origem e o transporte de uma das peças centrais desse monumento, trazendo à tona aspectos surpreendentes sobre as capacidades técnicas das comunidades do terceiro milênio antes de Cristo na Península Ibérica.
O destaque do monumento é uma pilha monolítica de gesso, situada no centro da câmara principal.
Com mais de um metro cúbico de volume e pesando cerca de 2.200 quilos, essa estrutura chama atenção não apenas pelo tamanho, mas também pela sua composição e pelo percurso realizado até chegar ao local.
O estudo detalhado da pilha permitiu identificar a origem da rocha e o método de transporte utilizado, alterando significativamente a compreensão sobre o desenvolvimento do megalitismo na região.
Como foi identificado o transporte marítimo da pilha de Matarrubilla?
Pesquisadores realizaram análises geológicas e petrográficas para determinar a procedência da pedra utilizada na pilha central. Os resultados apontaram que a rocha, uma brecha de gesso deformada tectonicamente, não é encontrada nas proximidades de Valencina.
A comparação com afloramentos do sul da Península Ibérica indicou que a origem mais provável está na região de Las Cabezas de San Juan, a cerca de 55 quilômetros em linha reta do sítio arqueológico, mas separada por uma antiga enseada marinha do rio Guadalquivir.
Essa configuração geográfica, há aproximadamente cinco mil anos, exigiu que a pedra fosse transportada por via aquática, utilizando embarcações ou jangadas capazes de suportar grandes pesos. Após a travessia do estuário, a peça ainda precisou ser arrastada por cerca de três quilômetros até o topo do Aljarafe, onde se encontra atualmente.
Esse feito representa a primeira evidência documentada de navegação megalítica na pré-história da Península Ibérica.
Un equipo
— 🇪🇸 Impulsa España (@ImpulsaEspana) June 15, 2025
de arqueólogos españoles 🇪🇸 descubre que la piedra con la que se construyó la excepcional pila megalítica de Matarrubilla viajó decenas de kilómetros por mar 🌊
Vía @muyinteresante https://t.co/aKAJKu0583#España #Arqueología #Cultura
Quais são as características arquitetônicas do tholos de Matarrubilla?
O tholos de Matarrubilla integra um conjunto de monumentos megalíticos de grande porte na região de Valencina, ao lado de estruturas como La Pastora e Montelirio.
Sua arquitetura é composta por um corredor de acesso e uma câmara circular com aproximadamente 2,75 metros de diâmetro, totalizando mais de 36 metros de comprimento.
No centro da câmara, encontra-se a pilha monolítica, cuja forma retangular e acabamento refinado sugerem uma função ritual ou simbólica.
As análises das marcas de entalhe presentes na pilha indicam que ela foi esculpida com ferramentas de pedra polida, anteriores ao uso de instrumentos metálicos. Isso sugere que a peça foi confeccionada em uma fase muito antiga, possivelmente anterior à construção do próprio tholos.
A ausência de pigmentação ou decoração reforça a hipótese de que a escolha do material e sua aparência natural tinham importância simbólica para a comunidade.
Qual o impacto dessa descoberta para o estudo do megalitismo ibérico?
A identificação do transporte marítimo da pilha de Matarrubilla amplia o entendimento sobre as capacidades técnicas e organizacionais das sociedades pré-históricas do sudoeste europeu.
O planejamento e a execução do deslocamento de uma pedra de mais de duas toneladas por água e terra demonstram um elevado grau de conhecimento logístico e social.
Além disso, a datação por luminescência dos sedimentos sob a pilha revelou que sua colocação ocorreu entre 4544 e 3227 a.C., anterior aos demais monumentos conhecidos em Valencina.
- Capacidade de navegação: O uso de embarcações para transporte de grandes blocos de pedra indica domínio de técnicas náuticas avançadas para a época.
- Organização social: A mobilização de recursos humanos e materiais em larga escala sugere uma sociedade estruturada e capaz de realizar grandes empreendimentos coletivos.
- Intercâmbio cultural: A presença de matérias-primas exóticas, como marfim e âmbar, reforça a ideia de Valencina como um centro de convergência e trocas culturais.
Embora existam paralelos distantes em monumentos da Irlanda e de Malta, a pilha de Matarrubilla se destaca por suas dimensões, material e contexto, não havendo equivalentes diretos na Península Ibérica.
O estudo desse monumento contribui para repensar a origem e a evolução do megalitismo, evidenciando a complexidade e o dinamismo das sociedades que habitaram a região do Guadalquivir há mais de cinco mil anos.
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