A impressionante ilha de concreto que abrigou quase 5.300 pessoas e foi abandonada às pressas no meio do oceano
Prédios, escolas e apartamentos ficaram entregues aos tufões depois que uma comunidade inteira deixou o lugar em poucos meses
No meio do mar, diante da costa de Nagasaki, uma pequena massa cercada por muralhas parece carregar os restos de uma cidade inteira. Prédios altos, corredores vazios e apartamentos destruídos pelo tempo permanecem apertados em poucos metros de terra, como se milhares de moradores tivessem desaparecido de repente.
Como uma pequena rocha no mar virou uma cidade de concreto?
Durante o processo de industrialização do Japão, o carvão tornou-se essencial para movimentar fábricas, navios e outras estruturas do país. Uma área próxima a Nagasaki escondia jazidas sob o fundo do mar, levando empresas a transformar uma pequena ilha rochosa em base para uma grande operação de mineração submarina.
À medida que a produção crescia, era necessário manter os trabalhadores perto dos poços. O espaço disponível, porém, era extremamente limitado. Em vez de expandir horizontalmente, os responsáveis ergueram blocos residenciais de vários andares, escolas, comércio, hospital e instalações de lazer, comprimindo uma comunidade completa dentro de muralhas voltadas contra o oceano.
O que era a ilha de Hashima antes de ficar vazia?
A ilha de Hashima, também conhecida como Gunkanjima, foi comprada pela Mitsubishi em 1890 e transformada em um dos centros de mineração mais intensos do Japão. Seus túneis avançavam sob o mar, enquanto trabalhadores e famílias viviam em edifícios de concreto construídos para suportar tufões, mares agitados e a falta de espaço.
A pequena cidade chegou a reunir milhares de pessoas e oferecia estruturas surpreendentes para seu tamanho:
- Blocos residenciais de concreto com vários andares
- Escola para as crianças das famílias da ilha
- Hospital e instalações de atendimento médico
- Lojas, restaurantes e áreas de convivência
- Cinema, casa de banho e espaços de lazer
- Muralhas altas para enfrentar ondas e tufões
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Para complementar o tema, o vídeo abaixo apresenta imagens e uma explicação visual sobre a ascensão e o abandono de Hashima, ajudando a compreender como uma ilha tão pequena conseguiu abrigar uma cidade industrial inteira:
Em seu auge, Hashima parecia um labirinto vertical. As famílias ocupavam apartamentos próximos aos locais de trabalho, crianças percorriam corredores estreitos e quase todos os espaços disponíveis possuíam alguma função. Vista de longe, sua muralha e seus prédios lembravam um navio de guerra, origem do apelido japonês Gunkanjima, que significa “Ilha Encouraçado”.
Por que tanta gente aceitava viver em um lugar tão apertado?
A mineração oferecia empregos e salários importantes para muitas famílias, além de moradia próxima ao trabalho. Em uma época de rápida expansão industrial, morar em Hashima significava fazer parte de uma atividade estratégica para o país. A ilha também possuía eletricidade, aparelhos domésticos e serviços que nem sempre estavam disponíveis em outras regiões japonesas.
Essa história, porém, também possui um lado doloroso. Durante o período de guerra, trabalhadores coreanos e chineses foram levados para atividades pesadas em condições coercitivas e perigosas. Por isso, Hashima não representa apenas modernização e engenharia, mas também disputas históricas relacionadas à exploração de pessoas dentro das minas.
Como a ilha de Hashima foi abandonada tão rapidamente?
Durante décadas, o carvão sustentou a existência da comunidade. Quando o Japão começou a substituir esse combustível pelo petróleo, muitas minas perderam importância econômica. Em janeiro de 1974, a operação em Hashima foi oficialmente encerrada, eliminando a principal razão para milhares de pessoas continuarem morando naquele pedaço isolado de concreto.
| Momento histórico | O que aconteceu | Impacto sobre a ilha |
|---|---|---|
| 1890 | Aquisição pela Mitsubishi | Expansão da mineração submarina |
| 1916 | Construção de grande edifício residencial | Início da cidade vertical de concreto |
| 1959 | População próxima de 5.300 moradores | Densidade populacional extrema |
| Janeiro de 1974 | Fechamento oficial da mina | Início da retirada dos moradores |
| Abril de 1974 | Saída dos últimos habitantes | Transformação em cidade fantasma |
Segundo o projeto oficial dos Sítios da Revolução Industrial Meiji do Japão, a mina encerrou suas atividades em janeiro de 1974, enquanto o petróleo substituía o carvão na matriz energética. Em abril daquele mesmo ano, os moradores já haviam deixado a ilha, abandonando escolas, apartamentos e corredores que permaneceriam expostos ao mar.
O que aconteceu com os prédios depois da evacuação?
Sem moradores, manutenção ou proteção interna, os edifícios começaram a sofrer com a maresia, a chuva e os tufões. Janelas desapareceram, paredes se romperam e estruturas metálicas foram corroídas. Em vários apartamentos, objetos cotidianos permaneceram espalhados, reforçando a impressão de que a cidade foi interrompida no meio de sua rotina.
Apesar de algumas descrições afirmarem que a ilha ficou “intacta”, muitas áreas apresentam desabamentos e riscos graves. A força do oceano continua arrancando partes das construções, enquanto plantas crescem em rachaduras abertas no concreto. Grande parte de Hashima permanece fechada aos visitantes porque corredores, tetos e fachadas podem ceder sem aviso.

Por que a ilha de Hashima continua cercada de mistério?
Hashima voltou a receber visitantes em áreas controladas a partir de 2009 e tornou-se parte de um conjunto reconhecido como Patrimônio Mundial em 2015. Os passeios dependem das condições marítimas, e os turistas só podem caminhar por trajetos autorizados, mantendo distância das regiões mais degradadas da antiga cidade.
A ilha de Hashima impressiona porque reúne extremos difíceis de imaginar no mesmo espaço. Ela foi uma comunidade industrial superlotada, uma demonstração de engenharia contra o mar e um lugar marcado por histórias de trabalho forçado. Hoje, suas muralhas continuam de pé enquanto os prédios se desfazem lentamente, transformando a antiga potência do carvão em uma cidade fantasma cercada pelo oceano.
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