A estrutura de madeira construída há milhares de anos que revela como povos antigos atravessavam áreas alagadas

29.10.2026

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5 minutos de leitura 13.09.2026 23:43 comentários
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A estrutura de madeira construída há milhares de anos que revela como povos antigos atravessavam áreas alagadas

Tábuas, suportes e milhares de estacas formavam uma passarela neolítica capaz de atravessar quase dois quilômetros de pântano

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A estrutura de madeira construída há milhares de anos que revela como povos antigos atravessavam áreas alagadas
Sweet Track atravessava os pântanos de Somerset há quase seis milênios

Nos pântanos de Somerset, no sudoeste da Inglaterra, arqueólogos encontraram restos de uma passarela construída no Neolítico e preservada sob turfa encharcada por quase seis milênios. A Sweet Track atravessava cerca de dois quilômetros de terreno pantanoso, mostrando que comunidades agrícolas pré-históricas dominavam técnicas avançadas de carpintaria e conseguiam criar rotas estáveis sobre ambientes onde caminhar diretamente seria difícil.

Como a Sweet Track atravessava o antigo pântano de Somerset?

A passarela ligava uma área elevada próxima a Shapwick a uma antiga ilha em Westhay, atravessando extensos juncais e terrenos encharcados dos Somerset Levels. Análises dos anéis das árvores determinaram que as madeiras foram cortadas no inverno de 3807 para 3806 a.C., permitindo uma datação extraordinariamente precisa para uma estrutura neolítica.

Ela não era uma ponte alta sobre águas profundas, mas uma passarela elevada sobre o pântano. Sua construção facilitava a circulação entre áreas secas separadas por zonas alagadas e provavelmente também permitia acessar recursos das áreas úmidas, que forneciam plantas, animais e outros materiais importantes às comunidades locais.

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Como os construtores conseguiram sustentar as tábuas sobre o terreno mole?

O sistema utilizava longas peças de madeira colocadas longitudinalmente como suporte. Estacas afiadas eram cravadas obliquamente no terreno dos dois lados dessas peças, formando uma estrutura capaz de manter o caminho estável. Sobre ela, tábuas eram posicionadas no sentido da passagem e presas entre as extremidades das estacas.

Carvalho, freixo e tília foram utilizados nas pranchas, enquanto aveleira e amieiro aparecem principalmente nas estacas e suportes. As peças eram preparadas em solo seco e depois levadas ao pântano, revelando planejamento prévio e conhecimento detalhado das propriedades de diferentes tipos de madeira.

  • Tábuas formavam a superfície usada pelos pedestres.
  • Longas peças inferiores sustentavam o piso.
  • Estacas inclinadas mantinham os componentes posicionados.
  • Diferentes espécies de árvores eram escolhidas conforme a função.

Este vídeo do South West Heritage Trust recria digitalmente a passarela e a paisagem dos Somerset Levels durante o Neolítico.

O que a Sweet Track revela sobre as comunidades neolíticas?

A quantidade de madeira trabalhada mostra que seus construtores possuíam ferramentas, organização e experiência consideráveis. A Historic England estima que o projeto empregou aproximadamente 2.000 metros de suportes longitudinais, 6.000 estacas e 4.000 metros de tábuas, materiais que precisaram ser selecionados, cortados e transportados.

A estrutura também oferece pistas sobre manejo da paisagem. Estudos de pólen, plantas, besouros, madeira e anéis de crescimento indicam que áreas próximas eram cultivadas e que as florestas locais já sofriam manejo humano. Assim, a passarela fazia parte de uma paisagem transformada por algumas das primeiras comunidades agrícolas da região.

Por que a madeira não apodreceu completamente durante milhares de anos?

A principal explicação está no ambiente encharcado. Depois de abandonada, a madeira ficou coberta por turfa saturada de água, onde a disponibilidade de oxigênio é muito pequena. Sem oxigênio suficiente, muitos microrganismos responsáveis pela decomposição da madeira trabalham de forma muito mais lenta.

Essa preservação depende de o material permanecer úmido. Se o nível da água baixar e o oxigênio alcançar novamente as peças, a deterioração pode acelerar. Por isso, o Historic England acompanha atualmente as condições de preservação da Sweet Track, inclusive diante de verões mais secos e das mudanças climáticas.

Estacas, suportes e tábuas formavam a estrutura da passarela neolítica
Estacas, suportes e tábuas formavam a estrutura da passarela neolítica

Quais números mostram a dimensão dessa obra pré-histórica?

A estrutura atravessava quase dois quilômetros de pântano, distância considerável para uma obra executada apenas com ferramentas pré-históricas e força humana. A dendrocronologia revelou não apenas o período de construção, mas também reparos realizados até aproximadamente 3800 a.C., sugerindo que a passagem permaneceu em uso por alguns anos.

Estimativas arqueológicas indicam uma vida útil provavelmente entre nove e doze anos. Apesar desse período relativamente curto, as condições anaeróbias do pântano conservaram partes da madeira por quase seis milênios, permitindo reconstruir detalhes que raramente sobrevivem em sítios terrestres do Neolítico.

CaracterísticaReferência arqueológica
Madeira cortada3807–3806 a.C.
ExtensãoQuase 2 km
Estacas estimadasCerca de 6.000
Uso estimadoAproximadamente 9–12 anos

Por que a Sweet Track continua tão importante para a arqueologia?

Mais do que uma antiga passarela, a Sweet Track registra técnicas de construção que dificilmente deixariam vestígios em ambientes secos. As tábuas, suportes e estacas revelam como comunidades neolíticas selecionavam árvores, trabalhavam madeira e coordenavam esforços coletivos para resolver problemas concretos de deslocamento.

Objetos encontrados próximos ao caminho, incluindo ferramentas de pedra, cerâmica e materiais orgânicos, ampliam ainda mais sua importância. Alguns podem ter sido perdidos durante o uso, enquanto outros são interpretados como possíveis depósitos intencionais, mostrando que a passagem pode ter desempenhado também funções sociais ou simbólicas além do transporte.

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