A ilha de energia de mais de R$ 150 bilhões que pretende concentrar turbinas no meio do Mar do Norte
Projeto dinamarquês prevê um hub offshore para reunir energia de grandes parques eólicos, mas custos elevados adiaram sua construção
A Dinamarca planejou transformar uma área remota do Mar do Norte em um gigantesco centro de distribuição de eletricidade eólica. A ilha de energia receberia energia de parques offshore, concentraria equipamentos elétricos e enviaria eletricidade para diferentes países europeus. O projeto impressiona pela escala, mas há um detalhe importante: a ilha artificial ainda não está sendo construída e seu modelo original foi adiado após uma forte alta nos custos.
Como funcionaria a ilha de energia planejada pela Dinamarca?
A ideia original prevê uma ilha artificial localizada aproximadamente 100 quilômetros da costa oeste da Dinamarca. Ela funcionaria como um grande hub marítimo, recebendo a eletricidade produzida por parques eólicos instalados ao redor e reunindo parte da infraestrutura necessária para transmitir essa energia até redes terrestres.
A capacidade inicial prevista era de 3 GW de geração eólica conectada ao hub, com possibilidade de expansão para 10 GW no futuro. Em vez de cada parque depender apenas de uma conexão individual com o continente, a ilha permitiria criar uma rede offshore mais integrada entre diferentes mercados europeus.
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Por que colocar uma enorme central elétrica no meio do oceano?
O Mar do Norte possui condições favoráveis à geração eólica offshore e concentra planos ambiciosos de expansão dessa fonte. Uma estrutura central permitiria receber grandes volumes de eletricidade perto dos próprios parques, antes de encaminhá-los por conexões submarinas de alta capacidade.
- Reunir eletricidade produzida por vários parques eólicos.
- Concentrar infraestrutura de transmissão em um hub offshore.
- Criar interligações elétricas entre diferentes países.
- Permitir expansões futuras da capacidade eólica regional.
Um vídeo do consórcio VindØ apresenta a proposta da North Sea Energy Island e mostra como uma grande ilha artificial poderia funcionar como núcleo de uma rede de parques eólicos, estações elétricas e cabos submarinos.
Por que a ilha de energia pode concentrar tanta geração eólica?
O princípio é semelhante ao de um grande entroncamento elétrico. Turbinas e parques instalados a dezenas de quilômetros da costa enviariam sua produção até o hub, onde equipamentos de transmissão fariam a integração com conexões destinadas à Dinamarca e potencialmente a outros países.
Isso não significa que “centenas de turbinas” ficariam necessariamente instaladas sobre a própria ilha. As turbinas permaneceriam espalhadas pelo mar em parques offshore. A ilha seria principalmente o ponto central de infraestrutura elétrica e serviços, enquanto a geração ocorreria ao redor dela.
| Parte do sistema | Função prevista | Escala |
|---|---|---|
| Parques eólicos | Gerar eletricidade | 3 GW inicialmente |
| Hub offshore | Reunir e distribuir energia | Expansão planejada até 10 GW |
| Cabos submarinos | Conectar redes nacionais | Conexões internacionais |
| Localização | Aproximar o hub da geração | Cerca de 100 km da costa |
A Dinamarca já começou a construir essa ilha artificial?
Não. Esse é o principal exagero presente em muitas publicações sobre o projeto. O governo dinamarquês chegou a preparar estudos e processos para implementar a ilha, mas o conceito enfrentou sucessivos adiamentos. Em 2023, o modelo então considerado foi avaliado como caro demais, levando à suspensão do processo de licitação.
Em agosto de 2024, autoridades dinamarquesas informaram novo adiamento, com custos totais projetados acima de 200 bilhões de coroas dinamarquesas, valor que, dependendo do câmbio, supera R$ 150 bilhões. Naquele momento, uma eventual entrada em operação passou a ser discutida para aproximadamente 2036.

Por que a ilha de energia ficou tão cara antes mesmo de sair do papel?
Construir infraestrutura elétrica em alto-mar envolve estruturas marítimas, cabos de transmissão, conversores, proteção contra corrosão e instalações capazes de operar sob ondas, vento e manutenção complexa. A alta dos preços de matérias-primas e dos juros tornou o financiamento ainda mais pesado para um empreendimento dessa magnitude.
A própria Agência Dinamarquesa de Energia mantém informações sobre o projeto, seus estudos preliminares e os processos anteriores de preparação. Atualmente, portanto, é mais preciso descrevê-lo como um grande projeto energético em reconsideração do que como uma ilha gigantesca já emergindo do oceano.
A ideia das ilhas energéticas foi abandonada pela Europa?
Não necessariamente. A Dinamarca continua desenvolvendo projetos offshore, e o conceito de hubs que interligam geração marítima e redes nacionais permanece relevante. Em janeiro de 2026, Dinamarca e Alemanha chegaram a um novo acordo para avançar com o projeto Bornholm Energy Island, no Mar Báltico, que é diferente da ilha artificial inicialmente planejada para o Mar do Norte.
O caso mostra justamente o desafio da próxima etapa da energia eólica offshore europeia. Instalar turbinas já é uma tecnologia consolidada, mas reunir dezenas de gigawatts, conectar países e construir redes elétricas no mar exige investimentos enormes. A “ilha de energia” continua sendo uma visão poderosa, mas transformar esse desenho em infraestrutura economicamente viável é a parte realmente difícil.
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