A enorme montanha africana perto da linha do Equador onde ainda existem geleiras no cume apesar do calor nas regiões ao redor
A altitude extrema mantém gelo no ponto mais alto da África, mas as geleiras diminuíram drasticamente desde o início do século XX
No nordeste da Tanzânia, próximo à fronteira com o Quênia, ergue-se o Kilimanjaro, ponto mais alto da África, com 5.895 metros de altitude. Apesar de estar a poucos graus ao sul da linha do Equador, seu cume ainda conserva geleiras e campos de gelo. Essa aparente contradição é explicada principalmente pela enorme altitude, que mantém temperaturas muito mais baixas no topo do que nas planícies tropicais ao redor.
Por que o Kilimanjaro ainda possui gelo tão perto do Equador?
A proximidade da linha do Equador não significa que todas as altitudes apresentem temperaturas elevadas. Conforme a altitude aumenta, a pressão atmosférica diminui e o ar tende a ficar mais frio. No Kilimanjaro, a diferença entre as planícies ao redor e o cume ultrapassa vários quilômetros de altitude.
A montanha possui três principais centros vulcânicos: Kibo, Mawenzi e Shira. Kibo contém o ponto culminante, chamado Uhuru Peak, a 5.895 metros. É nessa região mais elevada que permanecem os campos de gelo e geleiras remanescentes, submetidos a condições completamente diferentes das encontradas na base.
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Como as geleiras conseguiram permanecer no topo durante tanto tempo?
A formação e a permanência do gelo dependem do equilíbrio entre precipitação, temperatura, radiação solar, umidade e perda de massa por processos como sublimação e derretimento. Nas maiores altitudes, temperaturas suficientemente baixas permitiram que gelo se acumulasse durante milhares de anos.
Nos trópicos, porém, as condições são particulares. A forte radiação solar e a atmosfera relativamente seca podem provocar perda direta de gelo para a atmosfera por sublimação. Mudanças na quantidade de neve recebida também alteram a capacidade das geleiras de repor a massa perdida.
- A altitude reduz significativamente as temperaturas;
- Neve acumulada pode alimentar os campos de gelo;
- Sublimação remove gelo diretamente para a atmosfera;
- Variações de precipitação influenciam o equilíbrio das geleiras.
Este vídeo acompanha as geleiras do monte e mostra como elas diminuíram nas últimas décadas.
Quanto gelo o Kilimanjaro já perdeu?
Registros históricos mostram uma redução muito grande desde o início do século XX. Estudos e levantamentos indicam que aproximadamente 80% da área de gelo existente no começo daquele século desapareceu ao longo das décadas seguintes, deixando blocos isolados onde antes havia uma cobertura muito mais extensa.
A retração não ocorre apenas pelas bordas. As geleiras também perdem espessura e podem se fragmentar em corpos menores. Alguns campos de gelo que apareciam conectados em fotografias antigas atualmente estão separados, tornando muito evidente a transformação da paisagem no cume.
O aquecimento global é a única causa da redução das geleiras?
Não é adequado atribuir todas as mudanças a um único mecanismo local. A perda de gelo envolve alterações climáticas de grande escala, mudanças na precipitação, umidade atmosférica, radiação e processos específicos do ambiente tropical de alta montanha. Estudos também analisaram possíveis efeitos de mudanças na vegetação das regiões inferiores.
A UNESCO considera as geleiras do Parque Nacional do Kilimanjaro particularmente vulneráveis às mudanças climáticas. Pesquisas indicam que a dinâmica regional da atmosfera exerce papel importante, enquanto a influência de mudanças locais no uso da terra não explica sozinha a forte retração observada.

Quais números mostram a dimensão do Kilimanjaro e de suas mudanças?
O ponto mais alto está a 5.895 metros acima do nível do mar, enquanto as planícies ao redor ficam milhares de metros abaixo. Essa diferença vertical produz uma sequência impressionante de ambientes, desde áreas florestais até vegetação de altitude, deserto alpino e os campos de gelo do cume.
O Parque Nacional do Kilimanjaro foi incluído na Lista do Patrimônio Mundial em 1987. A UNESCO também alerta que os últimos glaciares africanos, incluindo os da montanha, apresentam risco de desaparecer nas próximas décadas caso as tendências climáticas atuais continuem.
| Característica | Informação |
|---|---|
| Altitude máxima | 5.895 metros |
| Pico mais alto | Uhuru Peak, no Kibo |
| Perda histórica de gelo | Cerca de 80% desde o início do século XX |
| Patrimônio Mundial | Desde 1987 |
Por que o Kilimanjaro é tão importante para o estudo do clima?
As geleiras tropicais registram condições atmosféricas muito diferentes das encontradas nas grandes massas de gelo das regiões polares. Por isso, acompanhar sua retração ajuda cientistas a investigar como mudanças de temperatura, precipitação e circulação atmosférica afetam ambientes de alta altitude próximos ao Equador.
A montanha também possui enorme importância ecológica e cultural para a Tanzânia. O desaparecimento do gelo modificaria uma das paisagens mais reconhecidas da África e representaria a perda de um registro natural que persistiu durante milhares de anos em condições extremamente particulares.
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