A estrutura de concreto de 8 quilômetros de extensão que consumiu material suficiente para construir 210 estádios do Maracanã
A construção binacional desviou o Rio Paraná, mobilizou dezenas de milhares de trabalhadores e consumiu milhões de metros cúbicos de concreto
Na fronteira entre Brasil e Paraguai, a Usina de Itaipu transformou o curso do Rio Paraná e exigiu uma quantidade de concreto, aço, terra e rocha difícil de imaginar. A barragem alcança 7.919 metros de extensão e até 196 metros de altura, enquanto os números registrados durante sua construção colocam o empreendimento entre os grandes feitos da engenharia do século XX.
Por que a Usina de Itaipu precisou de uma barragem com quase 8 quilômetros?
Os 8 quilômetros usados no título são um arredondamento dos 7.919 metros registrados pela própria Itaipu para o conjunto da barragem. A estrutura não consiste em uma única parede uniforme de concreto: o empreendimento reúne diferentes tipos de barragens e estruturas construídas para fechar o vale do Paraná, controlar a água e conduzi-la até as unidades geradoras. Em seu ponto máximo, a construção alcança 196 metros de altura, aproximadamente o equivalente a um edifício de 65 andares.
A escala nasceu diretamente das características do local e da quantidade de água disponível. Brasil e Paraguai decidiram aproveitar conjuntamente o potencial hidrelétrico daquele trecho do Rio Paraná e assinaram o Tratado de Itaipu em 1973. A entidade binacional foi criada no ano seguinte, enquanto as grandes obras começaram em 1975 e transformaram a região em um dos maiores canteiros de construção daquele período.
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Quais números mostram o tamanho absurdo da construção?
Os registros históricos ajudam a transformar a dimensão da obra em números compreensíveis. A construção consumiu aproximadamente 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto. A comparação tradicional reproduzida em materiais sobre o empreendimento afirma que esse volume seria suficiente para construir cerca de 210 estádios como o Maracanã. Além disso, a quantidade de ferro e aço utilizada equivaleria ao material necessário para aproximadamente 380 Torres Eiffel.
Entre os números que ajudam a visualizar a dimensão da obra estão:
- 7.919 metros de extensão da barragem
- 196 metros de altura máxima
- 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto
- Ferro e aço equivalentes a cerca de 380 Torres Eiffel
- Aproximadamente 40 mil trabalhadores no pico das obras
O vídeo histórico publicado pelo Arquivo Nacional mostra o Rio Paraná e o projeto da Hidrelétrica de Itaipu ainda em 1978, justamente durante uma das fases decisivas da construção. O material preservado pelo órgão federal ajuda a visualizar a dimensão do canteiro e o contexto da cooperação entre Brasil e Paraguai antes de a usina entrar em operação.
Essas comparações não significam que 210 réplicas completas do atual Maracanã poderiam simplesmente ser construídas com aquele concreto, já que estádios possuem diferentes materiais e projetos estruturais. Elas funcionam como referências de escala. O número tecnicamente mais importante continua sendo o volume efetivamente registrado: aproximadamente 12,3 milhões de metros cúbicos de concreto empregados no empreendimento.
Como a Usina de Itaipu conseguiu desviar o Rio Paraná para construir a barragem?
Antes de erguer a parte principal da barragem no leito original, os engenheiros precisavam fazer algo extraordinário: retirar temporariamente o rio do caminho. Para isso, equipes escavaram um enorme canal de desvio na margem esquerda. Depois de movimentar aproximadamente 55 milhões de metros cúbicos de terra e rocha, a alteração do curso do Paraná tornou possível trabalhar em uma área que anteriormente permanecia coberta pelas águas.
Em outubro de 1978, uma etapa decisiva permitiu que as águas começassem a passar pelo novo canal. Com o fluxo deslocado, os construtores puderam atuar no antigo leito e avançar com as estruturas principais. Não é necessário chamar o Paraná de “quinto maior rio do mundo” para compreender a dificuldade da tarefa, pois classificações desse tipo variam conforme o critério utilizado. O fato documentado já impressiona: foi preciso deslocar temporariamente um dos maiores sistemas fluviais da América do Sul para construir a usina.
Como milhões de metros cúbicos de concreto foram lançados sem parar a construção?
Uma obra desse porte exigia uma cadeia industrial funcionando praticamente junto ao canteiro. Britagem de rochas, produção de agregados, fabricação de concreto, transporte e lançamento precisavam acontecer de maneira coordenada. A quantidade total usada chegou a 12,3 milhões de metros cúbicos, enquanto diferentes frentes avançavam simultaneamente pela estrutura. O ritmo necessário estava muito além daquele encontrado em uma construção urbana convencional.
A logística também envolveu máquinas de enormes dimensões e componentes que precisavam chegar a Foz do Iguaçu vindos de outras regiões. As rodas das turbinas, por exemplo, pesavam cerca de 300 toneladas cada. O transporte da primeira dessas peças desde São Paulo até o canteiro demorou aproximadamente três meses, demonstrando que a complexidade de Itaipu não estava apenas no concreto, mas também em levar equipamentos gigantescos até o lugar correto.
| Elemento da obra | Número registrado | Escala comparativa |
|---|---|---|
| Barragem | 7.919 metros | Quase 8 quilômetros de extensão |
| Altura máxima | 196 metros | Cerca de 65 andares |
| Concreto | 12,3 milhões de m³ | Comparado a cerca de 210 Maracanãs |
| Ferro e aço | Volume histórico da construção | Equivalente a cerca de 380 Torres Eiffel |
Por que a Usina de Itaipu precisou reunir cerca de 40 mil trabalhadores?
A construção não consistia apenas em erguer uma parede no rio. Ao mesmo tempo, equipes precisavam escavar, concretar, montar equipamentos eletromecânicos, construir acessos, transportar peças e preparar toda a infraestrutura necessária para milhares de trabalhadores. No auge das atividades, aproximadamente 40 mil pessoas atuavam nos canteiros e escritórios relacionados ao empreendimento.
O crescimento foi tão intenso que alterou a própria região de Foz do Iguaçu. Mais de 9 mil moradias e um hospital foram construídos para atender a força de trabalho ligada ao projeto, enquanto a população da cidade cresceu rapidamente durante aqueles anos. Assim, a escala de Itaipu não pode ser medida apenas pelo tamanho da barragem: ela também exigiu a criação de infraestrutura urbana para sustentar uma operação industrial gigantesca.

Como uma obra desse tamanho finalmente começou a produzir eletricidade?
Em outubro de 1982, com as principais obras da barragem concluídas, começou a formação do reservatório. Os responsáveis esperavam que a água levasse cerca de 90 dias para alcançar o nível necessário, porém uma grande cheia do Paraná acelerou dramaticamente o processo. Em apenas 14 dias, o reservatório atingiu a cota prevista, e em novembro daquele ano as comportas do vertedouro foram abertas.
A primeira unidade geradora começou a fornecer energia em 5 de maio de 1984 para o sistema paraguaio, enquanto o fornecimento ao Brasil começou meses depois. Posteriormente, Itaipu chegou às 20 unidades geradoras e a 14 mil megawatts de potência instalada. Os registros históricos da própria Itaipu ajudam a dimensionar por que a barragem continua impressionando décadas depois: antes de gerar eletricidade, foi necessário mover dezenas de milhões de metros cúbicos de material, mudar o curso de um grande rio e erguer uma estrutura que se estende por quase oito quilômetros.
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