A estrada ficou menos aparada e ganhou 45% mais polinizadores depois que pesquisadores reduziram cortes e trocaram pulverização ampla por aplicação localizada
Estudo canadense encontrou 45% mais polinizadores e 23% mais espécies em acostamentos com cortes menos frequentes e controle localizado de plantas invasoras
Uma faixa de vegetação aparentemente comum, ao lado de uma estrada rural, pode abrigar muito mais vida do que sugere sua aparência. No Canadá, pesquisadores descobriram que os polinizadores nos acostamentos eram 45% mais abundantes em áreas onde a vegetação recebia menos cortes e o controle de plantas invasoras utilizava aplicações localizadas de herbicidas. A diversidade de espécies também foi 23% maior em comparação com áreas submetidas à manutenção convencional. Publicado em setembro de 2026, o estudo liderado pela Universidade de Ottawa mostra como pequenas mudanças na conservação das margens rodoviárias podem favorecer abelhas e moscas-das-flores.
Por que os polinizadores nos acostamentos aumentaram com menos cortes?
As margens das estradas oferecem flores, néctar, pólen e locais utilizados por diferentes insetos durante seu ciclo de vida. Entretanto, a manutenção frequente pode eliminar temporariamente esses recursos, especialmente quando as plantas são cortadas durante a floração.
Nas áreas estudadas, o manejo menos intenso preservava a vegetação por períodos maiores. Essa condição favoreceu a presença de abelhas e sirfídeos, conhecidos como moscas-das-flores, importantes visitantes de flores que também participam da polinização.
Como os pesquisadores contaram os polinizadores nos acostamentos?
A equipe comparou 31 locais em áreas rurais próximas a Ottawa, na província canadense de Ontário. Os pesquisadores acompanharam os insetos durante dois verões, em 2023 e 2024, utilizando redes entomológicas para capturar e identificar os exemplares.
As localidades apresentavam condições ambientais semelhantes, mas adotavam diferentes rotinas de manutenção. Lanark County realizava até dois cortes anuais e controlava plantas invasoras individualmente, enquanto Ottawa e Leeds & Grenville utilizavam cortes mais frequentes e pulverização de herbicidas em áreas maiores.
Os principais resultados incluíram:
- Monitoramento de 31 trechos de acostamento;
- Identificação de 3.773 insetos polinizadores;
- Registro de 153 espécies diferentes;
- Identificação de 100 espécies de abelhas;
- Registro de 53 espécies de moscas-das-flores;
- Aumento médio de 45% na abundância e 23% na riqueza de espécies.

Por que cortar menos a vegetação não significa abandonar a manutenção?
O manejo menos intenso não consistia em deixar os acostamentos crescerem indefinidamente. As autoridades continuavam realizando cortes duas vezes por ano e controlando plantas invasoras consideradas problemáticas.
A principal diferença estava na frequência das intervenções e na maneira de aplicar herbicidas. Em vez de pulverizar grandes extensões, os trabalhadores tratavam plantas específicas ou realizavam sua retirada manual. Isso ajudava a preservar outras espécies vegetais.
O que o estudo revelou sobre os polinizadores nos acostamentos?
O estudo publicado na revista Insect Conservation and Diversity, conduzido por Gil Felipe Gonçalves Miranda e Jessica Forrest, encontrou diferenças importantes entre os dois modelos de manutenção.
Os trechos com manejo menos intenso apresentaram, em média, 27 espécies por local, contra 22 nas áreas convencionais. Entretanto, os pesquisadores observaram que parte do aumento na abundância vinha de algumas espécies comuns. Além disso, nenhuma área recebeu herbicida durante o período de amostragem, de modo que os resultados refletem diferenças entre históricos de manejo, não o efeito imediato de uma pulverização experimental.
Quais números mostram a diferença entre os dois tipos de manutenção?
O experimento acompanhou tanto abelhas quanto moscas-das-flores. A combinação desses grupos permitiu avaliar a resposta de insetos com diferentes necessidades ecológicas.
Os pesquisadores também verificaram que os resultados variavam entre os anos. Em 2024, quando as condições de umidade favoreceram o crescimento das plantas, algumas diferenças entre os modelos de manutenção ficaram menos evidentes.
| Indicador | Resultado observado |
|---|---|
| Abundância de polinizadores | 45% maior com manejo menos intenso |
| Riqueza de espécies | 23% maior |
| Espécies por local | 27 contra 22, em média |
| Manejo menos intenso | Até dois cortes anuais e tratamento localizado |
| Total de insetos identificados | 3.773 exemplares de 153 espécies |
Como as estradas podem ajudar a proteger abelhas e outros insetos?
As margens rodoviárias formam extensas faixas de vegetação que atravessam paisagens agrícolas e áreas modificadas pela atividade humana. Quando apresentam flores e locais adequados para abrigo, podem oferecer recursos importantes aos polinizadores.
Entretanto, transformar acostamentos em habitats exige planejamento. A vegetação não pode comprometer a visibilidade dos motoristas, a drenagem ou a segurança viária. Também é necessário considerar os riscos de atropelamento de insetos e exposição à poluição. Os resultados canadenses sugerem que ajustar a frequência dos cortes e limitar o uso indiscriminado de herbicidas pode favorecer a biodiversidade sem eliminar a manutenção necessária. Estudos em outras regiões ainda deverão determinar quais combinações oferecem melhores resultados.
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