A ilha abandonada que parece um navio de guerra de concreto e onde 5 mil pessoas sumiram deixando tudo para trás
Uma mina submarina sustentou milhares de moradores em poucos hectares até seu fechamento transformar uma cidade vertical em ruínas
A ilha de Hashima, no Japão, parece uma enorme embarcação militar de concreto abandonada no oceano. Entre prédios vazios, corredores deteriorados e apartamentos onde objetos ainda permaneceram depois da partida dos moradores, existe a história de uma comunidade que chegou a reunir mais de 5 mil pessoas em poucos hectares e desapareceu rapidamente quando a atividade que sustentava toda aquela cidade deixou de fazer sentido econômico.
Como a ilha de Hashima conseguiu colocar mais de 5 mil pessoas em um território minúsculo?
Hashima fica próxima de Nagasaki e mede apenas cerca de 480 metros de comprimento por 160 metros de largura. Ainda assim, durante o auge da mineração, o pequeno território recebeu edifícios residenciais de vários andares, escola, hospital, lojas, áreas de lazer e outras estruturas necessárias para manter milhares de trabalhadores e suas famílias vivendo longe do continente.
A população chegou a aproximadamente 5.300 habitantes, fazendo da ilha um exemplo extremo de concentração populacional. Como simplesmente não havia terreno suficiente para espalhar casas horizontalmente, a solução foi construir para cima. Grandes blocos de concreto passaram a dominar a paisagem e criaram a aparência compacta e quase claustrofóbica que ainda hoje caracteriza suas ruínas.
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O que existia dentro daquela cidade cercada pelo mar antes do abandono?
Hashima não era apenas um dormitório para trabalhadores. Durante décadas, funcionou como uma verdadeira pequena cidade industrial, estruturada para que moradores encontrassem praticamente tudo de que precisavam sem deixar a ilha. A mineração subterrânea sustentava economicamente esse sistema.
Entre as estruturas que existiam no local estavam.
- Edifícios residenciais
- Escolas
- Hospital
- Lojas
- Restaurantes
- Templo
- Santuário
- Instalações ligadas à mineração
Um documentário da DW apresenta Hashima e percorre as ruínas deixadas depois do fechamento da mina, mostrando edifícios residenciais, instalações industriais e espaços onde milhares de pessoas viveram. As imagens ajudam a entender como um território tão pequeno conseguiu funcionar durante décadas como uma cidade vertical cercada pelo oceano.
Por que a ilha de Hashima foi abandonada tão rapidamente em 1974?
A razão estava centenas de metros abaixo do oceano. Desde o fim do século XIX, Hashima havia sido desenvolvida em torno da exploração de carvão em minas submarinas, e a Mitsubishi assumiu a operação em 1890. Durante décadas, o combustível foi essencial para a industrialização japonesa e justificou a enorme infraestrutura construída naquele pedaço de rocha.
Entretanto, o Japão passou gradualmente a depender mais do petróleo como fonte de energia, reduzindo a importância econômica do carvão. Quando a mina encerrou as atividades em 1974, desapareceu também a razão principal para milhares de pessoas permanecerem naquele local isolado. A Organização Nacional de Turismo do Japão registra a história de Hashima e informa que a população chegou a aproximadamente 5.300 habitantes antes de a ilha ser rapidamente abandonada naquele ano.
Por que Hashima parece um gigantesco navio de guerra feito de concreto?
O apelido japonês Gunkanjima significa aproximadamente “Ilha do Encouraçado”. Ele surgiu porque, observada a certa distância, a combinação dos paredões marítimos com os edifícios altos produz uma silhueta que lembra um grande navio militar flutuando no horizonte.
Essa aparência não foi criada deliberadamente para imitar uma embarcação. Ela resultou da necessidade de proteger o território contra o mar e aproveitar cada pedaço disponível para construções. Muros altos cercavam partes da ilha, enquanto enormes prédios residenciais ocupavam o interior, formando uma massa compacta de concreto.
| Característica | Hashima no auge | Depois de 1974 |
|---|---|---|
| População | Cerca de 5.300 habitantes | Nenhum morador permanente |
| Principal atividade | Mineração submarina de carvão | Mina encerrada |
| Edifícios | Residências e serviços em funcionamento | Estruturas abandonadas e deterioradas |
| Acesso | Comunidade industrial fechada | Visitas apenas em áreas autorizadas |
Os 5 mil moradores realmente desapareceram deixando tudo para trás?
Eles não “sumiram” misteriosamente. O abandono foi consequência direta do encerramento da mina e aconteceu de maneira organizada, embora extremamente rápida quando comparado à história de décadas da comunidade. Famílias deixaram apartamentos, funcionários abandonaram instalações industriais e a cidade que dependia integralmente do carvão perdeu sua população permanente.
Parte dos objetos permaneceu nos edifícios, e décadas de exposição ao vento, à maresia e aos tufões criaram a aparência de que seus moradores simplesmente levantaram e foram embora de repente. Hoje ainda existem salas deterioradas, restos de móveis e estruturas públicas consumidas pelo tempo, mas isso não significa que toda a população tenha abandonado literalmente todos os seus pertences durante uma fuga repentina.

Como a ilha de Hashima virou símbolo mundial de uma cidade fantasma?
Durante décadas, a entrada permaneceu extremamente limitada, enquanto os prédios envelheciam sem moradores ou manutenção convencional. Hashima voltou a receber visitantes em áreas controladas em 2009 e, em 2015, sua mina passou a integrar o conjunto de locais da Revolução Industrial Meiji reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO.
A paisagem também chegou à cultura popular. Hashima serviu de referência visual para a ilha abandonada controlada pelo vilão Silva em 007 – Operação Skyfall, embora as principais cenas não tenham sido simplesmente filmadas dentro das ruínas como muitas publicações sugerem. Essa combinação de história industrial, abandono repentino e arquitetura deteriorada transformou a ilha de Hashima em uma das cidades fantasmas mais reconhecíveis do planeta.
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